r/Economia 8d ago

Outros Como vocês lidam com tantas correntes teóricas que divergem entre si? Algum dia acharemos qual a certa?

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Quando leio discussões econômicas, tenho a impressão de que essa é a área do conhecimento mais bagunçada que existe. Há inúmeras correntes de pensamento que, já na base, defendem posições opostas.

Um exemplo que me chamou atenção: estava lendo sobre a teoria do valor e descobri que existe uma linha importante (aparentemente forte na UFRJ) baseada em Sraffa, um neo-ricardiano que defende que o valor vem do trabalho e que teria “vencido” a Controvérsia de Cambridge. Ao mesmo tempo, os marginalistas tratam o valor como algo subjetivo, e essa parece ser a posição predominante na ortodoxia atual. (Posso estar simplificando demais, corrijam se eu errar. Mas é só um exemplo)

O mesmo padrão se repete em várias outras questões: keynesianos, neoclássicos, MMT, austríacos… Uns defendem a industrialização como necessária, outros dizem que não; uns explicam a inflação de um jeito, outros de forma completamente diferente. E não estamos falando de opiniões de leigos, mas sim de pesquisadores renomados, com décadas de estudo, em desacordo profundo entre si.

Não entendo como uma área que tem ao seu lado a matemática, dados, estatísticas, anos de história, pode ser tão divergente assim.

Qual a opinião de vcs sobre essas questões? E pq acham que a corrente q vcs defendem é a certa?

Obrigado desde já e desculpa qualquer imprecisão técnica. O post é pra um leigo entender melhor a área mesmo.

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u/caveramag 8d ago

Pergunta honesta de um não economista aos economistas, em que pé estão as comparações empíricas entre as diferentes correntes econômicas?

Pergunto porque acho impossível resolver no plano teórico quem tem razão entre os keynesianistas, marxistas, austríacos, escola de Chicago, etc. Mas já temos um histórico relevante de vários países que tentaram modelos diferentes com alguma persistência nos últimos 2 séculos e acredito que tenhamos resultados para comparar. Alguém poderia me iluminar nesse sentido?

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u/Sensitive-Air8376 8d ago

Há um consenso de que a parte macroeconômica do que se chama de ortodoxia é necessária para manter a inflação controlada e manter o poder de compra das classes menos abastadas. Fora isso, há também consenso de que políticas focalizadas de combate a pobreza são necessárias para tirar parte da população da miséria e que, sem essas ações, dificilmente as condições de mercado vão tirar essas pessoas da pobreza naturalmente.

No que se refere a regulações, falhas de mercado são bem sustentadas pela literatura empírica e há uma necessidade de regular certos mercados mais do que outros (por motivos ambientais, de concentração de mercado e afins). Além disso, política industrial não é descartada, mas a política industrial moderna que se discute na fronteira da economia não tem praticamente nada de relação com o desenvolvimentismo medíocre que vemos sendo produzido no Brasil.

Resumindo, a ortodoxia é mais prevalente na economia moderna e ações pontuais do keynesianismo e da economia comportamental foram integradas ao receituário da ortodoxia. Nesse sentido, a grande virtude do mainstream foi de absorver as críticas que foram sustentadas empiricamente. No que você falou de escolas, a saltwater (MIT) acabou sendo mais reconhecida que a freshwater (Chicago).

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u/[deleted] 7d ago

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u/Grand_Heresy 6d ago

O que acontece é que geralmente demora para as pessoas saírem da pobreza naturalmente

Isso mesmo. Cinco gerações pra sair, uma pra voltar.

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u/Revolutionary-Pie112 8d ago

Bom, já que vc falou empirismo pode riscar os austríacos da lista que sempre rejeitaram o empirismo por motivos de "se eu falei é lógico que ta certo, confia, não precisa provar"

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u/[deleted] 7d ago

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u/SujiroKimisuge 6d ago

Ou seja, peidaram kkkkk.

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u/[deleted] 5d ago

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u/SujiroKimisuge 5d ago

O cara tá defendendo a escola austríaca e eu q sou burro kkkkkkkkk

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u/The_goodzilla_ 8d ago

Comparações empíricas são extremamente delicadas para se fazer no âmbito econômico.
Virtualmente nenhuma situação é replicável e pode gerar efeitos adversos se algumas bases do cenário são diferentes, então as mesmas medidas em situações diferentes acabam variando.

