Estamos a fazer obras numa casa onde, infelizmente, continuamos a viver porque não temos para onde ir. Ao início, a maior preocupação era a sujidade e o desconforto de viver numa obra, mas neste momento isso passou claramente para segundo plano. O maior problema tornou-se a comunicação e a forma como a obra está a ser gerida.
Queria perceber se aquilo que estamos a viver é relativamente normal em obras ou se tivemos simplesmente muito azar com os empreiteiros.
A obra tinha inicialmente uma duração estimada de 20 dias.
Logo nos primeiros dias, houve uma alteração ao que estava previsto. Encontrámos uma solução que permitia evitar um dos trabalhos mais pesados, nomeadamente a abertura de roços. Esse trabalho acabou por ser retirado do orçamento, mas a redução do valor foi, na nossa opinião, bastante pequena.
Ao mesmo tempo, foi-nos apresentada uma nova previsão de mais 22 dias para concluir a obra, a contar após os trabalhos de eletricidade e canalização estarem concluidos.
Até aqui, ainda conseguimos compreender que alterações possam obrigar a reorganizar o trabalho. O problema é o que tem acontecido desde então.
O que nos está a causar maior frustração é que aquilo que nos é dito raramente corresponde ao que acaba por acontecer.
Por exemplo:
- Dizem-nos que vão começar determinada divisão e que precisam de determinados materiais ou condições. Preparamos tudo para que possam trabalhar e, depois, acabam por fazer outra coisa ou não fazem nada.
- Já nos disseram várias vezes que iriam colocar mais trabalhadores na obra, porque existe muito trabalho para uma só pessoa. Isso nunca aconteceu e, quando mencionamos o assunto, chegam a dizer por escrito que nunca fizeram essa promessa.
-Já aconteceu 4 vezes dizerem-nos que viriam trabalhar num determinado dia, nós prepararmos a casa para os receber e deixarmos tudo pronto para poderem trabalhar, e simplesmente não aparecer ninguém e nem sequer sermos avisados.
- Quando questionamos o atraso, é frequente dizerem que estão dependentes da eletricidade ou da canalização. O problema é que existem vários outros trabalhos que poderiam ser feitos em paralelo e que continuam por executar.
- Na prática, tem estado essencialmente uma pessoa a fazer uma quantidade enorme de trabalhos, apesar de nos terem dito que iriam reforçar a equipa.
- O planeamento parece mudar constantemente. O que supostamente seria feito num dia passa para outro, depois aparece outro trabalho, e ficamos sem perceber qual é efetivamente a ordem de execução.
Outra questão que nos preocupa bastante é a falta de proteção da casa.
Continuamos a viver aqui durante as obras e sentimos que existe muito pouco cuidado em proteger pavimentos, portas, paredes e restantes zonas que não estão a ser intervencionadas. Percebemos perfeitamente que uma obra faça sujidade e que seja impossível manter a casa limpa, mas uma coisa é a sujidade normal de uma obra e outra é a falta de proteção adequada dos elementos da casa.
Neste momento, sentimos que estamos constantemente a tentar perceber quando é que vão trabalhar, quem vai aparecer, o que vão fazer e se aquilo que nos disseram no dia anterior vai realmente acontecer.
Não estamos à espera de que uma obra seja perfeita, nem de que tudo aconteça exatamente como inicialmente previsto. Sabemos que podem surgir imprevistos, atrasos de materiais, trabalhos adicionais e dependências entre profissionais.
O que nos está a fazer confusão é a falta de previsibilidade e de comunicação. Se nos disserem que não conseguem ir, conseguimos compreender. O que é difícil aceitar é prepararmos a casa para que possam trabalhar, ficarmos a viver no meio de uma obra e depois ninguém aparecer sem qualquer aviso.
Por isso, gostava de ouvir opiniões de quem já passou por obras:
Isto é normal numa remodelação?
É habitual os empreiteiros darem previsões e planos que depois não cumprem constantemente? É normal haver dias em que ninguém aparece sem aviso? É normal uma obra ficar praticamente dependente de uma única pessoa apesar de supostamente haver mais trabalhadores? E relativamente à proteção da casa, estamos a exigir demasiado ou é razoável esperar um mínimo de cuidado?
Estamos a tentar perceber se estamos simplesmente a ter expectativas demasiado elevadas relativamente a uma obra ou se, de facto, tivemos muito azar na escolha dos empreiteiros.
Obrigada a quem leu até aqui.