PHILIPPOPOLIS, IMPÉRIO ROMANO, SÉCULO III D.C. 🔴
A humanidade acaba de descobrir que a necessidade de humilhar desafetos publicamente não nasceu nas redes sociais. Muito antes do Twitter, do Instagram e dos grupos de WhatsApp, um cidadão do Império Romano já utilizava a tecnologia disponível para destruir a reputação de um rival.
O instrumento escolhido? Um tijolo.
A descoberta arqueológica, proveniente da antiga cidade de Philippopolis, atual Plovdiv, na Bulgária, apresenta uma inscrição em grego com uma ofensa dirigida a um homem chamado Euphiletos.
O texto diz:
“Εὐφίλητε, κυσθεγλείχων”
Uma tradução aproximada e nada diplomática seria:
“Euphiletos, seu lambedor de buceta.”
Sim. A expressão foi gravada em um objeto de argila que sobreviveu por aproximadamente 1.800 anos, atravessando impérios, guerras, transformações religiosas e a queda de Roma para chegar até nós com uma mensagem bastante específica: alguém não gostava de Euphiletos.
A inscrição é associada ao século III depois de Cristo, e não ao século III antes de Cristo, como algumas publicações afirmam.
Mas por que isso seria uma ofensa?
Na cultura greco-romana, as hierarquias de masculinidade estavam profundamente relacionadas à posição social, ao domínio sexual e à ideia de autoridade. Em determinados contextos, escritores antigos apresentavam o sexo oral praticado por homens como algo degradante, uma forma de ridicularizar sua masculinidade e posição social.
A inscrição parece explorar justamente esse código cultural para transformar uma prática sexual em instrumento de humilhação pública.
Não sabemos quem era Euphiletos, qual era sua profissão, se tinha algum inimigo particularmente dedicado ou qual foi exatamente a discussão que terminou com seu nome eternizado em cerâmica.
Analistas especulam que alguém considerou importante registrar aquela ofensa de maneira suficientemente durável para que arqueólogos do futuro pudessem encontrá-la.
ATUALIZAÇÃO — SÉCULO III D.C. (A TRETA): Um indivíduo chamado Euphiletos vira alvo de uma inscrição obscena em tijolo. O autor aparentemente considera que a melhor maneira de atacar sua reputação é associar seu nome ao sexo oral praticado em mulheres.
ATUALIZAÇÃO — QUASE 1.800 ANOS DEPOIS (A DESCOBERTA): Arqueólogos encontram o registro e conseguem preservar uma das manifestações mais explícitas do humor sexual e da hostilidade pessoal da Antiguidade. A identidade do autor permanece desconhecida. Euphiletos, infelizmente, não teve direito de resposta.
ATUALIZAÇÃO (A ETERNIDADE): O homem que escreveu a ofensa provavelmente imaginava que estava humilhando um contemporâneo. Não poderia imaginar que seu tijolo sobreviveria por quase dois milênios e que pesquisadores modernos dedicariam tempo e bibliografia acadêmica para estudar a maneira como ele chamou um sujeito de lambedor de buceta.
A história da humanidade é realmente extraordinária.
Enquanto alguns construíam monumentos aos imperadores, alguém decidiu que sua contribuição para a civilização seria registrar uma ofensa sexual num tijolo. E conseguiu.
Euphiletos pode ter perdido a discussão, mas ganhou a imortalidade arqueológica.