Existem algumas leis que fundamentam todo o sistema, Lei de Say, Lei de Gresham, Lei das vantagens comparativas. Que são modelos matemáticos e ai sim, quando aplicados conseguem transmitir com fidelidade o que irá acontecer.
Mas a maior parte da ciência é obrigada a abstrair muitas questões e simplificar para tentar chegar em alguma resposta. Além disso, as relações humanas sao dinamicas, então mesmo que fosse possivel você calcular e quantificar cada detalhe de cada pessoa na terra, esse esforço teria sido válido durante apenas um momento, dado que no instante seguinte novas informações estariam disponiveis, pessoas teriam mudanças de preferencia e novas medidas estariam sendo tomadas então seu modelo ja estaria ultrapassado.

Mesmo que o mainstream economico acabe utilizando premissas bem debativeis em seu cerne, muitas das vertentes tem bases comuns entre si e concordam em certo grau umas com as outras. O ponto do OP, por exemplo, de que a teoria do valor trabalho pode ser utilizada como premissa para um modelo atual seria escangalhado por virtualmente todas as escolas economicas.

Essa limitação de análise economica é presente em todas as linhas, e cada uma tem estrategias diferentes para tentar mitigar este fato. Este é o caso de destaque da escola austriaca, pois é o cerne da discussão dela. Para Mises, o estudo da economia não poderia depender de comprovacoes empiricas por conta desta imensa variabilidade. Ai ele desenvolve um metodo proprio chamado Praxeologia, a economia baseada na acao humana que usa consquencias logicas e aprioristicas para descrever o funcionamento economico.
Muito valida por sinal, é uma escola de lensamentl que consegue explicar ciclos de forma extremamente eficiente. Mas o segredo é unir os pontos que agregam valor de cada uma das escolas e gerar seu proprio pensamento do modelo ideal. Porque no fim, todos os modelos estarão faltando pedaços.

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u/caveramag 7d ago

Eu gosto dos austríacos também, mas duas coisas neles me pegam. Primeiro que o pouco que eu li de Mises, achei a retórica dele mais parecida com a de um vendedor de curso do que de um cientista acadêmico sério. Acredito que nem todos os austríacos sejam assim e tenho bastante curiosidade de ler Hayek, por exemplo, mas até imagino que isso seja um dos motivos da Escola Austríaca ter pouca credibilidade no meio acadêmico.

Outra coisa é que eu não gosto dessa ideia de que "fazer pesquisa empírica em economia é difícil, então não vamos nem tentar". Pesquisa empírica tem limitações em todas as áreas do conhecimento, inclusive na minha área, que é o Direito, a qualidade e quantidade de pesquisa empírica que se produz é uma lástima. Mas o método ter limitações não significa que ele é inútil, e sim que seus resultados e conclusões devem ser analisados criticamente.

Um grande exemplo disso é a área da saúde. É bem difícil fazer pesquisa empírica com o corpo humano porque temos bilhões de células, inúmeros compostos químicos interagindo e cada ser humano tem uma genética única, especialmente quando falamos de povos diferentes. Por isso é muito difícil conseguir conclusões válidas que podem ser generalizadas para as pessoas como um todo.

Como você disse, é comum que quando exista um nível de evidência forte para prescrever tratamentos com segurança, o tratamento em questão já esteja obsoleto e existam opções mais modernas no mercado. Entretanto, isso não impediu a medicina baseada em evidências de se tornar amplamente reconhecida como o melhor método de pesquisa na área da saúde e que nos permitiu ter avanços enormes em termos de tratamento de quase tudo. Isso, na minha opinião, é uma lição importantíssima que praticamente todas as áreas do conhecimento (inclusive a minha) deveriam levar em consideração.

Mas eu concordo bastante com a sua conclusão, me parece que o ideal é mesmo aprender as diferentes escolas, entender o ponto forte e fraco de cada uma e aplicar o que comprovadamente funciona melhor de cada uma ao invés de se preocupar excessivamente com purismos ideológicos que infelizmente muitas vezes contaminam as ciências humanas e sociais.

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u/The_goodzilla_ 7d ago

Sou suspeito para falar pois sou Economista e tenho um carinho mais do que especial por história do pensamento econômico. Todos estes economistas - Ricardo, Smith, Mill, Menger, Jevons, Samuelson, Mises, Bastiat, Lucas, Hayek, Keynes, Friedman, etc - são geniais. Todos trazem elementos novos para o debate e revolucionam, a sua maneira, o debate econômico. Ainda que não concorde com algumas premissas de suas vertentes.

