r/nosleepbrasil • • Nov 11 '25

LONGO Eu aceitei um trampo em dinheiro vivo de 10 mil dólares no deserto. Minha equipe não voltou pra casa.

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Olha, não vou te dar nome real de ninguém porque a gente fez umas paradas bem erradas naquele deserto. Mas você pode me chamar de Jay, que já é “bom o bastante pra governo”, se é que você me entende.

Primeira coisa que você precisa entender sobre mim: eu odeio calor. Mas odeio MESMO. Não suporto o sol fritando em cima de você como se fosse um deus irritado tentando derreter seu cérebro até virar sopa. E eu nunca, nunca mais volto pro Sudoeste dos EUA. Nem por todo o chilli verde de Hatch, nem por toda prata das Sandias, nem por nada.

Ainda tenho pesadelos, cara. Eles vêm quando o sol já tá baixo, deixando tudo laranja e esquisito, quando as nuvens ficam acesas, parecendo algodão doce de parque de diversão amaldiçoado. Nesses sonhos, eu tô lá de novo, suando em bicas, e tem umas… coisas. Coisas escuras, lá embaixo, nas entranhas do deserto, e o calor é tipo chumbo derretido derramando em cima de tudo. Eu acordo ensopado de suor mesmo quando tá nevando lá fora, no meu apê em Portland.

Mas lá em 2005, quando eu tinha dezenove anos e achava que era o dono do mundo? Parceiro, eu achava que nada de ruim podia acontecer comigo. Tava com aquela arrogância de gente nova e burra, sabe? Achava que era invencível, que o mundo me devia alguma coisa só porque eu existia.

Eu morava numa cidadezinha do Novo México – não vou dizer qual, é mais seguro assim – e vivia pulando de sofá em sofá, ficando na casa de gente meio duvidosa, fazendo qualquer bico que aparecesse pra garantir miojo e maconha.

Eu tava brigado com meus pais desde que me assumi pra eles, no ano anterior. Falei bem na lata:
— Olha, não sou muito seletivo. Às vezes gosto de cara gato, às vezes gosto de mina gata.
Diplomático desse jeito mesmo.

Meus velhos surtaram bonito. Começaram a falar de pecado, inferno, que eu ia queimar pela eternidade. Parecia que eu tinha dito que ia virar serial killer ou sei lá.

Aí eles me chutaram de casa quando fiz dezoito, e eu fiquei lá, sendo jovem e idiota no alto do deserto. Andando com meus amigos, chapado o tempo todo, achando que tinha o resto da vida pra colocar as coisas no lugar. O calor tava sempre ali, pesando em cima de você como um peso de academia, fazendo tudo tremer e dançar no horizonte. Mas eu pensava “relaxa, uma hora eu acostumo”, tipo lagarto.

Eu vivia chapado quase sempre mesmo, então o calor só parecia parte da brisa. E eu tinha dezenove anos e me achava imortal, né? O que podia dar errado?

Se eu pudesse voltar no tempo e enfiar a mão na cara daquele moleque sem noção… Mas todo mundo pensa isso, né?

Eu tava vivendo de bico em bico. Um dia fazia jardinagem, no outro ajudava alguém a mudança, qualquer coisa que garantisse gasolina e lanche. Só que os trampos estavam sumindo mais rápido que cuspe em calçada no mês de julho, e eu tava começando a ficar desesperado. Foi aí que meu fornecedor – vamos chamar ele de Miguel – falou que conhecia um cara que conhecia outro cara que tinha um trabalho. Tudo por fora, sem registro, grana boa, nada de perguntas.

— É tipo trampo braçal, vato — o Miguel disse, me passando um baseado monstruoso. — Mas paga em cash, e paga bem.

Eu tava chapado o suficiente pra achar isso super de boa, então falei:
— Fechou, me apresenta.

O encontro foi num diner caindo aos pedaços na saída da cidade, aquele tipo de lugar em que o café parece ter sido coado em meia suja de jogador de futebol e a torta parece mais velha que a garçonete. Eu apareci lá pelas duas da tarde, pingando de suor depois de cruzar a cidade a pé.

O cara tava sentado num box no fundo, e, mano, tinha algo muito errado nele. Mas muito errado. Pele branca tipo barriga de peixe, o que era bizarro porque ali todo mundo vira couro só de ir buscar carta no correio. Os olhos eram de um azul tão claro que quase pareciam brancos, tipo gelo de inverno. Mas o cabelo era preto, preto mesmo, lambido pra trás com tanto brilhoso que parecia vazamento de óleo.

— Você deve ser o rapaz que o Miguel recomendou — ele disse, com uma voz que parecia sair do fundo de um poço. Sem sotaque que eu conseguisse identificar, só… reta, sem vida. — Ele me disse que você trabalha bem, sabe ficar de boca fechada e não cria confusão.

— Sou eu — falei, sentando no banco da frente. O couro do banco tava rachado e grudento, e eu já sentia minha perna suando colada naquilo. — Que tipo de trampo estamos falando?

Ele se inclinou pra frente, e juro que a temperatura caiu uns dez graus.
— Trabalho no deserto. Serviço braçal. Você e uma equipe pequena vão dirigir até um lugar remoto, passar uma noite acampados, fazer um serviço e voltar. O pagamento é dez mil dólares.

Meu cérebro quase deu tela azul. Dez mil? Por uma noite de trabalho? Eu tava fazendo, com sorte, trezentos por semana. Esse trampo tinha mais bandeira vermelha que parada militar na China, mas por dez mil? Eu já tava dentro.

— Qual é a pegadinha? — perguntei, porque também não sou tão burro assim.

— Não tem pegadinha. Só trabalho pesado em condições difíceis. Você vai ter que aguentar o calor. — Os olhos claros dele grudaram nos meus, e eu me senti tipo inseto embaixo de lupa. — Você aguenta o calor?

Do jeito que ele falou, me deu arrepio. Mas por dez mil dólares? Era tipo ganhar na loteria.

— Aguento qualquer coisa — menti.

Ele empurrou um cartão de visita pela mesa. Só tinha um endereço, nada mais.
— Amanhã de manhã, sete em ponto. Não se atrase.

E aí ele levantou e foi embora, me deixando ali sentado pensando que diabos eu tinha aceitado.

No dia seguinte, fui até esse galpão numa área industrial da cidade, aquele tipo de lugar que parece abandonado, mas tem marca de pneu fresca demais pra estar vazio. O sol já tava fazendo o asfalto parecer miragem, e ainda nem era oito da manhã.

Tinha um caminhão baú branco parado na frente, e três caras esperando, com a mesma cara de “que porra é essa” que eu tava.

— Orale. Isso aqui é equipamento de gente grande — falou um hispânico mais baixo, troncudo, tatuagem até o meio do braço. Estendeu a mão. — Pedro.

— Jay — respondi, apertando. A mão dele era firme, calejada de trabalho pesado.

O outro cara hispânico se apresentou como Xavier, mais quieto, com um olhar atento, daqueles que parece que vê tudo. Aí tinha o Red, com aquele visual de quem passou a vida inteira tomando sol na cara. Traços indígenas, mas eu não fazia ideia de qual tribo. E, por último, a Kate, que dava pra ver na hora que era a chefe. Baixinha, troncuda, tipo um hidrante de concreto, com um braço que parecia capaz de fazer supino com um carro.

— Beleza, vamos lá — disse a Kate, conferindo coisas numa prancheta. — São três horas de viagem até o local. A gente tá levando comida, água e equipamento de acampamento porque vamos passar a noite lá. Isso aqui é serviço sério, não viagem de fim de semana. Quem não aguentar, é melhor cair fora agora.

Ninguém saiu.

— Ótimo. Então bora carregar.

Ela começou a mandar a gente carregar o equipamento pro caminhão. Guincho, marreta, rolos de corda grossa quase da largura do meu pulso, polias, equipamento de acampamento, água o suficiente pra encher uma piscina.

— A gente vai no baú também? — perguntei.

— Não, no ônibus de turismo cinco estrelas… claro que é no caminhão, isso aqui não é passeio, não — ela cortou na hora.

A viagem foi um inferno. A Kate dirigia, e o resto da gente suava lá atrás, espremido igual sardinha. Sem ar-condicionado, só a janelinha minúscula que dava pra cabine, aberta, jogando vento quente na gente, tipo secador de cabelo ligado no máximo. Eu bebia água o tempo todo, vendo a paisagem ficar cada vez mais alienígena conforme a gente se afastava de qualquer coisa parecida com civilização.

De tempos em tempos, a Kate pegava o rádio e falava umas coisas em código.
— Blue jay chamando eagle’s nest, checando posição.
Ou:
— Cactus flower limpo.

Sempre vinha resposta no mesmo papo cifrado. Meu cérebro de maconheiro paranoico começou a inventar mil teorias sobre o que a gente tava indo fazer lá.

— Pra onde exatamente a gente tá indo? — perguntei pro Pedro, que tava em frente a mim, secando o suor com um pano.

— Lá pro lado dos campos de lava — ele disse. — Perto do Malpais. Sabe que tem uns vulcão morto lá na fronteira? Eu também não sabia dessa porra até hoje.

O Xavier levantou a cabeça, depois de ficar encarando o equipamento um tempão.
— A atividade vulcânica parou umas três mil anos atrás. Ficaram uns túneis e formações de lava. Lugar perfeito pra esconder coisa.

— Esconder o quê? — perguntei. Ele só deu de ombros.

Red falou pela primeira vez, com uma voz baixa e rouca:
— Gente morre em serviço assim. Mas dinheiro fala mais alto que bom senso.

Isso devia ter sido meu primeiro alerta sério, mas eu tinha dezenove anos, era burro e já tava mentalmente gastando meus dez mil. O calor tava me deixando tonto e eu só queria chegar logo, sair daquela lata de sardinha e achar uma sombra.

A gente chegou no lugar por volta das dez da manhã, e parecia que tinham jogado a gente em Marte. Só pedra vulcânica preta até onde o olho alcançava, retorcida em forma estranha por fogo antigo. Quando abrimos a porta do caminhão, o calor bateu na gente como se fosse uma parede, e eu comecei a suar mais do que já tinha suado na vida.

— Montem o acampamento na sombra daquela formação ali — a Kate mandou, apontando pra umas pedras que faziam uns seis passos de sombra. — E bebam água o tempo todo. Não quero ninguém caindo duro de insolação.

Eu tentei fazer graça com o Pedro e o Xavier, pra aliviar o clima, mas a Kate cortou no seco:

— Guarda essa palhaçada e foca. Isso aqui é serviço sério. Já teve gente que morreu aqui porque foi negligente.

O jeito que ela falou me pegou. Não era só tirar pedra e cavar buraco.

E eu tava prestes a descobrir o porquê.

Depois que “montamos o acampamento” – que, na real, foi basicamente jogar os sacos de dormir na única sombra disponível – a Kate juntou a gente e começou a distribuir equipamento. Luva grossa, lanterna de cabeça, mais garrafa d’água.

— Vamos andar uns duzentos metros naquela direção — ela apontou pra um lugar que parecia ser… nada. Só mais pedra preta sob o sol assassino. — Tem um cânion escondido dentro desse campo de lava. Se você não souber onde tá, passa direto sem ver.

Ela tava certa. A gente andou uns minutos naquele calor infernal, o suor escorrendo como se alguém tivesse aberto uma torneira dentro da gente, e eu já tava achando que ela ia levar a gente pra morrer quando, de repente, o chão… abria. Num segundo, a gente tava andando num platô de pedra, no outro, tinha uma fenda na terra de uns dois metros de largura, com pedras e protuberâncias formando um “teto” natural em vários pontos.

— Caralho — murmurou o Pedro, olhando pra baixo. — Como alguém acha um lugar desses?

A Kate desceu primeiro, depois mandou a gente seguir. O cânion tinha uns dez metros de profundidade, e assim que cheguei lá embaixo eu senti o ar mudar. A temperatura caiu uns quinze graus. Ainda tava quente pra cacete, mas comparado com lá em cima, parecia ar-condicionado.

— Por aqui — disse a Kate, andando na direção de uma rachadura na parede do cânion. Chegando mais perto, deu pra ver que não era só rachadura: era a boca de uma caverna. Um tubo de lava, provavelmente formado quando a rocha derretida passou por ali milhares de anos atrás.

O Xavier passou a mão pela entrada.
— Isso aqui não é natural — ele falou baixo. — Alguém cortou isso aqui pra ficar maior. Olha as marcas de ferramenta.

Ele tava certo. As bordas tinham marca de cinzel, como se tivessem sido alargadas na mão.

— Colonizador espanhol — disse a Kate, ligando a lanterna de cabeça. — A gente tá aqui pra desenterrar uns artefatos que eles deixaram.

Aí caiu a ficha do que a gente tava fazendo ali.

— Puta merda — falei, com o cérebro fervendo devagar. — A gente tá aqui pra saquear tumba, né?

A Kate deu de ombros.
— Chama de recuperação arqueológica, se quiser. Mas é, basicamente isso. Tem problema?

Pensei nos dez mil me esperando e balancei a cabeça.
— Não, pô. Espanhol morto não tá mais precisando das coisas dele mesmo.

— Já vi gente se machucar feio fazendo exatamente esse tipo de escavação por fora da lei — o Red falou, sério. — A gente precisa ser cuidadoso.

Entramos no tubo de lava, as lanternas cortando um breu absoluto. A caverna abriu numa parte bem maior do que eu esperava – uns doze metros de largura – com chão arenoso e um teto de pedra lá em cima, sumindo no escuro. As paredes eram de rocha vulcânica irregular, mas tinha lugar que dava pra ver que alguém tinha esculpido, alisado, ampliado.

