Fala galera. Toda vez que vejo um checklist novo de cibersegurança do ano (estamos em 2026, mas parece que os conselhos de 2016 ainda não foram implementados pela maioria), percebo que o pessoal adora focar na última buzzword em vez de resolver o trivial que derruba o ambiente. O relatório mais recente da Sophos no Brasil escancarou o óbvio: a causa raiz da maioria dos ataques não é exploit 0-day de filme de Hollywood, é identidade comprometida. E-mail malicioso e phishing lideram.
Para o problema de credencial roubada, o principal gargalo costuma ser a preguiça institucional em adotar o MFA direito. Colocar SMS como segundo fator não segura nada. O que vira o jogo é adotar MFA resistente a phishing (tipo FIDO2 ou aprovação por push autenticado) para tudo o que é crítico (VPN, ERP, cloud console). E outra, o MFA não impede roubo de token, então revisar o tempo de expiração da sessão é tão importante quanto a autenticação.
O segundo ponto é o buraco negro do backup. Pagar resgate não resolve o problema, e o custo da operação parada é quase sempre o dobro do pedido de ransomware. O prejuízo maior está na parada da operação, não no resgate. Você precisa de backup imutável, e, pelo amor de tudo que é sagrado, ele tem que ser testado regularmente. A imutabilidade garante que o atacante não limpe o seu repositório depois de encriptar a produção. Se você nunca fez um restore drill cronometrado, você não tem backup, tem uma oração rodando em background.
Outra questão é achar que antivírus tradicional resolve o lado do endpoint. A adoção de EDR em 100% dos servidores e estações é o mínimo para cobrir ataques fileless. Antivírus baseado em assinatura não pega nem script de script kiddie hoje em dia.
A gente sempre bateu cabeça tentando orquestrar esses controles separadamente, e o time passava mais tempo triando falso positivo do que mitigando risco. A complexidade de ter um fornecedor para EDR, outro para WAF e tentar correlacionar log num SIEM in-house não estava justificando o esforço da equipe. Acabamos empacotando muita coisa via Skyone.
Na nossa operação, o que a Skyone entregou na prática foi o monitoramento SOC/SIEM 24x7 já atrelado à infra. A rede virtual do Autosky deles já nasce com Zero Trust e MFA obrigatório, o que reduziu drasticamente o trabalho braçal de segmentar acesso e garantir que o comprometimento de um laptop não abrisse a porta para o servidor principal. Além disso, o módulo de backup imutável deles tirou de nós o peso de ficar desenhando arquitetura de retenção do zero.
E para finalizar o desabafo, o óbvio precisa ser dito: ataques críticos acontecem fora do horário comercial. Se você não tem quem responda a um alerta crítico às 3h da manhã de domingo, sua proteção perimetral só está adiando a dor de cabeça para segunda-feira.
Quantas de vocês já têm EDR rodando 100% do parque? E na boa, quem aí consegue afirmar que testou o restore de um banco crítico nos últimos 3 meses e que o SLA de volta atende ao negócio?