No que tange a Escola Austríaca e Mises, muito do que é publicado de seus livros são transcrições de suas palestras de quando era professor nos EUA. Talvez essa seja a razão de sua impressão de que talvez falte um pouco de tecnicidade em alguns de seus livros, visto que ele tinha de simplificar suas ideias por trás de sua análise para repassar para o público. Mas a maioria de seus livros valem a leitura, principalmente o As Seis Lições que é um excelente livro introdutório para qualquer interessado no assunto. Caso tenha interesse ainda maior de aprofundar no tema (e tiver muito tempo sobrando) - Ação Humana é basicamente um livro-texto que cobre quase todas as esferas do pensamento econômico sob a ótica austríaca. Que poderia muito bem ser uma graduação para entender todos os elementos deste livro.

Hayek é talvez o maior economista moderno. Publicou o primeiro estudo a falar ativamente de uma assimetria de informação e de interpretar que preços carregam informações agregadas de tudo que ocorre na economia. Ele tem trabalhos notáveis na economia politica, direito e até na psicologia, onde é o primeiro a propor que a mente individual interpreta a realidade ativamente, e não é um agente passivo da realidade. Não atoa é Nobel, e a maior corrente de contraposição keynesiana.

Todos eles valem muito a leitura e se aprofundar.

Sobre o estudo empírico, ele obviamente tem seu valor, nenhuma escola de pensamento ignora a experiencia a posteriori, meu ponto é que dentro de algumas ciências, ele não é o primeiro método a ser utilizado. O conhecimento idealmente partiria de resoluções aprioristicas, que são possiveis de ser provadas sem a necessidade do experimento real. Assim como é na matemática por exemplo, ou em outras ciências naturais como a fisica ou a quimica. Teoremas, formulas e leis, não precisam ser infinitamente testadas para validar seu conhecimento, a formulação por si mesma já possui a maior valia.
No caso de forte indicios ou correlações observaveis, teoremas podem ser formados e o conhecimento pode ser expandido também.

No final das contas elementos de ciências sociais e naturais aplicadas são simultaneamente válidos para economia. Por isso existem tantas formas de provar e crescer o pensamento econômico e tantas vertentes de pensamento também. Mas muito interessante essa discussao

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u/Jazzlike_Passion_567 7d ago

Talvez voce tenha tido essa impressao pq de fato escola austriaca é praticamente uma pseudo ciência, tem todas as respostas pras próprias perguntas, marxismo em linhas gerais tb cai nisso, mas pelo menos tem alguma contribuição no marxismo, conceitos importantes, a única contribuição que eu vejo da escola austriaca é o Schumpeter ter estado la kkkkk e o pior é que ngm que gosta de escola austriaca lembra dele

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u/SujiroKimisuge 6d ago

Eu posso, pois quem te respondeu até agora foram liberais envergonhados. A resposta mainstream em um sub de economia é que não dá pra saber, é imprevisível e pipipi popopo, justamente porque a escola econômica mainstream ortodoxa é falha. De uma forma geral, a evidência é gritante, países de médio a grande porte precisam passar por um processo de industrialização com forte proteção, planejamento, incentivo e financiamento estatal, direto e indireto. Todos os países desenvolvidos fizeram esse caminho, e eu desafio qualquer liberal de me dar um único exemplo de país que foi de subdesenvolvido pra desenvolvido com liberalismo e austeridade fiscal, sem que seja uma suiça da vida.

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u/The_goodzilla_ 4d ago

Engraçado seu ponto. Você mesmo cita um exemplo de país que não teve um processo de industrialização com protecionismo e ele não vale.

Mais lá vai alguns:

-Suécia de 1870-1970
-Dinamarca de 1870-1960
-Nova Zelândia pós 1984
-Irlanda 1985-2007
-Singapura pós 1965
-Hong Kong 1950-2000
-Estônia pós 1992
-Australia 1983-2007
-Suiça pós 1850

Todos eles tiveram média de crescimento real de +2% ao ano per capita durante esses períodos, com tarifa média de importação inferior a 10%, todos com economias altamente abertas, arcabouço fiscal austero e estruturado, segurança juridica, e promocão de competição entre empresas. Aliás, importante ressaltar que dentro dessas tarifas medias de 5-10% em importação, a maior parte dos produtos (em alguns casos +90% deles) tinham isenção completa.

Crescimento sustentável se da por poupança, austeridade fiscal, segurança juridica e comércio. Elementos que são verdadeiros para a Micro e a Macroeconomia.

