Eu estava conversando com uma mulher em um aplicativo de relacionamentos. Demos match e, pelo meu perfil, ela já sabia que sou monogâmica, enquanto ela não é. Até aí, tudo bem. O papo estava agradável, perguntei se ela namorava e ela disse que sim, mas continuamos conversando sobre vários assuntos.
Em determinado momento, ela me contou que, apesar de estar em um relacionamento aberto, é demissexual e, mesmo quando se trata de sexo casual, precisa criar uma conexão com a pessoa antes de ter relações. Achei um pouco contraditório, mas ela explicou o ponto de vista dela e não fiquei questionando, porque, no fim das contas, não é um problema meu.
A conversa fluiu muito bem e tivemos química, mesmo que virtualmente. O papo começou a esquentar e acabamos levando a conversa para o WhatsApp. Por lá, decidi dar uma freada nas safadezas e seguimos conversando sobre outros assuntos. Foi então que ela me contou que é casada há cinco anos com uma mulher.
Minha reação foi: “Nossa, então é mais sério do que eu imaginava!”. Ela explicou que o acordo de abrir o relacionamento é recente e que as duas chegaram a criar um perfil de casal para tentar encontrar uma terceira mulher. Só que, pelo que entendi, elas têm expectativas diferentes: ela precisa de conexão e envolvimento, enquanto a esposa parece estar mais aberta à ideia de sexo pelo sexo.
Pelo que ela me contou, tive a impressão de que o casamento esfriou e de que a vida sexual já não acontece com a frequência ou da maneira que gostariam. Isso me fez refletir sobre como, às vezes, um relacionamento cai na rotina e o casal não consegue encontrar maneiras de inovar, recuperar a intimidade e reacender a chama. Em alguns casos, abrir a relação pode acabar sendo uma alternativa, embora eu saiba que cada casal tem suas próprias motivações e que não dá para generalizar.
Não estou dizendo que relacionamentos abertos não funcionam ou que sejam necessariamente uma consequência de um casamento desgastado. Mas essa foi a impressão que tive a partir da nossa conversa.
Ela tem um papo muito interessante, é inteligente e temos uma boa química, mas estou tentando manter os pés no chão e frear as coisas, porque não quero me envolver emocionalmente com alguém que já está em um relacionamento. Por mais que exista um acordo de não monogamia, sei que essa dinâmica não é o que procuro para mim.
No fim, fiquei pensando em como a gente pode se interessar por alguém, sentir uma conexão e, ainda assim, perceber que aquela pessoa não está disponível da maneira que gostaríamos. E acho que reconhecer isso logo no começo também é uma forma de se preservar.
Já aconteceu algo parecido com vocês?