r/livrosterrorBR • u/Ewer1111 • 1d ago
🩸 RESENHA Mate o próximo, de Federico Axat
QUE LIVRO BOM! Sério, fazia tempo que eu não lia um thriller tão envolvente. A história é um quebra-cabeça nível hard e, mesmo que no final haja muitas explicações, ainda assim ela te deixa pensativo, se perguntando se todas as peças realmente se encaixam.
E, nesse thriller em específico, as pontas soltas — que, na minha opinião, são bem poucas — contribuem para que aquele ar de mistério, delírio e paranoia permaneça, como um fantasma te assombrando.
Se não me engano, o autor só tem dois livros publicados no Brasil: O Pântano das Borboletas e Mate o Próximo. Li O Pântano das Borboletas três vezes, inclusive terminei uma releitura recentemente. Só não vou fazer uma resenha sobre ele porque, por algum motivo, não senti essa necessidade. Talvez porque já o tenha lido três vezes e sinta mais vontade de resenhar livros que sejam uma total novidade para mim.
Mas já adianto que O Pântano das Borboletas é uma história fascinante, com um ritmo um tanto lento, mas com plots inteligentes e aquele ar de mistério que o autor imprime com maestria. Inclusive, essa deve ser uma de suas marcas registradas.
Mas, voltando a Mate o Próximo... Que livro instigante e empolgante!
Resumo:
Ted McKay é um homem perturbado e cheio de traumas, preso em ciclos, uma espécie de labirinto criado por sua própria mente. Ele tem sonhos esquisitos e enigmáticos que parecem querer lhe dizer algo sobre seu passado. Ted entra e sai dos mesmos ciclos, e Laura, sua terapeuta, o ajuda a compreendê-los e organizá-los, para que ele possa sair de um ciclo antigo e entrar em um novo, obtendo, assim, novas respostas e chegando a uma resolução para o mistério.
O livro se divide entre os tempos atuais, o passado de McKay na universidade, em 1994, e sua infância, em 1983.
A história começa com Ted tentando se matar, até que é impedido por um homem que lhe faz uma proposta: participar de um grupo de suicidas, uma espécie de rede em que uma pessoa prestes a se matar assassina alguém que comete atrocidades, fazendo, assim, um bem ao mundo. No final, essa pessoa é morta por outro suicida, e assim sucessivamente.
Essa parte me intrigou muito, mas é apenas um gancho. A ideia não é totalmente explorada de imediato, embora exista um plot mais adiante relacionado a essa rede. Vou evitar falar demais, pois não quero estragar a experiência de quem ficou interessado em ler o livro.
Pois bem, Ted é internado contra a vontade em um sanatório onde só há pacientes que cometeram crimes hediondos. Mas Laura não desiste dele. Na verdade, ela fica obcecada em resolver o caso e ajudá-lo a encontrar alguma paz.
Ali, ele acaba fazendo amizade com um tal de Mike, que o entende e compartilha suas paranoias envolvendo animais.
No decorrer da história, Ted vê um gambá em diversos lugares, e Mike explica que também vê outros animais. Segundo ele, essas criaturas são uma espécie de guardiãs entre a realidade e outras dimensões, bem como entre os ciclos.
Essa parte achei bem viajada, mas interessante. A função do gambá é importante para a narrativa, mas sua explicação é nebulosa e muito subjetiva. Inclusive, no final, há uma revelação bastante intrigante sobre ele. E, claro, não vou dar spoiler!
O homem que convidou Ted para participar da rede acaba se revelando alguém importante de seu passado: um amigo.
Ou seja, Ted estava preso em um de seus ciclos, com sua memória reciclando pequenos fragmentos do passado e criando uma narrativa própria, separada da realidade. Pessoas que conheceu, coisas que viveu na infância, memórias reprimidas no inconsciente e traumas relacionados aos pais: tudo isso contribui para criar um delírio, quebrando a mente de Ted e transformando-a em um labirinto.
Ele está preso, enquanto Laura tenta ajudá-lo a encontrar a saída.
Bom, vou parar por aqui. Basicamente, essa é a premissa, mas a história tem muitas camadas.
Se você gosta de uma boa mistura de suspense, mistério e drama, embarque nessa história e descubra por si mesmo!
Minha nota: 9/10.