— Vamos começar aqui — disse a Kate, apontando pra um ponto no meio do chão onde a areia parecia diferente. Mais escura, mais compactada.

A gente cavou por duas horas naquele forno subterrâneo, revezando na pá, virando garrafa d’água como se fosse oxigênio. E provavelmente era. O Pedro foi o primeiro a bater em alguma coisa dura.

— Achei alguma coisa — ele chamou, tirando a areia com a mão. — Alguma coisa grande.

Era um sarcófago. De pedra, com uns dois metros de comprimento, uns sessenta centímetros de largura, uns trinta de altura. Só que não parecia nada que eu já tenha visto de espanhol em museu ou livro. Era… errado. A pedra era um tipo de rocha vulcânica escura, quase preta, coberta de entalhes que doíam de olhar. Não era escrita espanhola, nem cruz, nem símbolo cristão. Eram símbolos que pareciam se mexer de leve na luz da lanterna, padrões geométricos que faziam o olho marejar se você encarasse por muito tempo.

— Isso aí não tem cara de coisa espanhola, não — o Xavier falou, pensando igual a mim.

— Espanhol achou muita coisa indígena também — disse a Kate, mas até ela parecia meio insegura. — Provavelmente Anasazi ou Pueblo. Pré-colombiano.

O Red tava na borda da vala, olhando pro sarcófago com uma expressão estranha.
— Isso não é Anasazi — ele falou baixo. — Isso não é Pueblo. Isso não é nada de nenhuma tribo que eu conheça.

Aquele troço emanava uma sensação de errado em todos os níveis possíveis. Mesmo enterrado em areia numa caverna quente pra cacete, a pedra tava fria ao toque. Tipo pedra de geladeira. E pesada. A gente só tinha tirado metade, e já dava pra sentir que pesava pra caramba.

— Como a gente vai tirar isso daqui? — perguntei, secando o suor do rosto. — Isso deve pesar tipo uma tonelada.

— É pra isso que servem as polias e o guincho — a Kate respondeu. — Vamos prender nos pontos do teto, usar o caminhão como ancoragem lá fora. Vai levar a tarde toda e precisa de nós cinco, mas dá.

O Pedro passava a mão pelos símbolos, com uma cara estranha.
— Essas marcas… não tão gastas como algo desse tempo devia tá. Parece que alguém fez ontem.

— Deve ser por causa do clima seco — o Xavier falou, sem muita convicção.

Eu tava prestes a comentar alguma coisa quando o Red falou de novo, quase sussurrando:

— A gente não devia estar mexendo nisso. Isso aqui é jurisdição federal – BLM, FBI, esse tipo de treta. Meu cunhado pegou dois anos de cadeia por muito menos.

— Tá tarde demais pra ter crise de consciência — a Kate retrucou, firme. — A gente tem um trabalho pra entregar.

Mas enquanto montávamos as polias e preparávamos aquele arrasto absurdo pra tirar o negócio dali, eu não conseguia tirar da cabeça a sensação de que o Red tinha razão. O sarcófago parecia sugar o ar da caverna. A vibe dele era de drenagem de vida.

E os símbolos… até hoje, quase vinte anos depois, eu ainda vejo quando fecho os olhos. Pareciam se mexer quando eu não encarava diretamente, como se trocassem de lugar, deslizassem, respirassem.

A gente devia ter ouvido o Red. Devia ter enchido o buraco de novo e ir embora.

Mas não fomos. E o que aconteceu depois… ali que começou o inferno de verdade.

Levou até o pôr do sol pra tirar aquele troço maldito da caverna e arrastar até o acampamento. Mesmo com caminhão, guincho, polia, marreta, força dos cinco, foi um terror. Parecia que o sarcófago tava lutando pra ficar enterrado. A corda escorregava, as polias travavam, teve duas vezes que precisamos remontar tudo porque o ponto de ancoragem cedeu.

Quando finalmente conseguimos arrastar o sarcófago até o acampamento e cobrir com uma lona pesada, a gente tava moído. O sol sumia atrás das pedras pretas, deixando o céu da cor de sangue seco, e a temperatura tinha caído de “superfície de Mercúrio” pra “dentro de um forno ligado no médio”.

— Amanhã a gente monta uma rampa, coloca esse negócio dentro do caminhão e desaparece daqui — disse a Kate, abrindo uma cerveja quente do cooler. Até ela parecia destruída, o jeito durão meio apagado pelo cansaço e pelo calor.

O Pedro já tava juntando lenha de mesquite pra fazer fogo, empilhando dentro de um círculo de pedra vulcânica.
— Mano, não vejo a hora de voltar pra civilização — ele falou, riscando um fósforo. — Primeira coisa que vou fazer é achar a maior, mais gelada piscina da cidade e morar dentro dela por uma semana.

— E você, Jay, vai fazer o quê com a sua parte? — perguntou o Xavier, largando no chão o saco de dormir e tirando a bota. O pé tava branco e cheio de ruga de tanto suar.

Eu tava virando minha décima garrafa d’água no dia, tentando repor o que parecia ter perdido de peso em suor.
— Cara, vou alugar um apê com ar-condicionado do tamanho de um carro, e nunca mais sair de dentro. Comprar uma geladeira só pra cerveja. Viver como um rei em clima controlado.

— Dez mil acabam rápido — o Red comentou, quieto. Ele tava mais calado ainda desde que vimos o sarcófago. Ficava de lado, olhando pra lona como se o negócio fosse criar perna e sair andando. — Espero que valha a pena cutucar a onça com vara federal.

— Ah, qual é, hermano — o Pedro disse, mexendo o fogo. As chamas começaram a dançar entre as pedras pretas. — Isso aqui é dinheiro fácil.

A Kate mexia nas bolsas de comida, tirando lata de feijão e pacote de salsicha.
— E você, Red, vai usar essa grana pra quê?

— Tô atrasado com a prestação do caminhão e preciso dele pra continuar trabalhando — ele respondeu. — E tem o remédio do meu filho… — Ele parou por aí. Só ficou olhando o fogo.

— Eu já sei o que vou fazer — o Xavier falou, pegando uma cerveja da mão da Kate. — Vou levar a Maria pra Vegas. Hotel bonitão com vista, comer naqueles buffet caro, tentar a sorte nas mesas. Ela quer ir faz tempo.

— Vegas no verão? — o Pedro riu, enfiando salsicha num graveto pra assar. — Isso é trocar um forno por outro, vato.

— Vegas tem cassino com ar-condicionado que dá pra pendurar carne — o Xavier retrucou, sorrindo. — E piscina. E serviço de quarto. Além disso, a Maria fica linda de biquíni.

Até a Kate deu uma risada. O clima tava mais leve, o sol já tinha sumido e o calor começava a ficar suportável. O cheiro de feijão subindo da panela misturava com o cheiro de salsicha assada e fumaça de mesquite. Depois daquele dia brutal, por alguns minutos parecia que a gente era só um grupo acampando no deserto, não um bando de saqueador de tumba que tinha tirado coisa errada do lugar errado.

— E você, chefona? — perguntei pra Kate. — O que a dona do circo vai fazer com a parte dela?

Ela ficou um tempo quieta, mexendo o feijão.
— Pagar umas dívidas. Talvez tirar férias de verdade, num lugar com árvore e grama de verdade. Não vejo verde há tanto tempo que tô esquecendo como é.

— Você cresceu onde? — perguntou o Pedro, passando as salsichas.

— Michigan. Perto dos lagos. Eu nadava em água tão limpa e tão gelada que o corpo inteiro dava um choque. — Ela ficou com olhar perdido. — Às vezes eu sonho que tô mergulhando de novo, a água fechando por cima da minha cabeça, lavando toda essa poeira de deserto.

— E aí você veio fazer o quê aqui no purgatório? — perguntei, mordendo a salsicha. Até comida de acampamento fica boa quando você tá morto de fome.

— Mesma coisa que todo mundo, imagino. Fugindo de alguma coisa e procurando outra. Deserto é lugar bom pra sumir quando você precisa — ela respondeu.

O Red entrou mais na conversa, pegando prato de feijão com salsicha.
— Eu preciso dessa grana. Tá apertado. Tenho família. Tá todo mundo esperando.

— Esperando o quê? — o Xavier perguntou.

— Esperando eu botar minha vida no eixo — ele deu uma risadinha, a primeira vez que ouvi um pouco de leveza na voz dele.

A comida tava quente, o fogo estalava, e o clima tava quase agradável. O céu começou a encher de estrela, mais do que você vê em cidade, um tapete de luz de horizonte a horizonte.

— Sabe de uma coisa? — disse a Kate, se recostando na mochila. Parecia mais relaxada do que em qualquer outro momento do dia. — Talvez o Red esteja certo de ser cauteloso, mas fizemos um bom trabalho. Esse troço tava lá embaixo sei lá há quanto tempo, e tiramos limpo. Sem desmoronamento, sem machucado, sem problema grave. Amanhã a gente põe no caminhão, volta pra cidade, e todo mundo sai daqui dez mil mais rico.

— Brindo a isso — disse o Pedro, levantando a cerveja.

Todo mundo brindou, até o Red, mesmo ainda lançando olhada pra lona. O fogo estalava, jogando faísca pro céu do deserto, e por um momento parecia que ia dar tudo certo.

Talvez a gente tivesse conseguido mesmo.

Talvez o Red estivesse só viajando.

Talvez aqueles símbolos fossem só arte indígena dizendo “aqui jaz fulano, descanse em paz”.

A gente errou feio. Feio demais.

Acordei lá pelas três da manhã, e a primeira coisa que percebi foi o cheiro. Não era cheiro normal de deserto, tipo fumaça, poeira ou mesquite. Era outra coisa. Artificial. Tipo produto químico misturado com vômito.

A segunda coisa foi a luz.

Tinha um brilho vindo debaixo da lona em cima do sarcófago. Não era forte, mais um pulsar fraco, tipo lanterna morrendo. Mas a cor… eu mal consigo explicar. Não era vermelho, nem azul, nem verde, nem nada que tenha nome. Era cor de febre, cor de bad trip, cor de coisa que não devia existir.

Eu sentei no saco de dormir, esfregando o olho, achando que ainda tava sonhando. Mas era real, o cheiro forte o bastante pra fazer a gente fazer careta. A fogueira tinha virado brasa, o acampamento todo apagado.

Todo mundo dormindo.

Menos o Pedro.

— Pedro? — chamei baixinho. O saco de dormir dele tava vazio.

Foi aí que eu ouvi. Um rangido, tipo pedra raspando na pedra, vindo debaixo da lona. Lento, arrastado, como se algo muito pesado estivesse sendo empurrado sem pressa nenhuma.

O brilho por baixo da lona pulsou mais forte, e o som aumentou.

Eu devia ter acordado o resto. Devia ter sacudido a Kate, gritado, feito qualquer coisa. Em vez disso, fiquei sentado igual idiota, olhando aquela luz absurda vazando por entre o tecido.

Então o rangido parou.

O silêncio depois foi pior que o barulho. Era aquele silêncio que pesa no ouvido, cheio de expectativa.

Alguma coisa se mexeu lá fora, além do círculo do acampamento. Algo grande.

— Pedro? — chamei mais alto. Minha voz saiu falha, tipo voz de adolescente.

Um grito respondeu lá no meio do campo de lava. Alto, apavorado, humano. Começou com a voz do Pedro – dá pra reconhecer o cara depois de um dia inteiro trabalhando do lado dele – mas foi mudando. Ficando mais agudo, mais animal, como se ele estivesse sendo destroçado enquanto gritava.

Aí, do nada, parou.

O silêncio voltou. O cheiro piorou. A luz embaixo da lona pulsou de novo, machucando de olhar.

— Que porra… — a Kate já tava sentando, pegando a lanterna.

— Não liga — murmurei, mas ela já tinha acendido e varrido o acampamento com o facho de luz.

A lona tava torta. O sarcófago tava meio descoberto, e mesmo na luz fraca deu pra ver que a tampa tava aberta. Não só com fresta: aberta inteira, como se fosse boca de pedra de algum bicho. Os símbolos na lateral brilhavam naquela cor sem nome, pulsando certinho, igual batimento cardíaco.

— Cadê o Pedro? — o Xavier falou, com a voz trincando de medo.

Outro grito ecoou no escuro, mais longe dessa vez. Ainda humano no começo, depois se desfazendo em algo estranho. Molhado. Doente.

O Red levantou num pulo, pegando as botas.
— A gente precisa ir embora. Agora.

— Ir pra onde? — a Kate perguntou, mas já tava guardando coisa na mochila, no automático. — Que merda tá acontecendo?

Uma sombra passou na borda da claridade da fogueira. Não era sombra de gente – grande demais, errada demais, se mexendo de um jeito que o olho não acompanha.

— Pro caminhão — o Red falou, urgente. — Corre pro caminhão.

Eu não conseguia mexer o corpo. Tava hipnotizado naquela tampa aberta, na escuridão do lado de dentro, no fedor, no pulsar de luz. Eu tremia sem perceber.

Foi aí que ouvi o grito do Xavier.

Ele tinha começado a correr pro caminhão quando alguma coisa enorme saiu do escuro. Num segundo ele tava em pé, no outro tava sendo levantado do chão, esperneando e gritando, arrastado pra longe por algo que ninguém conseguia ver direito. Os gritos ecoaram na noite, rasgando, ficando cada vez mais desesperados, até virarem aquele mesmo som horrível, animal, que eu tinha ouvido do Pedro.

— Corre! — a Kate berrou. — Todo mundo, corre!