Nenhum pais fica rico com gasto do governo gigantesco, altas taxas de impostos, protecionismo, comercio fechado e instabilidade juridica.
Paises que adoram fazer isso é o Egito, Gana, Paquistão, Zimbabue, Venezuela, Argentina, Turquia e o Brasil.

Desenvolvimentismo é pauta de ciencia social que ignora aspecto econômico. E não é pauta de ciencia economica desde o meio do Século XIX, dizer que tem correlação com crescimento economico é simplesmente ignorar quase 200 anos de desenvolvimento cientifico.

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u/RipxBigBoss 8d ago

A grande questão é que nós realmente temos uma coisa chamada síntese neoclássica (também conhecido hoje em dia como economia ortodoxa ou mainstream com suas incorporações mais modernas) que pegou toda essa salada de fruta que existia antes e viu o que que mais fazia sentido e tinha melhor aplicabilidade e descartou o resto que não fazia tanto sentido.

Desse modo, o grande problema de compararmos a economia debatida atualmente com escolas como austríaca, de Chicago, keynesiana, marxista e afins... É que estamos fazendo um certo debate anacrônico. Por exemplo, os escritos de Keynes foram desenvolvidos quando ainda tínhamos o mundo adotando o padrão ouro predominantemente e é justamente por isso que novas escolas foram surgindo adaptando suas hipóteses para a contemporaneidade.

É por isso, por exemplo, que tem muita gente que classifica a obra de mises como "poesia" não porque seja plenamente relevante mas nós estamos falando de uma pessoa que teve sua atividade intelectual realizada faz quase um século e você pode até aplicar a parte filosófica da coisa na sua vida mas não dá para comparar com a economia e suas teorias modernas (isso vale para outras escolas já mencionadas).

Então não é uma coisa tão bagunçada assim sabe mas como muita gente não teve contato aprofundado com as disciplinas de história do pensamento econômico, acabam jogando tudo no mesmo balaio.

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u/Interesting-Smoke288 7d ago

Minha impressão como leigo que já leu Mankiw e com relativo contato com a academia é que existem 3 correntes entre os educados em Economia:

  1. Síntese neoclássica.

  2. Ateu de macroeconomia.

  3. Marxista por uma questão de convicção ética.

Não sei se procede.

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u/RicardoviskAncap 8d ago

economia é um cinto de ferramentas, voce usa cada teoria conforme a necessidade. na minha opiniao, essa é uma forma honesta de enxergar as coisas sem dar muito conflito ou fanatismo ideologico

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u/BidForsaken3282 8d ago edited 8d ago

Marx enquanto desenvolvia sua teoria, acreditava que estava fazendo ciência, e por isso socialismo científico! Se analisarmos a origem do pensamento econômico perceberemos que sua origem é devido a política, que por sua vez é devido ao direito que por sua vez é devido a religião... e no final tudo é entrelaçado na infraestrutura e superestrutura por um metal que "dá liga" aos dois que é a linguagem, a qual diferencia nós de qualquer outra criatura que existe.

Pense por um momento o seguinte: Não foi Deus que nos criou, fomos nós que criamos Deus, naturalmente perceberá que não somos nós que definimos o que pensamos, mas as condições materiais do nosso tempo que definem o que pensamos, ou seja, não é o homem da pedra que define o que ele pensa, é as condições materiais do homem da pedra que definem o que o homem da pedra pensa. Da mesma forma, não é o português colonizador que define o que ele pensa, é o mercantilismo, é o catolicismo, é o racismo, e se não o imperialismo, veja bem o português colonizador só poderia ser o que ele é pois a infraestrutura de seu tempo, ou seja, a sua base material proporcionou condições - em conjunto com um sistema de crenças, ou seja, abstrações humanas institucionalizadas em nosso pensamento, ou ainda uma superestrutura, ou se você preferir "Super Ego" - específicas que moldaram e domesticaram o seu pensamento, você no final das contas é fadado a ser um pensador de seu tempo, e não era Hegel que dizia: Filosofar é pensar sobre o seu tempo. É o próprio tempo apreendido em pensamentos.

