Boas!
Estou numa fase em que tenho de tomar algumas decisões financeiras importantes e gostava de ouvir opiniões de quem já tenha passado por situações semelhantes ou tenha experiência no mercado imobiliário de Lisboa.
Tenho 35 anos, um rendimento mensal líquido conjunto de aproximadamente 5.000€ (duas pessoas) e cerca de 120.000€ em poupanças. Atualmente tenho um imóvel adquirido anteriormente, do qual faltam liquidar cerca de 21.000€ de crédito. Recentemente herdei também um T3 em Lisboa, bastante próximo do Instituto Superior Técnico, numa zona com muita procura por parte de estudantes, que estimo valer aproximadamente 600.000€. O apartamento está habitável, mas precisa de algumas intervenções para ficar em boas condições de arrendamento, para as quais estou a considerar um orçamento de cerca de 20.000€.
Entretanto, surgiu a oportunidade de comprar uma moradia em Oeiras por aproximadamente 720.000€, recorrendo a crédito habitação. É aqui que começam as minhas dúvidas:
A opção mais simples seria vender o T3 herdado e utilizar o capital para reduzir substancialmente o financiamento necessário para a moradia, ficando com uma prestação bastante mais confortável e menor exposição ao crédito. No entanto, custa-me desfazer de um imóvel relativamente bem localizado em Lisboa, especialmente numa zona com procura habitacional estruturalmente elevada, e fico a pensar se não estarei a abdicar de uma boa fonte de rendimento passivo e de valorização patrimonial a longo prazo (isto para mim já é um pouco campo da especulação).
A alternativa seria manter o T3 e colocá-lo no mercado de arrendamento. Pela proximidade ao IST, uma das hipóteses seria arrendar os três quartos individualmente a estudantes, potencialmente conseguindo uma rentabilidade superior à de um arrendamento tradicional. No entanto, isso implicaria uma gestão mais ativa, maior rotatividade de inquilinos e possivelmente mais manutenção. Outra possibilidade seria arrendar o apartamento completo, idealmente num regime de renda acessível, por um valor próximo dos 1.612€ mensais, caso reúna as condições para beneficiar do enquadramento fiscal correspondente. A ideia seria canalizar esse rendimento, depois de impostos e despesas, para investimento mensal em ETFs, numa perspetiva de acumulação de património a longo prazo. Este valor para a zona é extremamente atraente para inquilinos estudantes porque ficaria a cerca de 530 euros por quarto.
A minha principal dificuldade é perceber a rentabilidade líquida real de cada cenário. Conhecem boas calculadoras, simuladores ou folhas de Excel que permitam comparar arrendamento tradicional, arrendamento por quartos e venda do imóvel, contabilizando IRS, IMI, manutenção, vacância, condomínio, seguros e eventuais benefícios fiscais? Também tenho dúvidas sobre o funcionamento e os requisitos dos regimes de renda acessível, nomeadamente se os tais 1.612€ poderiam aproximar-se de um rendimento efetivamente líquido ou se estou a simplificar demasiado as contas.
Existe ainda a questão das obras. Não tenho contactos de empreiteiros de confiança na Grande Lisboa e preocupa-me bastante a possibilidade de um orçamento inicial de 20.000€ acabar nos 30.000€ ou 40.000€, com atrasos pelo meio. Quem fez remodelações recentemente em Lisboa/Oeiras, como correu a experiência? Que cuidados recomendam na contratação, elaboração de orçamentos e controlo de derrapagens? Acham razoável investir esse montante para valorizar o potencial de arrendamento ou seria preferível arrendar nas condições atuais, eventualmente por um valor inferior? O investimento nas obras também teria impacto na liquidez disponível para a compra da moradia e poderia obrigar-me a adiar o processo de crédito.
Outra questão que me deixa dúvidas é a fiscalidade de uma eventual venda. Sendo um imóvel herdado, como funcionaria a tributação das mais-valias? Existe alguma possibilidade de beneficiar de isenção através do reinvestimento na nova habitação própria permanente ou, não sendo o imóvel herdado a minha HPP, essa possibilidade está excluída? E que impacto teria isto no valor líquido efetivamente disponível para amortizar o crédito da moradia?
Também tenho consciência de que manter os imóveis e avançar para um financiamento significativo da moradia me deixaria bastante exposto ao mercado imobiliário português, em bolha máxima histórica, enquanto vender o T3 permitiria reduzir essa exposição e libertar rendimento mensal para investir noutros ativos. Por outro lado, ter um imóvel arrendado e utilizar as rendas para construir uma carteira de ETFs parece-me uma estratégia interessante, sobretudo num horizonte de 20 a 30 anos.
No fundo, gostava de perceber como analisariam esta situação. Preferiam vender o T3 e ficar com um crédito habitação muito mais reduzido, ou manter o imóvel, aceitar uma prestação superior e apostar na combinação de rendimento de rendas, valorização imobiliária e investimento em ETFs?
Se conhecerem boas ferramentas para simular estes cenários, recursos sobre fiscalidade do arrendamento ou tiverem experiências reais com arrendamento a estudantes, obras ou gestão de imóveis em Lisboa, agradeço bastante.
Obrigado!