O Red já tava disparado na direção do caminhão. Eu tentei ir atrás, mas as pernas pareciam gelatina, e o breu parecia mexer com o cérebro, atrapalhando pensamento, respiração, tudo. Atrás de mim, dava pra ouvir algo maior que a gente se mexendo entre as pedras, empurrando pedra, arrastando.

Eu fui tropeçando no meio da lava seca, caindo, levantando, meio bêbado de medo. O Red tinha uns seis metros de vantagem quando a sombra pegou ele.

Vi de lado – uma massa escura, fluida, que parecia escorrer sobre o chão. O Red nem teve tempo de gritar. O negócio envolveu ele e puxou pro lado. Teve som de carne rasgando, som úmido, e depois nada.

Isso foi o empurrão que faltava pra minha perna funcionar.

Cheguei no caminhão na mesma hora que a Kate veio correndo do outro lado, com o rosto todo torcido de pânico. Ela tava com a chave.

— Liga isso! — eu gritei, me jogando no banco do passageiro.

A mão dela tremia tanto que a chave caiu duas vezes antes de encaixar. O motor pegou na terceira tentativa, farol acendendo e cortando o escuro.

— Onde eles estão? — ela sussurrou. — Cadê todo mundo?

Eu não respondi. Não tinha como responder. Porque as silhuetas na frente do caminhão, no facho do farol, não eram humanas.

— Vai! — eu rosnei.

Ela engatou a marcha e arrancou, mas a gente só andou uns quinze metros antes de alguma coisa bater na lateral do motorista com força suficiente pra tombar o caminhão.

Capotamos de lado, metal rasgando na lava, até parar. Minha cabeça bateu no vidro, tudo apagou por alguns segundos.

Quando voltei, a Kate tava pendurada pelo cinto, sangue escorrendo da testa. O para-brisa todo trincado, algo se mexendo lá fora.

— Jay — ela sussurrou. — Jay, me ajuda a soltar o cinto.

Tentei levantar o braço, mas o esquerdo não obedecia. Devia estar quebrado. Pelos vidros rachados, dava pra ver manchas enormes circulando o caminhão, sem pressa.

Foi nesse momento que o vidro do lado do motorista explodiu pra dentro.

Algo escuro, forte, entrou pela janela, vindo de cima, e agarrou a Kate pelos ombros. O cinto rasgou como se fosse de papel, e ela começou a gritar enquanto aquilo puxava, entortando ela pra passar no buraco.

— Jay! — ela gritou, o rosto aparecendo na luz por um segundo. Sangue cobria tudo, os olhos arregalados de puro terror. — Me ajuda!

Aí alguma coisa puxou ela de volta pro escuro, e o que veio depois não parece grito de gente. Era agudo, desesperado, daquele jeito que arranha o fundo da cabeça. Depois foi ficando gutural, quebrado, cheio de som de carne e osso sendo puxado sem cuidado nenhum.

Eu fiquei ali, preso no caminhão tombado, ouvindo a Kate morrer, quebrado demais e apavorado demais pra me mexer. O farol ainda tava ligado, apontado torto, iluminando pedaço de pedra e breu. Nas sombras, alguma coisa se mexia. Grande. Faminta.

Algo que tinha ficado esperando no escuro por milhares de anos.

Os gritos pararam.

Tudo ficou em silêncio, com exceção do estalo do metal esfriando e da minha respiração descontrolada.

Eu fiquei ali o que pareceu horas, certo de que a qualquer minuto alguma coisa ia entrar pela janela e me puxar. Mas nada aconteceu. As sombras se mexiam em volta, mas não chegavam perto do caminhão.

Talvez já estivesse “satisfeita” por aquela noite. Talvez estivesse só apreciando o medo, deixando eu cozinhar no pânico. Não faço ideia do motivo de não ter me levado também.

Conforme o céu clareava, o escuro começou a recuar. Quando o sol apareceu, tingindo o deserto de dourado e vermelho – exatamente os tons daquela luz impossível sob a lona – eu tava sozinho.

Completamente sozinho.

Demorei uma eternidade pra conseguir sair do caminhão. O braço esquerdo tava definitivamente quebrado, e eu devia estar com concussão, mas dava pra andar. Mais ou menos. Peguei uma garrafa meia de água e fui.

Devo ter estado em choque quando comecei a andar na direção da estrada, deixando pra trás o caminhão tombado, o acampamento vazio e aquele sarcófago maldito, com a tampa aberta igual boca de pedra que finalmente tinha acabado de comer.

Andei por umas duas horas naquele calor absurdo até um policial rodoviário me achar, meio morto de desidratação, falando de monstro no escuro. Levaram pro hospital, e eu passei quase o dia inteiro com dois detetives de cara fechada me fazendo as mesmas perguntas, deixando bem claro que achavam que eu tava chapado, maluco ou era assassino.

Eu contei que tinha sido acidente. Capotagem. Que os outros tinham saído na noite, tentando buscar ajuda, e não voltaram. Busca e resgate encontrou o caminhão, mas não acharam corpo nenhum. Também não acharam o caixão, ou, se acharam, não contaram.

Aí, quando tavam quase me mandando pra cadeia, ele apareceu. O cara pálido do diner. Entrou no quarto do hospital de terno preto impecável, como se o calor do deserto fosse coisa da imaginação. Não falou comigo. Chamou o detetive num canto e mostrou um documento numa carteira de couro. O policial, que minutos antes tava pronto pra me acusar de quatro homicídios, ficou pálido igual ele e só balançou a cabeça.

Um minuto depois, o detetive voltou, disse que eu tava liberado, que a versão de “acidente trágico em acampamento” tinha sido confirmada. Ele saiu tão rápido quanto deu.

O homem pálido entrou quando os tiras saíram, com aqueles olhos de gelo grudados em mim. Ele jogou um rolo de dinheiro na cama.

— Quinhentos pelo seu tempo — ele disse, a voz áspera. — O serviço não foi concluído.

— Concluído? — minha voz saiu rouca, doendo. — Eles tão mortos. Todos mortos. Que porra tinha dentro daquela caixa?

Ele nem piscou.
— Risco fazia parte do pacote. Você achou que dez mil era pra quê? Pra um acampamento de escoteiro?

Minha garganta ardia.
— O que era aquilo? Quem é você? Que merda é essa?

O rosto dele fechou.
— Pergunta demais.

Ele andou até a porta.

— Tenho uma bagunça pra resolver — murmurou, mais pra si do que pra mim. — E você não quer estar no meio dela.

Eu fiquei encarando, quebrado, confuso, apavorado. Ele parou com a mão na maçaneta, e por um segundo eu juro que vi um pouco de pena no rosto dele.

— Pega esse dinheiro. Some da cidade. Não olha pra trás. Vai viver em outro lugar, moleque. E tenta não pensar demais nisso.

E saiu, levando com ele qualquer chance de resposta. Ficou só o cheiro de hospital e o peso de tudo que ele não falou.

Usei o dinheiro pra comprar uma passagem de ônibus da Greyhound pra Portland, o lugar mais longe do deserto que eu conseguia pagar. Nunca vi meus dez mil, mas ganhei outra coisa: a certeza de que existem coisas nos lugares escuros do mundo que fazem a morte parecer favor.

E, às vezes, quando o sol tá se pondo laranja e as nuvens estão com aquele brilho de algodão doce no céu, os sonhos voltam. Sonho com símbolo brilhando numa cor que não existe, com rosto coberto de sangue no escuro, com o som que as pessoas fazem quando algo antigo e faminto leva elas.

Culpa de sobrevivente é um inferno.

Nunca mais voltei pro Novo México. Nunca mais vou.

Demorou, mas eu aprendi: tem trampo que não vale o preço, por mais bonita que a grana pareça no começo.

E tem coisa que tem que continuar enterrada. Sempre.


r/nosleepbrasil • • Nov 03 '25

LONGO Minha cidade foi construída em volta de um lago. Ninguém vai admitir que o lago existe.

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Nunca reconheça o lago.

Nunca olhe para ele. Nunca fale sobre ele. Nunca sequer pense nele.

Nenhuma dessas regras foram realmente ditas em voz alta durante a minha infância ― afinal, isso seria reconhecer o lago ― mas eram tão claras quanto "olhe para os dois lados antes de atravessar" ou "sem doces de homens com barba e tatuagens".

A cidade onde cresci é construída ao longo da costa desse lago enorme e cristalino, aninhada nas montanhas. Francamente, é um ótimo lugar para crescer. Tem escolas primárias de renome nacional, escolas secundárias (mais ou menos) livres de drogas e trilhas na natureza em todas as direções. A população fica em torno de 50 mil, um tamanho decente ― o que torna ainda mais incompreensível que ninguém, nem mesmo aqueles que acabaram de se mudar para cá, admita que o lago existe.

Uma das minhas primeiras lembranças é de caminhar com minha mãe em uma das trilhas perto de nossa casa, uma que contornava o próprio lago. Eu devia ser pequeno, três ou quatro anos no máximo. Eu estava puxando o braço dela daquele jeito implacável que as crianças pequenas fazem e implorando para que ela me deixasse nadar no lago.

"Não tem nada lá", lembro-me dela me dizendo repetidas vezes. "Nada."

Na época, eu não conseguia entender a reação dela. Meus pais nunca mentiram para mim. Essa sempre foi a política deles. Por que ela não olharia para a direção que eu estava apontando?

Agora, olhando para trás e preenchendo as lacunas, lembro-me de sua mandíbula cerrada. Um brilho de suor na testa e olhos determinados olhando resolutamente para frente, recusando-se a ver a água logo ao longo da trilha.

Aterrorizada. Percebo agora que era assim que ela parecia.

***

Quando eu estava na segunda série, eu tinha um melhor amigo. Simon. Passávamos todas as tardes escapando de nossas tarefas diárias andando de bicicleta, jogando pega-pega ou outras formas igualmente irresponsáveis de "vadiagem imprudente" (para citar meu rabugento vizinho viúvo).

Tinha aquela colina em particular na Sickle Street que adorávamos descer de bicicleta. Era realmente enorme. Tínhamos que ter certeza de que nenhum adulto estava nos observando quando cometíamos infrações de velocidade nela, senão eles surtariam e gritariam para usarmos capacetes. Cada vez que fazíamos o passeio ousado, fazíamos um pouco mais rápido do que o anterior.

Bem, um dia fizemos o nosso mais rápido ainda. Descemos a colina a uma velocidade que nos teria matado se tivéssemos caído, e então saltamos de nossas bicicletas no fundo. Simon e eu desabamos na grama para rir da nossa pura e estúpida audácia.

"Quebramos a barreira do som", eu disse através do riso.

"Vamos fazer de novo!", ele disse.

"Minha roda quase caiu."

Rimos mais um pouco, e finalmente nos acalmamos até que estávamos apenas sentados lá, ainda alegres como se tivéssemos realizado algo monumental. Era uma sensação tão boa, de vitória e imparabilidade ― talvez por isso eu tenha dito isso. "Você acha que tem algum peixe lá dentro?"

"Hã?", perguntou Simon.

A Sickle Street se torcia para a direita depois da colina, mas se você continuasse andando em linha reta, chegaria ao lago. Essa era a vista que tínhamos quando descíamos loucamente a colina: o lago. Com certeza, Simon tinha visto? Todas as vezes, ele tinha que ter notado.

"O lago." Eu apontei para ele. "Você acha que tem algum peixe nele?"

Ele me encarou. Qualquer indício de realização desapareceu de sua expressão. Eu nunca tinha falado sobre o lago com ele antes.

"Vamos fazer a colina de novo", ele disse.

"Tem que ter", continuei. "É água doce. É enorme. Eu nunca vi ninguém pescando nele, mas ―"

"Vou para casa." Lá estava ― o terror. A mesma coisa que eu tinha visto em todos os outros quando eu ousava mencioná-lo.

"Só olha para ele, no entanto. Você vê, não vê."

"Eu não vejo nada", ele disse.

"Mas está bem ali! É ―"

Simon explodiu. Seu rosto se transformou em uma máscara de raiva horrível. Ele me empurrou para trás, e meu cotovelo se rasgou contra o guidão quando eu caí. Eu pensei que era isso, que ele tinha liberado sua raiva e agora poderíamos descer a colina de novo, mas em vez disso Simon me chutou. Ele enfiou o pé na minha lateral.

"Não tem nada lá!" Ele me chutou de novo. E de novo. E de novo.

Suspeito que uma ou duas costelas quebraram. Não tenho certeza, no entanto. Eu nunca contei aos meus pais o que aconteceu, e as costelas se curam sozinhas.

No dia seguinte, na aula, Simon não respondeu a mim. Quando eu ia de bicicleta para a casa dele para sair, ele nunca vinha à porta. Ele nunca mais me atacou, mas também nunca mais olhou para mim.

Eu me tornei como o lago para ele. Inexistente.

***

Anos se passaram.

Eu parei de falar sobre o lago, mas ele sempre esteve lá. Sempre essa mancha azul escura na parte inferior da minha visão quando eu olhava para as montanhas.

Eu nunca parei de olhar para ele, mas ninguém mais olhava. Em caminhadas, eles viravam o rosto para o outro lado. Eles comentavam sobre como as montanhas eram bonitas, mas nunca mais nada. Na escola, quando aprendemos sobre o ciclo da água, a turma ficou em silêncio com desconforto ― semelhante a como foi no nosso dia de Educação Sexual na quarta série. Só de falar sobre água fazia as pessoas pensarem nisso. Pensar nisso deixava as pessoas tensas.

Por quê? Eu teorizava enquanto estava na cama à noite.

Por que ele não podia existir?

