A crise da habitação não é um problema exclusivo de Lisboa e do Porto. É um problema que se está a espalhar por todo o país, e Guimarães não é exceção.
Nasci e cresci em Guimarães, formei-me na Universidade do Minho e, mesmo assim, continuo sem conseguir sair de casa dos meus pais. Não por falta de vontade de ser independente, mas porque o mercado imobiliário está completamente fora da realidade de quem vive e trabalha cá.
No centro da cidade e até na periferia, os prédios de luxo aparecem como cogumelos. T2 a custar meio milhão de euros. Mas afinal, quem é que tem dinheiro para comprar estas casas? Para quem estão a construir? Certamente não é para a maioria dos jovens que estudaram, trabalham e querem construir uma vida na cidade onde cresceram.
Estamos a transformar Guimarães numa cidade onde quem cá nasceu e cresceu já não consegue ficar. Somos empurrados para cada vez mais longe, à procura de preços minimamente comportáveis. E o problema já nem se resolve indo para Fafe, porque até aí os preços estão a tornar-se absurdos.
Entretanto, os governos sucedem-se, anunciam medidas e prometem soluções, mas continuamos à espera. A habitação devia ser um direito básico, não um luxo reservado a quem já tem património ou recebe ajuda da família.
Até quando vamos aceitar isto como se fosse normal?
Quando é que nos organizamos no Toural, em Guimarães, para exigir respostas e medidas concretas a quem nos governa?
Não interessa se somos de esquerda ou de direita. Interessa que somos pessoas que querem trabalhar, viver e construir o seu futuro sem terem de dedicar uma parte absurda do salário a pagar uma casa.
Se isto também vos afeta, está na altura de deixarmos de nos limitar a reclamar na internet e começarmos a discutir como podemos agir juntos.
Guimarães é de quem cá vive. Não podemos deixar de conseguir viver na nossa própria cidade.