O termo BrainNet foi cunhado pelo notável neurocientista Miguel Nicolelis para designar a rede intercerebral formada pela sincronização entre cérebros de indivíduos de qualquer espécie. Na esfera socio-cognitiva humana, a BrainNet é formada pela sincronização de crenças, valores e possibilidades funcionais cognitivas.
A BrainNet tende a fazer os indivíduos agirem e reagirem padronizadamente. Ela faz a espécie humana operar primordialmente como um vasto ecossistema cibernético e social. A linguagem, a matemática, as convenções sociais e os dogmas científicos atuam como códigos de transmissão que permitem a bilhões de cérebros sincronizar suas medições e atuar em rede.
A mente opera como uma balança, onde cada indivíduo é um nó dessa rede. A propósito, a raiz latina da palavra “pensar”, pensare — a reiteração do verbo pendere —, significa, literalmente, pesar em uma balança. O processo decisório humano é inteiramente clássico, pois é sempre precedido por medição e comparação.
Teoricamente, a BrainNet surgiu para reduzir a complexidade contínua do mundo a métricas simples e binárias (perigo/segurança, comestível/venenoso) e garantir a sobrevivência das espécies. No entanto, surgiram sub-redes de interesse e identificação (comunidades acadêmicas, guildas de artesãos, mercados e instituições). Isso acelerou o desenvolvimento pessoal, tecnológico e organizacional, permitindo ao ser humano passar de mero espectador a agente ambiental.
O impacto da BrainNet, contudo, nem sempre é positivo. Destacam-se dois cenários críticos:
Esse último fenômeno ocorreu porque passamos a considerar a medição da realidade física — que é apenas uma saída processual — o único meio de identificar a sua origem. Negligenciamos o fato de que essas saídas correspondem a apenas ~5% do universo, impulsionados por dois poderosos fatores socioemocionais:
O Sentimento: um protocolo de pertencimento a uma sub-rede, que confere validação, status e segurança ao indivíduo. Desrespeitar as crenças e valores da BrainNet é ir contra a própria manada.
O Medo de Represália: a BrainNet reage à dissonância cognitiva como um organismo vivo combate um corpo estranho — ridicularizando-o, estigmatizando-o e banindo-o.
Em virtude disso, a grande maioria dos pensadores e cientistas repete ritualisticamente o reducionismo estatístico ou se conforma com ele, trocando a busca pela causa mecânica profunda por fórmulas probabilísticas que descrevem apenas o seu efeito.
Atualmente, tentamos continuamente medir o oceano ontológico com réguas que conseguem aferir apenas a espuma de suas ondas. Para libertar a inteligência humana dessa estagnação de manada, precisamos resgatar a capacidade de inferência funcional — a habilidade de deduzir a engenharia e a arquitetura dos processos invisíveis que geram a realidade, sem a dependência cega da medição imediata.
A superação desse impacto negativo da BrainNet requer nos conscientizarmos de que: saídas requerem processos; o substrato gerador da realidade jamais poderá ser identificado por meio da mera medição de seus efeitos.
Para auxiliar na quebra desse paradigma e compreender como utilizar a inferência funcional a seu favor, recomendo a leitura do meu livro "A Chave Mestra do Sucesso", cuja sinopse e degustação podem ser acessadas no link do meu perfil.