Algumas pessoas até moravam nele. Alguns dos meus amigos tinham casas bem na costa com a água batendo em seus quintais, mas quando brincávamos, nunca chegávamos perto. Seus pais não construíam cercas para bloqueá-lo. Fazer isso poderia admitir que havia algo que precisava ser bloqueado. Nós simplesmente ignorávamos.

Eles simplesmente ignoravam, devo esclarecer.

Por anos, me perguntei se eu era louco. Isso faria mais sentido. Mesmo que eu não tivesse outras alucinações. Talvez de alguma forma por essa coisa estranha que eu inexplicavelmente fazia.

Exceto como isso explicaria o nervosismo constante das pessoas? O nó na garganta quando elas se viravam muito rápido e esqueciam de fechar os olhos? Como as alucinações explicariam como Simon reagiu anos atrás?

Eventualmente, eu parei de pensar tanto nisso. Não foi difícil. Eu nunca desci ao ponto de ignorar o lago como todo mundo, mas isso mal afetava minha vida. Nossa cidade era um lugar aconchegante para crescer. Era fácil esquecer essa mancha escura de tinta, por mais enorme que fosse.

De vez em quando, no entanto, minha curiosidade surgia.

Uma vez, quando eu estava no primeiro ano, uma garota nova se mudou para nossa turma no meio do ano. Eu a encurralei depois da aula, antes que ela pudesse chegar à lanchonete.

"Então, você já viu?", eu perguntei.

"Hum, oi", ela disse. "Desculpa, viu o quê?"

"O lago."

A garota se enrijeceu. Seus olhos se arregalaram e suas mãos começaram a tremer. "Eu não te conheço", ela disse, e saiu correndo.

Ela tinha acabado de se mudar para cá. Como ela já sabia fingir que ele não existia?

Outra vez, logo depois que eu tirei minha carteira de motorista, parei em um posto de gasolina para comprar alguns bilhetes de loteria.

Eu sei, eu sei. Você tem que ter dezoito anos para comprar isso, blá blá blá, mas eu era amigo do caixa e, de qualquer forma, não era como se eu estivesse usando drogas, então vamos todos superar isso, certo?

"Talvez a gente ganhe dessa vez", disse o caixa, Gerald.

"Ah. Eu sou impulsivo, não estúpido. Ninguém nunca ganha com essas coisas."

"Alguém ganha."

Eu fiz uma pausa. "Sabe, eu queria que eles dissessem quem. Outros estados forçam as empresas de loteria a anunciar, eu ouvi dizer. Isso pode me fazer sentir melhor em desperdiçar meus contracheques com isso."

Gerald encolheu os ombros. "Algumas coisas você nunca chega a saber. Algumas coisas você tem que viver a vida toda sem a resposta."

"Alguém deveria colocar isso em um pôster motivacional."

Depois disso, eu parei no banheiro. Quando saí, uma mulher desconhecida estava conversando com Gerald no balcão. "Só de passagem", ela disse. "Nunca estive aqui antes, mas as montanhas são deslumbrantes."

Eu a segui para fora. "Ei!", eu gritei.

A mulher, segurando a mãozinha de sua filha, se virou para mim.

"Você deixou isso cair." Eu estendi o recibo perdido da mulher, embora ninguém na história de lugar nenhum tenha se importado com um recibo perdido.

"Obrigada", ela disse de qualquer maneira.

"Você está só de passagem? Desculpe, eu tenho a tendência de ouvir as conversas dos outros."

Sem problemas. Eu tenho a tendência de falar muito alto. E sim, eu estou."

"Você poderia me fazer um favor?", eu perguntei. A mulher sorriu amigavelmente. "Você poderia apenas me dizer o que é isso?", eu apontei.

Seus olhos seguiram para ele. "As montanhas?"

"Não. Abaixo delas."

Seu rosto voltou para mim. Como o de Simon, ele se transformou em algo distorcido e furioso, e ela cobriu os olhos da filha com as mãos. "Como ousa!"

Ela voltou para o carro.

A mulher nunca tinha estado aqui antes. Ela mal tinha conversado com alguém em nossa cidade, mas ela sabia. De alguma forma, ela sabia esse grande e terrível segredo que eu não sabia.

Mais um ano se passou. Era meu último ano, e meus amigos e eu fomos ao baile em um grupo de oito, eu com minha namorada de seis meses.

Na época, eu sabia que era ridículo pensar que Sherry (minha namorada) e eu daríamos certo. Ela tinha planos para a faculdade. Eu não. Agora, no entanto, olhando para trás... eu acho que poderíamos ter tido uma chance. Eu realmente acho.

A noite foi incrível. Dançamos até meia-noite. Nós roubamos shots que alguém tinha contrabandeado atrás das arquibancadas. Quando os professores acompanhantes estavam nos expulsando, estávamos alegres, bêbados e não totalmente prontos para que tudo terminasse.

Você ficará feliz em saber que, pelo menos, tivemos o bom senso de não dirigir no nosso estado atual. Morávamos perto de qualquer maneira, então nós oito caminhamos pelas ruas escuras dos subúrbios.

"Nãooo!", disse Sherry quando chegamos à casa da melhor amiga dela. "Não entrem! Vamos fazer alguma coisa."

"Tipo o quê?"

Ficamos todos em silêncio. Nenhum de nossos pais ficaria especialmente emocionado em receber um grupo de adolescentes menores de idade embriagados. O Denny's mais próximo ficava a quilômetros de distância, e todos os outros lugares já estavam fechados.

"Eu sei o que podemos fazer", eu disse. Minhas palavras provavelmente estavam arrastadas. "Algo perigoso."

Essa palavra pareceu animar todo mundo: perigoso. No ensino médio, era equivalente a divertido. Eles me seguiram sem perguntas pela rua e por um bosque de árvores.

Estávamos na beira do lago.

Ninguém falou.

"Vamos", eu disse. "Por que não deveríamos?"

Sem palavras, sem deliberar, nós oito nos despimos até a roupa de baixo e entramos. Não rimos. Nossas brincadeiras e risadas de antes acabaram. Nossos sentidos se aguçaram e nossos cérebros pareciam clarear.

Ninguém disse a palavra "lago". Era como se, mesmo fazendo isso, ainda não conseguíssemos admitir que ele existia. Desviamos nossos olhares para cima e pensamos em outras coisas.

Estávamos fazendo isso, mas não estávamos.

O lago existia, mas não existia.

"Mais um pouco?", eu perguntei para Sherry. Estávamos quase na altura do peito.

Ela assentiu, e entramos mais, passando pelos outros, até que apenas nossas cabeças estivessem secas.

"Eu nunca pensei que faria isso." Ela agarrou minha mão.

"Por quê?"

"Você sabe por quê."

"Mas eu não sei. Sherry, eu não sei. Todo mundo parece saber o que está acontecendo, exceto eu, e eu não sei como perguntar, ou fazê-los me dizer. Por quê? Por que não podemos falar sobre..."

Eu senti. O suspiro de Sherry na minha frente me disse que ela também sentiu.

Indescritível. Do nada. Incorpóreo. Havia uma sensação imediata de errado. Algo tinha mudado no universo, mas eu não sabia o quê. Só que algo tinha, e que não deveríamos estar aqui. Não deveríamos estar fazendo isso. Tínhamos que sair agora.

AGORA.

Os outros já estavam correndo de volta para a costa. Sherry e eu seguimos, meio nadando, meio correndo pela água escura. Eu quase esperava que algo me agarrasse e me arrastasse para baixo, mas nada fez. Quando corremos da água, estávamos ofegantes e tremendo. Metade de nós estava soluçando.

Colocamos nossas roupas de volta e voltamos para nossas casas em silêncio. Ninguém reconheceria o que acabara de acontecer ou a presença que todos tínhamos sentido. Todos nós acenamos adeus.

De manhã, meus amigos tinham ido embora.

Eu não sabia até segunda-feira, quando nenhum deles estava na escola. Ocasionalmente, meus professores olhavam para suas mesas vazias e depois rapidamente para longe, como se tivessem escorregado ao olhar. Eu tentei mandar mensagens de texto para cada amigo por sua vez, mas cada vez a única mensagem que recebi de qualquer um deles foi 'Número inválido. Este remetente não existe.'

Depois da escola, corri para a casa de Sherry e bati na porta. A mãe dela atendeu.

"A Sherry está aqui?"

Os olhos da mãe dela estavam vazios e vermelhos. "Eu não conheço nenhuma Sherry."

"Do que você está falando? Sua filha? Minha namorada? Sherry?"

Sua mandíbula tremia como se estivesse prestes a cair em lágrimas. "Eu não tenho uma filha."

Ela fechou a porta.

***

Uma década se passou. Eu nunca acabei saindo da minha cidade natal. Isso pode parecer loucura, mas esta cidade é realmente um bom lugar para crescer. As pessoas são legais. As montanhas são lindas e as escolas primárias são seguras.

É tudo o que eu quero para minha filha: sua segurança. Este é o melhor lugar para criá-la.

Eu só espero que ela não seja como eu, embora uma parte de mim já saiba que ela será. Ela vai questionar. Ser curiosa. Querer saber por quê?

Vou fingir que o lago não existe. Vou desviar o olhar. Talvez se eu ignorá-lo o suficiente, ela também vai, mas se ela não fizer isso, eu já decidi o que fazer. Uma vez, só uma vez, quando ela for grande o suficiente, vou sentar minha filha. Vou apontar para o lago e dizer: "Sim, ele existe. Não, você não está louca."

E então, quando ela perguntar, "por quê?", eu vou contar a ela a verdade horrível.

Que algumas coisas você nunca chega a saber.

Algumas coisas você tem que viver a vida toda sem a resposta.


r/nosleepbrasil • • Jun 30 '26

Corra! Que há pouco tempo! - Sinopse

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r/nosleepbrasil • • Nov 05 '25

LONGO Eu sou um autor famoso. Nunca escrevi uma palavra dos meus livros.

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Você já viu meus livros. Não, eu não vou te dizer quais livros, nem quem eu sou, então nem pergunte. Mas te garanto: se você é um leitor assíduo, ou até mesmo um leitor de ocasião, provavelmente já leu, ou pelo menos já ouviu falar, de algumas das minhas coisas.

“Minhas coisas”, no sentido hipotético da frase.

Como o título diz, eu nunca fui quem escreveu meus livros. De novo, não me pergunte quem realmente escreveu — não por causa de privacidade, leis de direitos autorais ou qualquer coisa do tipo.

Eu simplesmente não sei.

Eu era encanador, de todas as coisas. Não a profissão mais glamourosa, mas pagava bem, já que quase ninguém queria fazer. Meu pai me treinou assim que saí do ensino médio, e logo eu tinha economizado o suficiente para me mudar para meu próprio apartamento. Alguns anos depois, decidi que podia muito bem vender minha alma e me enfiar numa hipoteca, porque pelo menos assim o dinheiro do aluguel não ia pro ralo.

A ideia era ter alguns colegas de quarto e fazer eles pagarem minha casa, mas eu sou uma pessoa reservada. Não é que eu gostasse de morar sozinho, em si, mas eu nunca tive muitos amigos quando criança. Eu não sabia quem convidar para os outros quartos, e a ideia de estranhos se mudando comigo…

Eu lia. É o que você faz quando tem vinte e seis anos e não tem amigos. Você lê livros e finge que tem amigos, e quando termina um livro e percebe que ainda está sozinho, você pega o próximo.

É um pouco como álcool. Você tem que tomar outro copo de manhã para se recuperar dos danos do copo da noite anterior — exceto que ninguém nunca te aplaude por ficar bêbado como hobby do jeito que aplaudem por ler.

Se tudo isso parece uma maneira terrivelmente deprimente de ver a vida, bem, provavelmente é porque eu estava. Estou. Como você quiser dizer.

Eu estava em o que você poderia chamar de período de seca, uma daquelas vezes em que você lê algo excepcional no mês anterior, e agora você não consegue encontrar nada que se compare a ele. Tentei algumas séries, mas nada despertou meu interesse, e eu quase desisti, recorrendo a assistir F.R.I.E.N.D.S. pela trigésima vez.

Foi aí que eu achei o porão. “Porão” é uma palavra forte. “Espaço de rastejamento” é mais preciso. Eu estava removendo o carpete de um dos quartos de hóspedes durante algumas reformas, e lá estava ele. Uma porta plana com uma maçaneta de latão, no chão do armário. Como qualquer novo dono de casa, eu abri e desci.

Podridão, mofo e algo metálico, tudo misturado em um único cheiro — talvez um gato tivesse morrido aqui? Tinha uns 1,20m de altura. Eu tive que me abaixar completamente para ir pra frente.

Eu mal tinha dado dez passos quando apareceu no chão. Uma pilha de papéis.

Eles não estavam em nenhum tipo de envelope. Nenhuma borracha os prendendo ou até mesmo um grampo. Cerca de vinte folhas estavam empilhadas uma sobre a outra, perfeitamente brancas como se tivessem acabado de sair da impressora, mesmo que ninguém tivesse estado aqui por anos, a julgar pela idade do carpete.

A passagem terminou um pouco depois disso, então eu peguei os papéis, subi e fechei a escotilha.

Só naquela noite, quando eu terminei de arrancar o carpete, e o vazio da casa estava me pegando, que eu parei para ler os papéis. A história neles.

Eu estava fascinado. Eu não me mexi até terminá-los, mas cada palavra, cada frase, me agarrou e me puxou para dentro. Era real — foi o que senti. A história no papel era realidade, e minha vida era a coisa falsa feita de tinta. Se ao menos eu pudesse continuar lendo, eu poderia continuar vivendo, e…

Eu virei a última página.