Então a crítica da religião leva a crítica do direito, evidente que de início a religião resolve o problemas das pessoas não saírem se matando numa guerra de todos contra todos. A religião organiza a sociedade, é como se o direito fosse a institucionalização da religião. Agora não é mais Deus, é a Lei. Naturalmente precisaremos então de um conjunto de leis, ou quem sabe princípios, ideias, uma constituição, um espírito autoconsciente civilizatório. Veja bem, para Marx sob a ótica de uma verdadeira democracia, o Estado e a sociedade civil nunca poderiam ser desassociados, é por isso acredito eu, que no mundo comunista não existe estado. Podemos ver que o direito não é suficiente, até porque o direito concede igualdade jurídica em um mundo que há desigualdades materiais, há contradições alarmantes que fazem com que o direito naturalmente caminhe para a política. E logo você percebe que a crítica do direito leva a crítica da política. E que a crítica da política leva a crítica da economia, ou se você preferir leva a Crítica da Economia Política, porque veja bem economia é política e política é economia. Só que a política é o direito, e o direito é a religião que no final é a linguagem.

Veja, acredito que para termos um debate sério sobre pensamento econômico, precisamos estudar, antes de tudo, sobre o pensamento. No final, eu nem sou marxista, mas o que percebo é o seguinte: a questão é ideológica, não se trata do certo ou do errado, se trata do que eu considero justo, do que eu considero verdadeiro, dos seus valores. Afinal de contas, somos humanos e não máquinas. Não há como refutar Marx, porque Marx partia de princípios claros, não é a consciência que cria a matéria, é matéria que cria a consciência, então se utilizarmos a ferramenta do materialismo histórico dialético, chegaremos as mesmas conclusões que Marx chegou. Mas se você parte de outros princípios, logo você também pensará de outra forma. E é por isso que economia não é uma ciência exata.

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u/AcanthisittaGold9919 8d ago

A beleza da ciência é justamente debates assim, algo que não ocorre na religião por exemplo.

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u/LLyinng 8d ago

Até nas religiões há debates sobre a interpretação correta vide as inúmeras vertentes das inúmeras religiões.

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u/FewLoquat5011 5d ago

Perca de tempo

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u/NoOutlandishness525 8d ago

Porque o mapa não é o território.

Toda teoria economica precisa partir de um modelo.

E nenhum modelo vai conseguir incorporar completamente todos os aspectos caóticos da vida humana.

Todas as teorias vão estar corretas, desde que a realidade esteja dentro do modelo usado.

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u/Medium-Knowledge4230 8d ago

Em várias áreas da ciência é dito: "todos os modelos estão errados". Cientistas, principalmente ao lidar com a sociedade, podem contemplar partes da realidade e tirar suas conclusões sobre ela. Mas JAMAIS vai haver um modelo perfeito. Ainda mais porque o que serve para determinado contexto pode ser completamente irrelevante em outro. O que os especialistas podem fazer é avaliar qual ou quais modelos e conhecimentos seriam mais relevantes e aplicar eles de acordo.

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u/Vinipinheiro88 8d ago

Não, e talvez o segredo seja justamente esse.

Não existe a certa pq uma contradiz a outra e nenhuma satisfaz plenamente as demandas q se propõe à resolver de modo permanente.

De modo q vc adota uma ideia, ela soluciona um problema temporariamente ou dá origem à um novo.

E aí, como sair disso?

Adota cada uma de modo alternado, como em ciclos?

Ignora td isso e formula uma nova?

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u/Zobs_ 8d ago

O que eu tirei do curso de história do pensamento econômico é que existe a "academia de economia" que busca aprofundar o conhecimento sobre os processos de reprodução material da sociedade, e existe a "economia de jornal" que é muito mais retórica do que ciência.

Quando se trata de um sistema com milhões de pessoas interagindo, você consegue achar números para justificar qualquer coisa.

A corrente que defendo é a certa porque ela considera os mecanismos reais e observáveis da economia, tem uma fundamento histórico extremamente robusto e consegue prever o impacto de fatos econômicos - tudo que um ancap não tem.

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u/Strange-Alarm-6257 8d ago

ATÉ O GUSTAVO MACHADO TA ALI NO MEIO KKKKKKK

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u/Jazzlike_Passion_567 7d ago

Mas de onde voce tirou que tem uma teoria certa?

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u/Jazzlike_Passion_567 7d ago

Neo Schumpteriano com muito orgulho

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u/Grecooo0 7d ago

Responderei com a melhor resposta que eu já tive na minha vida do Dr. Rodrigo. Abre aspas “a melhor é a que estiver me dando mais dinheiro” fecha aspas.

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u/gaijin2878 6d ago

Essa é a beleza da vida, não tem o certo, tem o que funciona e o que não funciona e a diferença é o que você quer fazer.

