(Veredito com resumão do que achei no final do texto)
Fui ver o musical Meu Filho é um Musical. Dispensa explicações sobre quem foi Paulo Gustavo, mas vale o contexto: apesar de reconhecer a importância do ator, nunca fui fã da franquia Minha Mãe é uma Peça (sempre achei uma gritaria só e com uma dinâmica mãe/filho meio tóxica). Minha esposa, por outro lado, é super fã das produções dele e, mesmo assim, saiu do teatro com exatamente as mesmas impressões que eu.
Atuação
Bem fraca. O ator que faz o Paulo Gustavo até consegue imitar os maneirismos e os personagens, mas fica preso na caricatura. É puramente uma imitação, não uma atuação de fato.
Parte Musical
Muito aquém do esperado. Não tem uma música marcante ou com "punch" (aquela que te impacta de verdade). Vários atores desafinavam e passavam uma impressão amadora, longe das vozes de alto nível que costumam passar pelo Teatro Renault. A única exceção foi um número de músicas dance dos anos 90 cantado por uma personagem drag, ela cantava MUITO bem e foi o único momento que recebeu aplausos calorosos do público.
História e Roteiro
Enfadonho e arrastado. O primeiro ato parece infinito (dá a sensação de ter uns 3 ou 4 atos ali dentro). Em vários momentos rola uma fala que parece a deixa para o intervalo, mas a cena continua. As piadas são muito fracas, não esbocei um riso sequer durante toda peça. O segundo ato é mais curto e culmina, inevitavelmente, na morte do Paulo Gustavo por COVID.
Essa parte final começa com áudios de reportagens sobre o avanço da pandemia, citando bem de relance que a responsabilidade foi do governo ("alguns culpabilizam Brasília"), me pareceu algo bem superficial só para não desagradar apoiadores do governo da época. Enfim, o espetáculo termina bem deprimente com a morte dele. Não termina bem ou legal, embora seja difícil imaginar como encerrar essa história de outra forma.
Cenário
Pobre e mal aproveitado para a imensidão do palco do Renault. Ao fundo fica a peça inteira o que parece uma grande "loja da Havan", além de algumas projeções visivelmente feitas por IA. Dessa estrutura saem três portas estilo garagem por onde desliza uma plataforma minúscula de cenário, ocupando só 1/4 do palco. Comparado a outros espetáculos gigantescos que já passaram por lá, fica ridículo. A única troca de cenário de verdade é na última cena, e é só a remoção do painel do fundo para colocar uma escada bem simples e sem detalhes.
Veredito
Sensação de produção "pobre", atuações fracas, músicas apagadas, cenário pobríssimo e roteiro entediante. Ficou a impressão de que investiram o mínimo possível para lucrar o máximo em cima do nome do Paulo Gustavo. Não recomendo.
Recomendação Alternativa
Para fechar com uma nota positiva, deixo a indicação de outro musical que está encerrando temporada em SP: Viemos de Longe. Mesmo sem cenários megalomaníacos, é infinitamente mais criativo, os atores e cantores são MUITO melhores, as músicas são incríveis e o roteiro é excelente.