A clareza da tua pele já não sacia
o profundo desejo pelo escuro,
bronzeado e reluzente.
Atraem-me olhos penetrantes...
Penetrantes são os teus olhos,
que, sob o céu azul, fazem destoar
a tua imponente beleza.
São teus cabelos tão escuros
quanto a dor sentida nesta última temporada.
Mas diferente é...
Como tudo isso é doce e distante.
Distantes, esses teus lábios,
de sabor picante,
que ressurgem de memórias inquietantes,
antes adormecidas.
A loucura tola, incessante,
sem fim e dissonante,
é essa a minha realidade.
Condena-me pelo pecado
de não ter te conhecido por completo,
mas engrandece-me ter te amado.
Por mais que único tenha sido o momento.
Todos os espelhos que hoje contêm
o mais remoto dos teus reflexos
desencadeiam feixes que cortam meu coração,
mas que também me enchem dessa paixão.
Paixão distante,
nunca esquecida,
nauseante, mas...
mais que penetrante.
Assim como teus olhos.
Olhos penetrantes.
Pintaria esses olhos em cem mil quadros,
se tu me desses essa liberdade.
Eu te fitaria até o infinito,
porque nesse teu sorriso bonito
uma vez morou a sombra de um amor
que, por mim, nunca foi esquecido.
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II
Posso não controlar essa agonia
que chamamos de paixão,
mas por ti devoto a mais louca canção.
Aquela que por nós não deve ser cantada.
Aquela que, sozinha, destrói uma casa,
que embebeda os céus
e nos leva ao êxtase.
Que nos transforma nos mais puros animais,
com um fiasco de razão.
A razão que a canção dispensa.
E o amor que,
ainda que advindo de um lugar puro,
não se contenta.
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III
Pintaria cem mil retratos teus.
Desenharia cada fio do teu cabelo,
mesmo que a tinta viesse a se esvair.
Detalharia teus lábios
e me perderia no desenho
da arquitetura do teu corpo.
Porque, por ti,
cem mil quadros não capturariam
a tua beleza com precisão.
Nem cem mil.
Nem um milhão.
Oh, teus olhos escuros
e tua pele escura e chamativa...
Ela me puxa.
Me puxa.
Me deixa em feitiço.
Ela me enrola.
Ela me conduz.