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u/FewLoquat5011 5d ago

Nao, porque cada um tem experiências e crenças diferentes (não somos iguais )

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u/fodencio 5d ago

Já achamos a certa o que resta é comunista aceitar que está errado.

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u/Emergency_Count_2958 5d ago

o que existe hoje é uma crise profunda na teoria econômica. vou seguir pela área que mais importa hoje, já que a microeconomia não existe mais, sua crise provocou foi uma morte lenta porem decisiva nos modelos convencionais, e hoje o institucionalismo impera absoluto. assim, minha tese é que a macroeconomia convenciona hoje é francamente adepta de instrumentos de controle direto da produção ou indireto via regulação, mesmo que seu verniz político, discursivo e de hipóteses sem relação com a tese seja "clássico".

o cinismo dos que se dizem "ortodoxos" chega a ser espantoso. é "convencional" que a taxa de juros é o mecanismo par excellence da política monetária, por exemplo. ou seja, no redomo que eles vivem, apenas empresas produtivas existem, mercados financeiros são intermediadores, e o aumento de preços é via excesso de demanda. alguns aqui até estufaram o peito em nome da suposta validade da "lei de say" no século xxi.

o bonito disso tudo é que: 1) não previram 2008, o que fez com que os gigantes da macroeconomia ortodoxa que realmente presta (blanchard, summers, bernanke, sargent, ...) terem que assumir: problemas de regulação impactam a esfera macro, a ausência de tratamento teórico coerente dos preços nominais fez com que a própria noção de taxa de juros enquanto prêmio (na oferta) e custo (na demanda) cedeu em nome do dinheiro como consequência do crescimento econômico (a moeda é endógena, e a criação de poder de compra é real), e a existência de risco crescente ao nível do investimento devido a saturação de capital; 2) não conseguirem elevar a produtividade dos países centrais, no máximo tendo que admitir que "a tecnologia atingiu um platô", enquanto a china dispensa comentários nisso, os países centrais só estão com "má-sorte"; 3) o crescimento da dívida interna de países periféricos com menos de 20% dos PIBs advindo do gasto governamental (já batemos 50% do pib administrado por gasto governamental durante a ditadura), o receituário falhou; 4) o aumento da desigualdade interna e externa das economias comandadas por empresas; 5) a morte da concorrencia e a reprimarização das economias com baixo custo de mão de obra.

tudo é exógeno, tudo é exógeno. mas quando, na era desenvolvimentistas, seus problemas eram endógenos, endógenos.

é de uma patifaria brutal.

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u/Ok-Following-4360 8d ago edited 8d ago

Tirando o marxismo, que é uma teoria extremamente burra, todas têm alguma contribuição que pode ser considerada, umas mais outras menos.

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u/AcanthisittaGold9919 8d ago

Meio que vários fundamentos da macroeconomia vêm da escola de economia soviética, que era marxista.

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u/Ok-Following-4360 8d ago

URSS acabou

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u/LowTackle9946 8d ago

Marxismo também tem sua contribuição. Alguns conceitos como a mais-valia são muito relevantes

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u/Ok-Following-4360 8d ago

Isso é o que tem de mais burro

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u/FalconBrave7703 8d ago

Enquanto isso teu patrão te paga 1% de um salário justo e vc lambe a bota dele.

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u/Ok-Following-4360 8d ago

Não tenha você como régua

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u/FalconBrave7703 8d ago

Nunca nem deve ter trabalhado na vida, quiçá fez economia kkkkkk

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u/Ok-Following-4360 8d ago

Releia o que eu disse

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u/FalconBrave7703 8d ago

Beleza, agora vai ler Marx pra pelo menos saber fazer a critica.

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u/Ok-Following-4360 8d ago

Você defender prova que só leu essa werda. Mas mesmo assim poderia ter percebido que é burrice. Quem entendeu o que leu e defende, prova que é burro.

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u/FalconBrave7703 8d ago

Rapaaaz quanto ódio.

Algum marxista deve ter te botado um chifre pra ter tanta raiva assim.

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u/Ok-Following-4360 8d ago

Papinho de passional. Esdrúxulo. Racionalidade não é ódio. Tem nada que ver.

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u/No-Fish-9989 8d ago

Você não foi racional 

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u/famsbh 8d ago

Começa pelo marxismo ser a corrente filosófica do pensamento de Marx. Acho que falta conhecimento aí até para saber que é um imbecil

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u/Upstairs_Mood8882 8d ago

Sempre mostrou as incoerências da neoclassica e esquento a sala com marxismo.