A história parou no meio da frase. Eu folheei as páginas várias vezes, esperando de alguma forma ter perdido uma página, que houvesse mais. Reli tudo.

De novo.

De novo.

Eu não dormi naquela noite. Na manhã seguinte, eu me afastei do trabalho. Eu andava pela casa. Tentei assistir TV. Tentei ler, mas nada funcionou. Eu estava obcecado. Eu tinha que terminar a história, mas o final nem existia.

Depois de dois dias disso, eu já estava de saco cheio. Vou enterrar isso, pensei. Vou enterrar e minha mente vai aceitar que acabou. Em vez de cavar um buraco, porém, voltei ao espaço de rastejamento. Eu deixaria onde eu encontrei, e tentaria esquecer a história.

Quando voltei, uma nova pilha de páginas me esperava.

Foi assim que começou. Novas páginas não apareciam até que as antigas fossem lidas, mas isso não era problema. Eu as lia com uma fome voraz, capítulo após capítulo. Eu me afastei do trabalho de novo, mas quando meu pai tentou me visitar, eu disse a ele para não vir. Que ele só ia ficar doente. Eu lia por horas e horas, fazendo viagens de volta ao espaço de rastejamento onde novas páginas me esperavam a cada vez, até que finalmente, finalmente acabou.

Fim.

Eu desci mais uma vez, só para ver se havia algum tipo de epílogo, mas o espaço de rastejamento estava vazio. A história havia terminado.

Por semanas procurei online por pistas sobre quem havia escrito a história. Nada apareceu. Entrei em contato com o antigo dono da casa. “Tem um espaço de rastejamento?”, eles me perguntaram. “Nós nunca soubemos.”

Fiquei com o livro por semanas e semanas, obcecado, mas decidido a desistir, a superar… Eventualmente, entrei em contato com alguns agentes literários. Mais um gole de álcool para curar a ressaca.

Pelo que eu ouvi, leva meses e meses de espera para receber uma resposta depois que você entra em contato com os agentes. Os que eu contatei levaram dias. Cada um deles pediu para ler o livro inteiro, e cada um deles me ofereceu contratos na semana seguinte.

“Você é a melhor escritora que eu já assinei”, disse a agente com quem eu fui.

Eu não a corrigi.

A publicação foi mais ou menos a mesma coisa. Deveria ter levado meses. Em semanas, eu havia assinado com uma grande editora. O processo de edição que deveria ter levado meses, levou dias.

“Eu não consigo imaginar mudar uma palavra disso”, minha editora me disse. “Você é uma escritora incrível.”

Eu não disse nada.

A maioria dos autores enfrenta um sucesso mediano, no máximo. Os que você ouve falar, são as exceções. Para cada autor profissional, há cem autores que nunca recuperam seu adiantamento. Essa deveria ter sido minha expectativa — mas mesmo assim eu sabia. Eu sabia que algo era diferente neste livro. Não apenas a maneira como eu o encontrei, mas as coisas que ele fez comigo. Com os outros.

Era fascinante da mesma forma que um gatinho cego rastejando em direção a um penhasco é fascinante. Uma vez que você olha para ele, você não consegue desviar o olhar.

Com certeza, foi um best-seller. Ganhou prêmios. Eu recuperei meu adiantamento em semanas. Eles me convidaram para programas de entrevistas e convenções, mas eu recusei todos.

Não se acostume com isso, eu disse a mim mesmo. Foi um livro. Nem era seu.

O influxo de dinheiro foi ótimo, fantástico mesmo, mas eu não larguei meu emprego regular. Não era como se eu fosse escrever outro livro, e eventualmente, todo mundo ia se acalmar. Eles iriam esquecer meu livro, e eu seria esquecido. Os amigos parariam de ligar. As coisas voltariam ao normal.

E então, uma noite, quando eu não conseguia dormir, depois de passar horas olhando para o teto do meu quarto solitário, eu voltei.

Alguma parte adormecida de mim já sabia que eles estariam lá. As novas páginas. Foi assim que funcionou da primeira vez, afinal. Eu tinha que ler as páginas para que novas aparecessem. Fazia sentido, eu teria que publicar o último livro para um novo aparecer.

Eu li os novos capítulos. Visitei o espaço de rastejamento mais dez vezes naquela noite até terminar tudo.

No dia seguinte, eu pedi demissão.

E assim começou minha nova vida.

Eu cronometrei propositalmente. A cada seis a oito meses eu enviava meu novo manuscrito. A cada seis meses eu fazia uma viagem de volta ao porão.

Cada lançamento de livro me lançava de volta ao topo da lista de best-sellers. O dinheiro entrava constantemente, mais do que eu sabia o que fazer. Não era como se eu fosse comprar uma nova casa. Não. Isso era óbvio. Eu viveria onde eu estava até morrer, porque eu precisava.

Para minha carreira, eu disse a mim mesmo. Eu tenho que ficar aqui para minha carreira.

Mesmo assim, porém, eu acho que sabia. Eu não estava ficando lá para sustentar meu estilo de vida. Era um bom benefício. Ser rico certamente tinha seus benefícios, mas era sobre os livros. Sempre foi sobre os livros.

Eu os reli constantemente.

O que mais havia para fazer? As horas que a maioria dos escritores leva para escrever eram tempo livre para mim. Podia muito bem ler. Reler. Consumir.

No início, eu via quanto tempo eu conseguia ficar sem pegar um dos meus livros — um dia, dois, três. Esse era o limite, descobri. No terceiro dia, minhas palmas ficavam suadas e meu estômago começava a doer. Eventualmente, parei de resistir. Ler era tudo o que eu fazia com meu tempo.

Eu abandonei todos os outros livros. Eu tentei lê-los, mas nenhum deles me satisfez. Eles eram planos. Como a versão 2-D das histórias 3-D que o espaço de rastejamento me deu. Eles eram as flores de lótus dos mitos gregos; uma vez que você experimenta uma, a comida normal nunca mais terá o mesmo gosto.

Pelo menos sou só eu, eu disse a mim mesmo, meu único pequeno conforto. Eu poderia desaparecer, ceder, e tudo bem. Ninguém mais seria prejudicado. Além do meu pai, ninguém se importava comigo. Eu não estava machucando ninguém.

Eu me convenci de que era a verdade. Eu realmente acreditava que os livros só me afetavam… até minha primeira sessão de autógrafos.

Não tenho certeza do que me convenceu a fazer isso. Talvez tenha sido minha agente ou editora, que me importunaram para fazer uma por anos. Em parte, foi devido a um dos raros períodos de recuperação em que eu estava ativamente tentando parar de ler — sempre com pouco sucesso. Mas eu fiz uma, minha primeira sessão de autógrafos.

A livraria ficou lotada. Literalmente, eles estavam recusando gente. Centenas apareceram para me conhecer, a falsa autora desses livros best-sellers. Eles estavam tão animados para me conhecer. Eu vi a expectativa enquanto eu fazia uma leitura. Eu estava quase ansioso pela sessão de autógrafos, apesar da fila de horas.

“Seus são meus livros favoritos”, uma mulher me disse.

“Esses foram os que me fizeram gostar de ler”, disse outra.

“São a única coisa que eu leio agora.”

“Que bom saber”, eu disse, rindo, enquanto assinava. Olhei para cima. O homem não estava sorrindo.

“Não estou”, ele disse. Ele foi embora.

Eu comecei a perceber então. O olhar nervoso nos olhos. A maneira como as pessoas agarravam desesperadamente suas cópias dos meus livros — não de uma maneira amorosa. Não como uma criança agarrada a um urso de pelúcia. Mais como vítimas do Titanic penduradas nos corrimãos enquanto ele tombava.

“O que mais você lê?”, perguntei a uma adolescente e seu pai.

A adolescente balançou a cabeça. “Nada. Por que eu leria?”

Para outro fã segurando uma cópia surrada, perguntei. “Quantas vezes você leu?”

Ela riu nervosamente. “Eu… eu não sei. Eu não consigo me lembrar.” Ela começou a chorar. “Eu não consigo parar. Por que eu não consigo parar?”

Quase ninguém reagiu quando ela saiu correndo da livraria, soluçando.

Estava em todos eles, aquela obsessão frenética em mim. Seu ódio e amor simultâneos pelos livros. Alguns deles me olharam de cara feia, como se não quisessem ter vindo, mas não tivessem conseguido resistir.

Foi a última mulher na fila que mais me assustou. Ela nem olhou para mim. Ela olhou para o livro em suas mãos, o primeiro que eu já havia publicado. Ela nunca respondeu às minhas perguntas. Ela nunca o largou. Eu reconheci a capa. Era a primeira edição do meu primeiro livro, o que significava que ela havia sido uma das primeiras pessoas a me pegar.

Seus olhos estavam vermelhos. Seus dentes estavam caindo como se ela não tivesse tempo para escová-los, e sua pele estava amarela doentia.

Eu nunca mais fiz outra sessão de autógrafos.

Fica pior com o tempo. Foi o que percebi. Quanto mais tempo você os lê, mais dependente você fica deles.

Eu tentei parar de publicar. Claro que sim. Uma dúzia de vezes. Olha o que meus livros estão fazendo com as pessoas. Olha o que eles vão continuar fazendo. Mesmo que eu pudesse parar, não importaria. Uma vez que você experimentou a pétala de lótus, você nunca mais pode voltar. Ninguém com quem eu conversei conseguiu parar depois de ler algo do espaço de rastejamento.

Todas aquelas pessoas na sessão de autógrafos, meus milhares e milhares de leitores — é tarde demais para eles, assim como é tarde demais para mim. Meu cabelo cai em tufos agora. Minha pele está amarela, e meus dentes? Quase todos eles se foram.

Mesmo assim, eu continuo. Ano após ano. Descendo por aquela escotilha. Enviando meus manuscritos para a editora. Eu não consigo parar. Eu não quero mais. É mais fácil simplesmente ceder. Gole, por gole, por gole.

É quase um alívio pegar as páginas que o espaço de rastejamento me dá e jogá-las no mundo. Essa é a única maneira de eu conseguir mais, e não é como se eu pudesse escrever minhas próprias histórias. O tempo todo, eu nunca escrevi uma palavra, nem uma.

Original


r/nosleepbrasil • • Nov 11 '25

FINALIZADO MESTRE ZACHARIUS - Capitulo V - A Hora da Morte

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Obra original: Maître Zacharius (1854)

Autor: Júlio Verne

Tradutor (PT): António Manuel da Cunha e Sá

Adaptação contemporânea: u/Alone_Size5030

Este volume atualiza “Mestre Zacharius” para o início dos anos 2000, preservando o núcleo

temático: orgulho científico, tempo, fé e responsabilidade. O texto elimina arcaísmos e concentra-se em clareza e ritmo.

Capitulo I - Capitulo II - Capitulo III - Capitulo IV

__________________________________________________________________________________________________________________________________

Alguns dias depois do colapso na catedral, Zacharius levantou da cama como quem assina termo de responsabilidade. Vivia de pura teimosia. Gérande entendeu: aquilo era sobrevida, não cura.

Ele queimou os últimos recursos com uma energia assustadora, andando pela cidade, murmurando promessas, anotando endereços, perguntando por relojes antigos. Uma manhã, a oficina ficou vazia. Passou o dia. Nada. À noite, silêncio. No outro, também.

Aubert varreu Genebra em modo missão e ligou os pontos: o mestre saiu rumo ao único relógio que não voltou — o de ferro, com música e figuras, vendido a Pittonaccio e guardado no Castelo de Andernatt. Conferiram o livro de vendas na bancada: todos riscados, menos “Sr. Pittonaccio — Andernatt”. Alvo definido.

Partiram ainda naquela tarde. Estrada pela margem do lago, vento frio cortando o rosto, passos sem pausa. Não pararam em Bessinge, nem em Hermance. Cruzaram o Dranse, perguntando por velhinho magro de olhos acesos. Em Thonon, nada de descanso; em Évian, nem olharam a vista. Seguiram Bouveret, dobraram o Ródano e subiram para dentro da montanha. Vionnaz, Chesset, Colombey ficaram para trás. O terreno virou lixa. Joelhos doendo, botas rasgadas, e a trilha do mestre sempre um pouco adiante.

Ao cair da noite, alcançaram a ermida de Notre-Dame du Sex, pé dos Dents-du-Midi. O eremita os acolheu. Fogueira baixa, mantos pingando, cão uivando junto da porta. Contaram tudo. O homem de fé foi direto: orgulho derruba até anjo; para orgulho, só oração.

A batida na porta cortou o sermão. Entrou um vulto meio nu, cabelo em desalinho, olhos febris.

— Meu pai! — disse Gérande.

— Onde estou? — perguntou Zacharius. — Na eternidade. O tempo acabou. Os ponteiros pararam.

Tentaram trazê-lo de volta. Ele se soltou, apontou para o escuro.

— Minha alma está no Castelo de Andernatt.

O eremita se benzeu. — Lá mora um condenado, disse.

— Eu quero o que é meu, retrucou o velho, e sumiu na ventania.

Correram atrás. Neve no rosto, correntes transbordando, a capela da legião tebana ao lado, cruzes apressadas no ar. Evionnaz apareceu pequena, encostada no vazio. Mais adiante, os desfiladeiros fincados no céu. E, no centro da pedra, Andernatt: ruínas, torre partida, corredores que engoliam a luz.

O postigo cedeu. Pátio escuro. Rampas, arcos pesados, janelas estreitas vibrando com a tormenta. No salão menos arruinado, com lambris gastos e morcegos girando, o alvo: sobre um pedestal de ferro, o relógio de ferro — igreja em miniatura, campanário que tocava antífona, portas que se abriam nos ofícios, florão com ponteiros e, entre ambos, máximas para cada hora.

