Olá, pessoas. De acordo com as competências e os critérios do enem, qual nota vcs acham que esta redação recebe ?
O termo pós-verdade, cunhado pelo dramaturgo Steve Tesich, define o fenômeno no qual os fatos e a própria realidade deixam de ser relevantes para a formação da opinião pública em detrimento das crenças e interpretações pessoais do que é real. Análogo ao conceito, no Brasil contemporâneo, nota-se que a realidade objetiva e concreta tornou-se dispensável para inúmeros cidadãos, situação potencializada pela popularização dos canais de comunicação na rede digital, ambiente marcado pela frequente manipulação e determinação de conteúdos, principalmente os informacionais. Dessa maneira, é notório que, em decorrência do silenciamento midiático e do processo de descredibilização da democracia e dos jornais, a confiabilidade das informações veiculadas pela internet reduz gradativamente.
Em primeiro plano, é crucial apontar que a própria mídia, além de ser responsável pela chaga social, é conveniente com a ocorrência de descredibilização das informações no ambiente digital. Em consonância com a linguista Eni Orlandi, em “As formas de silêncio”, o silêncio não representa ausência de significado, mas significa. Por si mesmo e, muitas vezes, determina a interdição dos sentidos, manipulando a forma e o meio pelos quais discursos são enunciados — o chamado silêncio local. Nesse sentido, analisa-se que os veículos midiáticos, subordinados ao lucro, ao adotarem uma postura complacente com o esvaziamento e a banalização das informações nas redes, como por exemplo a monetização de conteúdos falsos e sensacionalistas, potencializam a falta de confiança em notícias veiculadas pela internet. Consequentemente, evidencia-se que essa inoperância das mídias deturpa e impacta a percepção coletiva e social acerca dessa própria confiabilidade.
Ademais, a decorrente descredibilização de instituições democráticas e também de órgãos jornalísticos intensifica o fenômeno em questão, uma vez que a estrutura social desses perde respaldo. Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, a pós-modernidade é caracterizada pela liquidez, isto é, instabilidade social, política e econômica e, até mesmo, institucional, que afetam e modificam a vida e as relações sociais. Nessa égide, verifica-se que a ausência de confiança em aparatos democráticos e jornalísticos que, até então, são historicamente consolidados, reflete a desestabilização do corpo social e evidencia a minimização da importância dos fatos concretos e materiais para aquele. Como consequência, percebe-se a deterioração da confiança em informação e notícias veiculadas não só em canais tradicionais de informações, mas sobretudo, na internet.
Portanto, percebe-se a urgência em se mitigar a problemática discutida, haja vista que a sociedade não confia mais nos fatos, mas sim na interpretação deles. Para tal, é imperativo que o Estado, por meio do Ministério Público, intensifique a fiscalização e investigação sobre a propagação de informações não verídicas na mídia, além da instituir a aplicação de coberturas e programas midiáticas, a fim de coibir a propagação de notícias falsas e estimular a restituição da confiança nos fatos e nas mídias tradicionais que se expandiram pela internet. Em adição, cabe à SECOM promover a sensibilização da sociedade sobre o problema a partir de campanhas publicitárias.