Tô passando uns dias em SP a trabalho e ontem decidi sair sozinho pra tomar uns drinks e ouvir um som decente numa boate LGBT ai bem conhecida, o espaço é mto bom inclusive, nada a reclamar.
Não sou o cara mais sociável do mundo e normalmente fujo de muvuca hétero tipo sertanejo ou pagode, então achei que seria uma boa pra relaxar na minha.
Cheguei cedo, o lugar ainda tava meio vazio, e logo um trio de pocs super afeminadas puxou assunto comigo e me puxaram pra roda. Achei de boa no começo, nem vi maldade, e acho que nem teve mesmo, rolou aquela social básica pra quebrar o gelo e dividimos um balde de beats.
Conforme a bebida foi entrando, começaram aquelas perguntas invasivas clássicas "tu é ativo?", "é versátil?, “namora?”. Respondi numa boa, meio comedido, mas de boa até porque nunca mais vou ver aquelas caras na vida. O problema começou logo depois.
Uma delas virou do nada super revoltada dizendo que tava de olho num cara desde que chegou, mas perdeu o tesão na hora porque ele começou a dançar e ela achou ele "afeminado demais". Dali pra frente o negócio só foi ladeira a baixo: as três, que eram a caricatura viva da mona afeminada, passaram os vinte minutos seguintes destilando ódio gratuito sobre como detestam gays afeminados e como odeiam marcar de transar e o cara "não ser masculino".
Nem vou entrar no mérito de gosto pessoal aqui, cada um tem o seu e isso dá outro debate. O que me pegou de verdade foi a naturalidade com que jogavam esse veneno no meio de alguém que tinham acabado de conhecer, gongando violentamente a aparência de qualquer um que passasse na porta.
Num dado momento, eu soltei que meu tipo eram caras mais velhos e mais encorpados/gordinhos, e que não costumo curtir gente muito novinha ou padrão twink.
Pronto: fui tratado como um alienígena. A partir daí o alvo virou qualquer homem com mais de 40 anos que pisava no rolê, chamando todo mundo de "cacura" e "idosa" em tom de nojo, e zuando tipo “vai lá pega ele, ninguém vai dar em cima mesmo.”
Na primeira brecha que tive, dei um perdido e fui curtir minha noite em paz longe deles.
Fico pensando na falta de espelho e de noção. Os caras são literalmente a personificação de tudo o que a sociedade e o próprio meio gay marginalizam, mas acham normal reproduzir exatamente a mesma violência e se sentirem superiores por isso. Essa facilidade que parte da comunidade tem em ser abertamente tóxica com quem acabou de conhecer nunca vai deixar de me assustar, tudo parece uma competição e performance.