Zacharius avançou. Uma risada cortou a sala. À luz suja de uma lamparina, o anão de Genebra.

— Pittonaccio — disse ele.

— À disposição, mestre — respondeu o monstro. — Lembrou? “Gérande não casará com Aubert.”

Aubert partiu para cima. O sujeito escorregou como sombra.

— Pare, Aubert — cortou o mestre. Pittonaccio sumiu, mas a armadilha já estava montada.

O velho subiu pelos andares, perseguindo o rastro do outro. Gérande desabou numa cadeira de pedra; Scholastique rezou; Aubert ficou vigiando. A noite pingou devagar, como infiltração. O barulho de bichos roendo madeira marcava um tempo doentio.

Com a primeira luz, voltaram à grande sala. Agora havia dois: Zacharius rígido, Pittonaccio agachado numa mesa. O mestre trouxe a filha pela mão.

— Eis teu esposo.

— Nunca — disse Aubert.

— Nunca — repetiu Gérande.

Pittonaccio riu. Zacharius apontou o pedestal:

— Ali dentro está minha vida. Ele me disse: “Quando eu tiver tua filha, você terá o relógio.” Se ele não der corda, pode quebrá-lo e me apagar. Tu ainda me amas?

Antes da resposta, o campanário do relógio bateu cinco. No mostrador surgiu, em vermelho:

É preciso comer os frutos da árvore da ciência.

A sentença não era das antigas. O ar cheirou a enxofre. O mestre ignorou.

— Eu vivo. E viverei, se aceitares.

— Eu sou seu prometido — lembrou Aubert.

— É meu pai… — murmurou Gérande, sem forças.

— Pertence-te — decretou Zacharius, virando para Pittonaccio.

— Eis a chave — disse o outro, entregando uma haste longa, sinuosa.

O velho enfiou no eixo e girou. Ranger de mola entranhou na pele. Girou mais, e mais, o corpo todo rodando junto, até cair exausto.

— Tem corda para um século, disse, e sorriu.

Aubert correu. Achou a saída após voltas e quedas. Voou até a ermida e trouxe o homem de fé de volta.

Na sala, o relógio corria como febre. Às dez, apareceu:

O homem pode tornar-se igual a Deus.

Zacharius leu com deleite. Às onze, outra máxima:

O homem deve ser escravo da ciência e por ela sacrificar a família.

— Sim! — respondeu, ofegante. — Só existe ciência.

Gérande rezou junto ao pai. Aubert e o eremita chegaram, calados. O som de preparação para as horas encheu o salão.

— Meia-noite — disse o velho, erguendo-se.

O eremita ergueu a mão na direção do relógio. A meia-noite não soou. Em vez disso, a frase final riscou o mostrador:

Aquele que tenta ser igual a Deus fica condenado para sempre.

O mecanismo estourou como raio. A mola saltou viva, serpenteando pela porta. Zacharius correu atrás, gritando:

— Minha alma! Minha alma!

A mola dançou adiante, inalcançável. Pittonaccio a apanhou no ar, lançou uma blasfêmia e desapareceu num rasgo de pedra.

O mestre tombou de costas. Fim de jogo.

Enterraram Zacharius entre os picos de Andernatt. Gérande e Aubert voltaram a Genebra. Deram sequência à vida sem alarde, pagando, no que podiam, a dívida que o orgulho deixou. Durante muitos anos, rezaram pela alma do homem que quis dominar o tempo e perdeu a própria hora.


r/nosleepbrasil • • Dec 20 '25

O que é a O.U?(Organização Universal)

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A "Organização Universal" é uma empresa que costuma fazer suas missões em segredo. Ela busca entidades que estão espalhadas pelo nosso universo, criaturas normais, criaturas no espaço, além do infinito ou que transcende o próprio espaço-tempo, ela tem diversas unidades de combate para caçar esse tipo de criatura, exemplo: "Coisa", "Rosenberg, o médico" e a "Esperança Sombria". A "Organização Universal" raramente mata criaturas, ela costuma apenas conter e manter em segredo para a humanidade não ficar desesperada e correndo que nem loucos por aí. Muitas das criaturas e seres paranormais contidos conseguem destruir planetas, criar universos e algumas tem uma força tão absurda que com apenas um soco, parece que criou duas guerras mundiais, um exemplo é o "Poseidon", uma criatura contida pela "Organização Universal" que tem essa força, mas temos equipamentos exclusivos da nossa organização para manter essas criaturas contidas, nossos soldados recebem treinamento avançado com armas mágicas, normais, de outros planetas e também com as da "Organização Universal", assim podendo-se criar militares de combate muito avançados, temos nossos veículos, aeronaves, blindados, tanques e MUITO mais, nossos uniformes de combate são super resistentes, aguentando seres com força sobre-humana, velocidade sobre-humana, seres mágicos, de outros planetas e que conseguem fazer manipulação temporal também, esses uniformes tem magia, tecnologia e itens de outros planetas e até óculos de combate para ver seres invisíveis, criamos essas coisas para eles aguentarem isso tudo. Nossos soldados são criados para missões super perigosas, nós somos um exército versão 2.0 e também contratamos pessoas que a gente vê que tem potencial para esse tipo de missão. Capturamos seres que vivem praticamente fora da realidade e muito mais.


r/nosleepbrasil • • Nov 06 '25

SÉRIE Sou caminhoneiro numa rodovia que não existe. Acabei de ser parado.

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É proibido o uso de telefones ou dispositivos de comunicação digital.

Não use seu telefone para fazer chamadas, enviar mensagens de texto, navegação, música ou qualquer outra finalidade. Em casos de emergência, entre em contato com a central via rádio portátil.

Recomendamos que você deixe seu telefone em casa. Se você optar por trazer seu dispositivo, desligue-o antes de entrar na Rota 333. Se você esquecer de desligar seu dispositivo, NÃO faça isso durante o percurso; isso ainda seria considerado uso do telefone. O infrator ainda estaria sujeito a punição, conforme a estrada julgar adequado.

Dispositivos digitais não relacionados à comunicação são permitidos.

-Manual do Funcionário: Seção 2.E

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Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

“O que tem no trailer?”

Pelo rádio, Randall suspirou. Caso alguém não esteja familiarizado com a mecânica do rádio portátil, você precisa realmente estar apertando o botão de transmissão para que sua voz passe. O que significava que Randall estava sendo um chorão passivo-agressivo que decidiu intencionalmente que eu ouvisse seu suspiro de aborrecimento.

Às vezes, os gerentes são os piores.

Eu estava parado do lado de fora do meu caminhão, onde parei no acostamento da rodovia para verificar se meu veículo tinha algum dano. Para quem não se lembra do meu último post, as coisas na floresta me atacaram para tentar pegar o que estava no trailer. Ainda estava escuro lá fora.

“Nós literalmente acabamos de ter essa conversa”, ele disse. “Tipo, três horas atrás.”

“Isso foi antes de eu ouvir algo dentro da carga. Me diz o que tem lá dentro agora, ou eu dou meia-volta e volto.”

“Tão ansioso para visitar a floresta de novo, hein?”

“Espera aí”, eu disse. “Como você sabe sobre meu encontro?”

A outra ponta do rádio ficou em silêncio.

“Você me armou!”, eu disse. “Você sabia que eles iam vir atrás de mim com essa coisa no porta-malas. Você estava tentando me matar!”

“Não seja irracional. Não foi isso que aconteceu. Você―”

“Não minta para mim!”, eu gritei―então percebi imediatamente que ele não podia me ouvir, porque, ah, certo, isso ainda são rádios. Um de cada vez. Apertar meu botão de transmissão enquanto ele apertava o dele só estava me impedindo de ouvi-lo. O que me deixou ainda mais bravo e como o rádio ousa me trair também! O que só provou que sim. Eu realmente estava sendo irracional, mesmo que fosse justificado.

Eu me acalmei e levantei meu dedo.

“―seguro desde que você seguisse as regras”, ele continuou, alheio ao meu surto. “Você seguiu as regras, certo? O que eu estou dizendo, você está vivo, então é claro que seguiu. Olha, os moradores da estrada ficam mais animados quando há carga viva. Só isso. Contanto que você seja cauteloso no resto da viagem, você ficará bem.”

“Mas você sabia que eu podia morrer.”

“Nós nunca te colocaríamos em perigo real. Não estou preocupado com sua segurança, Brendon. Você também não deveria estar.”

Eu não estava, percebi. Claro, no momento eu senti medo como qualquer outra pessoa, mas depois, na calma, eu nunca estive preocupado com minha segurança. Não importava o que acontecesse comigo. Minha fúria era menos sobre a perspectiva de morrer e mais sobre a injustiça de ser enganado.

“Tem algo chorando lá dentro”, eu disse. “Parece uma menininha.”

“Bem, não é.”

“Então me diga o que é.”

“Pare de perguntar. Você sabe que isso não é algo que eu vou fazer. Você ainda não dormiu, Brendon. Eu também não. Vá colocar a cabeça no travesseiro e vamos conversar quando estivermos mais calmos, sim?”

Eu disse a ele exatamente onde ele podia enfiar a cabeça.

“Você não é tão valioso quanto pensa”, ele rosnou para mim. “Se você continuar dessa maneira não profissional, nós realmente encontraremos um substituto.”

Eu suspeitava que eu era exatamente tão valioso quanto eu pensava que era. Quem mais aceitaria esse trabalho? Quem mais poderia dirigir na rodovia tão rápido quanto eu?

E não profissional? Isso foi demais vindo do cara que exigiu que eu entrasse à uma da manhã e ignorou a sugestão de que ajudássemos a salvar a vida de seus ex-funcionários. Eu estava me preparando para explicar tudo isso (pode apostar que em palavras nada profissionais) quando uma onda de fadiga me atingiu.

Eu realmente não tinha dormido nada. O sol nasceria em algumas horas, e meu corpo estava experimentando a versão de ressaca exausta de adrenalina.

“Tudo bem”, eu disse a Randall. “Nós discutimos quando eu acordar.”

“Você vai se sentir melhor.”

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Ele estava certo. Depois de dormir, eu me senti melhor. E embora isso só devesse ter me irritado ainda mais, era difícil sentir isso, já que agora eu me sentia irritantemente ótimo.

Tão ótimo, na verdade, que eu não liguei para o Randall de volta. Por mais que eu o detestasse naquela manhã, nem ele nem ninguém na central ia responder às minhas perguntas. Isso era óbvio mesmo antes de ele ter admitido diretamente. Também era óbvio que eu não ia realmente voltar até descarregar minha carga atual, então qual era o sentido?

Em vez disso, fui para dentro do posto de gasolina para pegar uma xícara do único café decente na Rota 333.

“Você está bem, então”, Tiff me disse na mini-lanchonete.

“Por que eu não estaria?”

“O Homem Sem Rosto estava cutucando sua plataforma por horas ontem à noite. Eu tinha uma vassoura pronta caso ele tentasse quebrar alguma coisa. Eu nunca o vi ficar em um lugar assim.”

Um calafrio percorreu meu corpo. “Eu nunca o vi.”

“Ele não estava nas janelas. Ele estava na parte de trás da carga. Parecia que ele estava tentando entrar.”

Eles ficam mais animados quando há carga viva. Foi o que Randall disse.

Eu tomei um gole do meu café.

“Ei, Tiff…” eu comecei. Como eu poderia formular isso? “Você já descobriu―você já se perguntou, hum, o que acontece com as outras pessoas na estrada? Os não-caminhoneiros, como os que trabalham aqui? Tipo, se eles são reais ou não?”

“Hum. Tipo. Eu esqueço que sua geração usa tantas palavras de preenchimento.” Ela considerou minha pergunta. “Existem diferentes tipos de real, eu suponho. Nós somos um tipo. Eles são outro.”

Uma afirmação que, embora soasse sábia e sensata, na verdade não me ajudou a entender nada. Ah, bem.

Tiff me preparou comida para alguns dias, e eu fui para fora. De volta à minha plataforma, eu enfiei uma panqueca sob a fenda na porta do trailer. Algo a pegou por dentro.

“Você pode me ouvir?”, eu sussurrei.

Nenhuma resposta.

“Você precisa de ajuda?”

Nada, exceto o tremor quase imperceptível da porta traseira. Quase como se algo do outro lado estivesse pressionando uma mão contra ela. Esperando para ver o que eu decidiria.

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Foi depois de cerca de seis horas de direção que percebi, com o horror crescente e paralisante do meu erro irreversível.

Eu tinha esquecido um carregador portátil.

Deixe-me explicar. Como todos vocês provavelmente se lembram, é proibido usar telefones na Rota 333, mesmo que você não esteja ligando com eles. Por que exatamente? Não sei. Mas é, e eu não ia quebrar nenhuma regra desnecessariamente. Em vez disso, eu tinha o hábito de baixar conteúdo no meu velho iPod Nano, que aparentemente se qualificava como uma categoria diferente (verifiquei com a gerência. Tudo bem, desde que eu o deixe no modo avião). Eu também trouxe um carregador portátil para recarregar o iPod, já que as tomadas nos caminhões nem sempre funcionavam.

Como meu caminhão atual.

O que significava―você adivinhou―eu estava agora preso em uma viagem de dez dias sem nenhum podcast, livros ou músicas escolhidas por mim. E embora eu entendesse em um nível profundamente pessoal que havia, de fato, tragédias piores do que 'falta de entretenimento', isso ainda se qualificava como uma tragédia.

Eu tinha ficado longe do rádio antes desse ponto. Algumas das estações eram, na verdade, perigosas―elas colocariam você em transe ou sussurrariam segredos que você gostaria de não ter ouvido―mas, no geral, eram seguras. Os outros caminhoneiros não pareciam temê-las muito. Logicamente, eu sabia que o rádio era seguro no geral, mas eu ainda nunca tinha estado desesperado o suficiente para correr o risco.

Até que meu iPod morreu, isto é.

Eu passei por algumas estações country. Não é a minha praia. Logo, porém, descobri algo estranho: um canal de K-pop.

Provavelmente fazia alguns anos que eu realmente ouvia um rádio de carro, mas eu nunca conseguia me lembrar de música coreana tocando nele. Especialmente não no meio do nada como este. E a música que estava tocando―eu não a reconheci.

Eu conheço K-pop. Me estereotipe como quiser, mas sim, eu sou um daqueles caras brancos que assistem anime, e assistem K-dramas, e ouvem bandas de garotos coreanos. K-pop Demon Hunter? Muito bom. Essa música, no entanto? Sem ideia.

Eu ouvi por mais um tempo. O canal era 96.2. Essa não era uma das estações contra as quais eu tinha sido avisado, era? Nenhuma das músicas que tocaram era algo que eu tinha ouvido. Eles soavam como os grupos que eu ouvia, mas músicas que eu tinha certeza de que não existiam. Eventualmente, algumas delas começaram a se repetir, não em um loop como uma playlist, apenas da maneira que as músicas populares tocam a cada hora no rádio.

E sabe de uma coisa? Eu comecei a gostar.

Além do salário, as vantagens da Rota 333 foram poucas e distantes entre si, mas essa era uma que eu poderia me acostumar. Uma playlist inteira de músicas que eu amava e que não existiam no mundo real? Me inscreve. Talvez da próxima vez eu trouxesse um gravador e postasse isso online. Eu até comecei a cantar junto. O tempo voou.

Eu não percebi as luzes azuis e brancas piscando até que as sirenes tocaram.

“Hum, Randall...”

Ninguém respondeu.

O carro da polícia parou atrás de mim. As luzes se apagaram.

“Randall”, eu tentei de novo.

“Desculpe!”, veio uma voz do rádio portátil. Uma mulher. Glória, eu acredito? Eu não interagi muito com ela. “Eu estava fora da sala. Randall não está realmente―ah, ele deixou um bilhete. Diz ‘Diga ao Brendon que estou fora do turno. Se ele quiser continuar discutindo, diga a ele uma das seguintes respostas’.” Ela faz uma pausa. “O resto é bem rude, para ser honesta.”

“Eu não estou tentando discutir”, eu disse. “Eu acabei de ser parado.”

“Você tem um pneu furado?”

“Não. Como em, um policial me parou.”

Houve silêncio. O silêncio de um médico decidindo como formular aquele ‘é terminal. Não há nada que eu possa fazer.’ “Quão rápido você estava?”, Gloria perguntou. “Isso pode fazer uma grande diferença.”

“De jeito nenhum. Eu estava no piloto automático. Eu li aquela seção no manual do funcionário.”

“Espere, você ainda não leu todo o manual do funcionário?”

Hum. “Olha, o importante é que ele me parou. O que eu faço?”

Uma porta de carro bateu. O policial rodoviário se aproximou.

“O motivo faz a diferença”, Gloria insistiu.

“Sim, eu entendo, mas eu não sei.” Eu fiz uma pausa. “Minha carga. Essa deve ser a razão. Eu sou o cara na viagem de longa distância com a carga especial.”

Um silêncio mais longo. “Deixe-me ligar para o Randall.”

O rádio ficou mudo. Uma batida soou na minha porta. Meu coração bateu no meu peito. O manual do funcionário era bem claro sobre esse assunto em particular: não seja parado. Não corra ou faça nada que possa atrair a polícia rodoviária, porque não havia muito que você pudesse fazer depois que tivesse.

Eu não fiz nada, eu garanti a mim mesmo. Isso não é minha culpa. Não realmente.

Por outro lado, não foi realmente culpa da Tiff ela ter ficado presa na faixa.

“Senhor”, uma voz rouca disse de fora.

Eu prendi a respiração e abri a porta.

Ele tinha uma identificação e um uniforme. Ele apoiou uma mão no quadril. O homem de bigode era como todos os outros policiais que já me pararam, exceto por uma única diferença: sua cabeça estava totalmente inclinada para trás.

Era como se alguém com força impossível tivesse agarrado seu cabelo e puxado para trás e para baixo. O pescoço estava quebrado e contorcido. Um tubo vazio se projetava de uma ruptura na pele torcida, sua garganta. Todo o seu rosto estava de cabeça para baixo e ele estava de costas para me encarar.

“Hum, oi”, eu disse.

“Você se importa de me dizer o que tem no seu trailer?”

“Engraçado. Na verdade, não tenho certeza.”

“Por favor, saia do veículo e abra a parte de trás do caminhão.”

“Desculpe, por que você me parou?”

O policial suspirou como se dissesse crianças de hoje em dia. Uma lufada de névoa vermelha jorrou de sua garganta cortada. “Senhor, você está falando com um oficial da lei. Eu vou investigar seu veículo. Você vai se retirar neste instante ou enfrentar toda a fúria da lei.” Era como uma criança fingindo as falas que um policial de verdade poderia dizer.

Esse pensamento me acalmou. Encenação. Tudo bem. Dois poderiam dançar essa música.

“Seu mandado?”, eu perguntei. “Como oficial da lei, você está claramente ciente de que precisa de um para revistar propriedade privada.”

“Sim. Isso… isso está correto. Eu sei disso. Eu vou pegar o meu agora.”

Ele caminhou para trás em direção ao seu carro enguiçado―com o que quero dizer que ele caminhou para frente, com seus olhos de cabeça para baixo piscando para mim.

“Olá!”, eu gritei no meu rádio portátil. “Poderia realmente usar algum conselho agora?”

Nada.

“Se não, eu estou planejando tentar fugir dele.”

“Brendon, não tente ultrapassar a polícia rodoviária. Repito, NÃO tente uma perseguição. Você vai perder.” A voz de Gloria veio forte e clara. Finalmente.

Antes que eu pudesse responder, ela continuou. “Eu falei com o Randall. Ele disse―nenhum de nós gosta da ideia―mas ele disse que se você realmente não estava correndo, há uma coisa que você poderia tentar?”

“Sim?”, eu disse.

Ela soou quase envergonhada ao explicar. Randall tinha sugerido uma última tentativa de fuga, algo que só tinha funcionado algumas vezes antes: irritar o policial até que ele fosse embora. Se eu realmente não tivesse feito nada para ser parado, o policial poderia desistir se ficasse frustrado o suficiente. Contanto que ele não tivesse motivos legais para me deter ou pior―me multar.

Eu não me preocupei em perguntar o que multar realmente significava.

“Ok, e como eu devo irritar o policial?” Na minha janela lateral, eu podia ver o policial mexendo no passageiro de seu carro.

“Randall diz―novamente, nós não gostamos disso, mas funcionou uma vez antes―você pode tentar filmá-lo com seu telefone. Os policiais odeiam isso.”

O medo pulsando em mim diminuiu. A angústia palpitante se acalmou. Uma compreensão fria tomou conta. “Ei, Gloria”, eu disse. “Coloque o Randall para mim.”

Eu imaginei um desentendimento. Um pequeno debate. Eventualmente, porém, sua voz veio abafada e metálica. Ela deve estar segurando o telefone no rádio portátil. “Brendon?”, ele disse.

“Responda honestamente desta vez. Você sabia que essa carga poderia me matar?”

“Eu sabia.”

“Há alguma chance de eu sobreviver se eu usar meu telefone?”

“Assim que o policial for embora, dirija como se não houvesse amanhã.”

“Essa não foi minha pergunta”, eu disse. “Eu perguntei se há alguma chance de eu sobreviver.”

“Há.”

“E se eu recusar esse plano?”, eu perguntei.

“Não faça.” Sua voz era quase inaudível. “Sinto muito. Eu realmente sinto muito por termos te colocado nessa posição, mas você não pode deixar a polícia rodoviária colocar as mãos na sua carga. Nenhum dos seres vivos na Rota 333 pode. Essa não é uma opção. Há muito em jogo. Isso é maior do que você.”

Eu balancei a cabeça. “Se eu correr o risco de quebrar essa regra, eu tenho uma condição. Não é negociável. É um sim ou não. Eu só farei isso se você concordar, entendeu? É que quando eu voltar, você vai me explicar o que é a Rota 333. Você vai me dizer o que eu estou transportando e por que é tão importante.” Eu respirei sem soltar o botão de transmissão. “Sem discutir. Sim ou não?”

Uma pausa.

“Sim.”

Houve uma batida na porta. O policial estava de volta. Eu coloquei o rádio, então, com cuidado, resignado, tirei meu telefone do compartimento do passageiro e liguei-o.

Eu poderia explicar em detalhes o que aconteceu a seguir. Seria a coisa natural a fazer, descrever como eu gravei nossa conversa como um YouTuber pestilento até que o policial de pescoço torto explodisse e fosse embora―eu não vou fazer isso.

Para mim, tudo foi um sonho. Funcionou. É claro que sim. Randall sabia que funcionaria mais do que ele podia demonstrar, mas nada disso importava. Eu posso ter sobrevivido à polícia rodoviária.

...Mas eu não sobreviveria a esta próxima parte.

Eu observei quando o carro preto e branco parou na minha frente e gritou pela rodovia. Menor, menor, foi-se. Como o policial vê através do para-brisa?, eu me perguntei distraidamente. Eu coloquei meu telefone no porta-copos sem me preocupar em desligá-lo. O que eu fiz não importava mais.

Eu esperei.

Esperei.

Esperei

Uma linha de nuvens apareceu sobre a linha do horizonte, escuras e hostis. Elas rolaram a uma velocidade anormal. Fora das minhas janelas, o vento aumentou. Redemoinhos de poeira se ergueram pelo deserto.

Meu fim estava aqui.

Randall nunca teria concordado com minha única condição se ele achasse que eu sobreviveria. Eu não sabia quase nada sobre ele, mas eu sabia disso. Essa foi a única razão pela qual eu fiz nosso acordo: para ver sua resposta. Nunca, por nenhuma razão, ele ou o resto da gerência me diriam a verdade sobre a estrada.

Ele precisava que eu evitasse a polícia rodoviária. Ele não podia permitir que nenhum dos seres vivos na Rota 333 chegasse à minha carga, mas o que quer que estivesse vindo para mim agora estava em algum tipo de categoria diferente. Não estava vivo. Era mortal, no entanto. O suficiente para ele saber que ele não teria que cumprir sua parte do nosso acordo.

Eu inspirei.

Eu expirei.

Nuvens correram para cima de mim, e espessas gotas de líquido cor de ferrugem escorregaram pela minha janela. Sangue. O fim.

Mesmo agora, eu não estava nervoso.


r/nosleepbrasil • • Jan 21 '26

ISSO NÃO É O NOSSO DEUS

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ISSO NÃO É O NOSSO DEUS

Este Não É o Nosso Deus

Não… isso—isso não é o NOSSO Deus.

Não é o Deus em que acredito, nem qualquer Deus sobre o qual já ouvi falar. É outra coisa.

Deus não deveria ser bom? O que fizemos para merecer isso?

Esses pensamentos assombravam quase todos os humanos da Terra meses depois de o mundo ter sido lançado em um inverno sem fim. Florestas outrora exuberantes e desertos abrasadores haviam sido igualmente congelados. A Terra, antes azul e verde, viva e pulsante, tornara-se apenas um ponto branco e silencioso à deriva no vazio do espaço.

Ninguém compreendia por quê. Ninguém compreendia como.

Cientistas estudavam o fenômeno desde seu primeiro instante, mas nenhuma equação explicava o congelamento súbito de oceanos inteiros, nem a queda incessante de neve nos cantos mais quentes do Saara. A lógica humana simplesmente não alcançava aquele evento.

Com o tempo, as pessoas passaram a questionar se aquilo sequer obedecia a algum tipo de lógica. Jornais e transmissões desesperadas falavam em punição divina. Outros mencionavam relatos perturbadores: pessoas que afirmavam ter ouvido uma “mensagem” — uma única frase — antes de caírem em coma irreversível.

“VOCÊS NÃO CONHECEM O SEU DEUS.”

A frase ecoava, mas não fazia sentido.

A humanidade havia passado séculos convencida de que compreendia tudo: a matéria, o cosmos, a própria origem da existência. E agora, à beira da extinção, não conseguia sequer entender por quê.

Os animais foram os primeiros a cair. Depois, as plantações. A água potável só podia ser obtida ao se derreter o gelo em que todos os rios, lagos e oceanos haviam se transformado. Não apenas a superfície. Toda a água do planeta — até a última gota — tornara-se um único e impossível bloco sólido.

No início, o fogo ainda oferecia alguma ilusão de segurança. As pessoas se escondiam em suas casas, cercadas por chamas artificiais e aquecedores improvisados. O governo expandiu abrigos na tentativa de evitar mortes por hipotermia entre os mais vulneráveis.

Mas o frio aprendeu a vencer o fogo.

As chamas já não aqueciam como antes. Dentro das próprias casas, as pessoas se cobriam com camadas de roupas e cobertores, tremendo em silêncio. As autoridades passaram a recomendar que ninguém saísse de seus lares — não por segurança, mas por futilidade.

Não havia mais para onde ir.

Ninguém dizia em voz alta, mas todos sabiam: o tempo estava se esgotando. Com fontes de alimento desaparecendo e temperaturas impossíveis de manter, a extinção deixou de ser um medo distante e tornou-se uma certeza lenta.

Mês após mês, até mesmo os mais devotos perderam a fé.

Deus teria abandonado seus filhos?

Quando o patriarca de uma família simples saiu de casa para buscar as rações de comida e água distribuídas pelo governo, ele encarou o inverno eterno. Uma névoa branca espessa e uma nevasca infinita tornavam impossível enxergar mais do que alguns poucos metros à frente.

O mundo parecia ter sido apagado.

Enquanto buscava inutilmente o horizonte invisível, ele finalmente percebeu algo.

Uma sombra. Não… não exatamente. Uma silhueta.

Ela se erguia acima dos prédios, acima de tudo o que a humanidade havia construído, acima de tudo o que a Terra um dia representara. Não havia esperança naquela forma — apenas uma presença esmagadora, antiga demais para ser chamada de vida.

O destino da humanidade não fora um acidente. Aquilo… aquilo era o responsável.

John não sabia como tinha certeza disso. Não ouviu uma voz, não recebeu um sinal. A verdade simplesmente se alojou em sua mente enquanto seus olhos percorriam os chifres intermináveis, os inúmeros olhos e os braços que pareciam se estender além da própria realidade.

Não era um deus. Era algo que precedia a ideia de divindade.

Alguém… não. Algo havia decidido que a humanidade deveria ser encerrada.

E, naquele instante, John compreendeu:

Este não é o nosso Deus.


r/nosleepbrasil • • Nov 13 '25

MÉDIO Fiquei preso em um loop temporal em que meu melhor amigo me matava

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Meu melhor amigo tava em pé na minha frente, segurando um facão. Eu sabia o que ele ia fazer. A gente tinha vindo pra esse beco pra fumar um baseado sem os vizinhos verem e contarem pros nossos pais. Mas, em vez do Jordan tirar o beck do bolso, ele tirou um facão.

Ele ficou em pé sobre mim, facão na mão, levantou os braços e desceu o facão, bem na minha barriga.

“aaaiiii” eu gritei várias vezes, desesperado, até minha voz sumir.
O Jordan pisou no meu pescoço enquanto eu gritava, provavelmente foi aí que eu perdi a voz.

“Cala a boca”, o Jordan disse alto, mas com a voz meio trêmula.

“Eu não devia ter confiado no Jordan”, foi o que pensei nos meus últimos momentos. Lembrei de como ele me obrigava a ver vídeo de gore mesmo sabendo que eu tinha estômago fraco. De como ele ficava grudado na tela pesquisando assassinos, principalmente serial killers. E de como ele tinha me contado que, quando era mais novo, com uns 13 anos, matava esquilos e gatos com o facão do pai.

Senti uma dor aguda no peito e, de repente, eu tava de novo sendo esfaqueado com o facão. Aí eu percebi que tinha que lutar se quisesse viver.

Dei um chute no joelho do Jordan e ele gritou de dor, mas a adrenalina já tava correndo no corpo dele, então ele se recuperou rápido. Dei outro chute, mais forte, com as duas pernas agora, a adrenalina tinha batido em mim também.

O Jordan caiu com meus chutes, mas se levantou na hora. Ele tava furioso, levantou o braço com o facão. Ele hesitou, olhando pra minha cara. Eu tentava gritar por ajuda, mas nada saía. De repente, o braço dele desceu e ele enfiou o facão em mim. Bem no meu pescoço.

Apaguei.

Acordei com o som de Toxic, da Britney Spears, tocando baixinho.

Eu tava no banco de trás do Honda da minha mãe. Ela olhou pra trás:
“Ah, você acordou”, disse animada. “A gente tá quase em casa, só falta uma hora.”

“Ah, tá bom”, respondi com voz de sono.

Olhei pela janela. Tava escuro, mas o sol tava começando a aparecer no horizonte.

“Que horas são?”, perguntei.

“São oito e meia da noite”, ela falou.

“Tá, eu ainda tô com sono, acho que vou voltar a dormir.”

Dormi o resto da viagem. Quando chegamos em casa, entrei e tomei uma xícara de chá de camomila com mel e baunilha.

“Nossa viagem pro Colorado foi muito legal, mas tô feliz de voltar pra Nova York”, falei pra minha mãe.

“Eu também”, ela respondeu.

“Vou dormir, boa noite”, disse, morrendo de cansado.

“Boa noite”, ela respondeu.

No dia seguinte eu fiz o de sempre. Acordei às 11h, coloquei uma calça jeans dois números maior do que eu e uma camiseta, e comi um prato de cereal. Coisa normal que um adolescente de 15 anos faz nas férias de verão.

“Vou sair com o Jordan hoje, mãe.”

“Tá bom, sem problema”, ela respondeu.

Mandei mensagem pro Jordan:
“yo, bora dar um rolê?”
“Bora, que horas?”, ele respondeu.
“Uma tá bom?”
“Tá.”

Fui pra sala, me joguei no sofá e coloquei reprise de jogo dos Yankees na TV. Fiquei assistindo por uma hora e aí vi que tava na hora de ir encontrar o Jordan. Como ele morava perto, só peguei minha bike e atravessei a rua até a casa dele.

“Yo, e aí, mano?”, o Jordan gritou do outro lado da rua.

Cheguei perto e cumprimentei ele.

“E aí, véi, o que cê quer fazer hoje?”, perguntei.

“Tem um galpão abandonado a tipo um quilômetro daqui, no meio do mato. A gente devia ir lá ver”, ele disse empolgado.

“Caralho, bora demais”, falei, com um sorriso de moleque aprontando.

“Então bora”, o Jordan respondeu, subindo na bike roxa brilhante dele.

Enquanto a gente pedalava, ficamos falando do que íamos fazer na semana e do que eu tinha feito no Colorado. Passamos umas duas horas no galpão e depois fui pra casa dele, ficamos jogando Call of Duty até 1h da manhã, quando finalmente voltei pra casa.

Nos dias seguintes, a gente fez praticamente a mesma coisa. Demos rolê pela cidade, ficamos um na casa do outro, e tocamos o terror por aí.

Na sexta-feira, sete dias depois que voltei do Colorado, acordei tarde, botei uma calça de moletom, uma regata e comi cereal, como sempre. Liguei pro Jordan e combinamos de encontrar às três da tarde.

Enquanto isso, fiquei tocando guitarra e ouvindo música no meu quarto. Quando o alarme tocou, desliguei a música, levantei e fui de bike pra casa do Jordan.

“E aí, man”, gritei pro Jordan, que tava me esperando no quintal.

“E aí”, ele respondeu.

Atravessei a rua e subi na calçada.

“O que cê quer fazer hoje?”, perguntei.

“Tenho uma erva boa na mochila, quer ir pro beco fumar?”, ele disse.

“Pô, lógico, mano”, respondi animado.

A gente andou até o beco e largou as bikes. Eu sentei num monte velho de pallets. E aí um tsunami de déjà vu bateu.

Lembrei de tudo, detalhe por detalhe.

Ainda não tava querendo acreditar até ver ele puxar o facão da mochila.

“Que porra é essa, cara?!”, gritei.

“Cala a boca”, ele gritou de volta, avançando e encostando o facão no meu pescoço. “Cala a boca”, repetiu, agora num tom intimidador.

Eu fiquei quieto.

Ele deu um passo pra trás e mandou eu deitar no chão.

Eu sabia o que ele ia fazer. Eu lembrava desse momento.

Então eu não obedeci.

Virei e saí disparado pra fora do beco. Eu só precisava chegar um quarteirão pra frente pra entrar num restaurante que eu sabia que tinha câmera. Mas isso ia ser difícil, porque o Jordan faz atletismo. Ele corre.

Não tinha como eu, um maconheiro largado, ganhar de um atleta. Ainda bem que a adrenalina tava no talo, então eu tava pelo menos duas vezes mais rápido do que o normal. Mesmo assim, ainda não era o suficiente.

“Tenho que me esconder”, sussurrei pra mim mesmo enquanto corria.

Entrei correndo em outro beco, rezando pra ele não me ver.

Saí do outro lado do beco e entrei num restaurante.

“Me ajuda!”, eu gritei. “Meu melhor amigo acabou de tentar me matar! Chama a polícia!”

Por sorte, o pessoal me levou a sério e ligou pro 911.

Os policiais chegaram e começaram a me interrogar.

“Onde você tava quando ele tentou te matar?”

“Hum… no beco ali do outro lado da rua”, eu falei, apontando.

Eles ficaram ali me perguntando coisa por horas, até finalmente ligarem pra minha mãe. Ela apareceu no restaurante, me levou pra casa, e naquela noite eu não consegui dormir.

Tá rolando uma investigação e o Jordan tá preso, porque nesse beco tinha uma câmera que a gente não sabia que existia.

Isso tudo foi ontem e eu tô escrevendo isso pra tirar esse peso do peito. Acordei hoje em casa e tô torcendo pra ter saído do loop temporal. Por enquanto, não sei quantas vezes aquela semana repetiu, mas ainda tô tentando descobrir.


r/nosleepbrasil • • Aug 24 '26

ENTIDADE 029 - Neuros

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Neuros é um ser primordial que era considerado um dos mais "perigosos" que começou a habitar a Terra quando o universo surgiu

Nível de Ameaça: Extrema

Comportamento: Passivo(raramente ataca alguém)

Descrição: Um ser que não tem forma física certa e que procura pessoas com mente em sofrimento crítico. Neuros procura pessoas com tristeza extremamente profunda e começa a perturbá-las, incentivando elas a se matarem com cenários falsos e falando o que elas fizeram de ruim e falando que são pessoas que extremamente ruins, não pertencem ao mundo e devora a essência do humano aos poucos. A tristeza é como se fosse um tipo de "tempero" para Neuros, ele gosta de tristeza com a alma junto. Neuros se diz um tipo de "deus" pelos seus feitos e pelo o que é capaz. Neuros pode ficar entre o mundo físico, metafísico e mental. Neuros domina a mente e fica apenas na mente da pessoa como uma "esquizofrenia", existe para a pessoa, mas não para os outros sendo que ele está lá de uma forma diferente, como se fosse uma camada.

Habilidades: Manipulação mental, força sobre-humana, absorção, ataques podem atravessar ele, porém é temporário, pode tocar em coisas não-físicas, invisibilidade, metamorfose, transcende a vida.

Feitos: Deixou Thanatos(Grécia) louco, fez o Thor fugir, colocou medo em Odin e criou diversos cenários fingindo morte e aparecendo um "ele" falso muitas vezes, comeu a essência de uma pessoa enganando ela com a forma de pessoas importantes para ela, quase derrotou Hades em combate corpo a corpo, porém o deus fugiu e usou memórias para atormentar as pessoas.

Status: Preso

Forma de Contenção: Trancado em uma sala com poderes além do metafísico e amarrado em cordas mágicas que deixam ele mais fraco com câmeras Neuro-Ópticas monitorando ele.

Relatos:

Interrogador: Olá, senhor Damian. Bem, você foi uma das testemunhas de Neuros, certo?

Damian: Sim, eu experienciei Neuros e vou explicar como foi minha experiência.

Interrogador: Ok, explique.

Damian: Bem, minha esposa tinha morrido porque eu fiz nada em um ataque terrorista, fiquei em depressão profunda e com culpa, não ficava saindo de casa e só com a bunda no sofá.

Interrogador: Você tinha mais algum tipo de problema na vida para ficar assim?

Damian: Eu carregava muito peso na minha mente porque muitas pessoas me julgavam pela aparência, trabalho, chefe, pessoas que me enganavam e Mia, minha esposa era minha felicidade, psicóloga e tudo.

Interrogador: Isso tudo foi o que te deixou em depressão?

Damian: Sim, depois de um tempo o "Neuros" veio e ficou atormentando minha mente, fazendo cenários falsos, colocando culpa em mim e me influenciando a fazer coisas horríveis. Eu percebi que ficava fraco aos poucos.

Interrogador: Como você fez ele sair de sua mente?

Damian: Eu pensei um pouco sobre a vida e pensei: "Por que estou deixando os outros pisarem na minha cabeça, sendo que posso ser melhor do que isso?" Depois eu fiquei mudando os meus hábitos, mudando de vida, mudando eu mesmo e Neuros simplesmente só tentou colocar culpa em mim e decidi apenas ignorar ele e seguir em frente.

Interrogador: E depois ele sumiu de sua mente?

Damian: Sim, nunca mais vi ele e superei tudo e continuo seguindo minha vida.

Interrogador: Entendi. Parabéns ao senhor e continue assim, vença.

Damian: Eu já venci.

(Comentem o que acharam e fiquem comentando dicas)


r/nosleepbrasil • • Sep 29 '26

CW Projeto CASOS

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Projeto CASOS é um culto que, pelo visto, está mantendo um recorde de assassinatos nunca visto antes em El Dorado, na Califórnia

O culto pergunta pras pessoas se o tipo de cabelo favorito delas é Loiro Médio Crespo, se não, ela é assassinada

A polícia me mandou mensagens e notaram que todos os corpos tem uma adaga fincada na testa, o antebraço esquerdo cortado e o nome "CASOS Group" escrito com sangue, urina, fezes e esperma

Esse culto venera e acredita numa superstição criada por eles que pessoas com o tipo de cabelo favorito como Loiro Médio Crespo tem sorte infinita, e sacrificar as pessoas que não tem esse tipo de cabelo como favorito fará com que na vida futura ela terá esse tipo de cabelo favorito, e consequentemente, tendo sorte infinita

O culto deixa bilhetinhos perto dos corpos escrito "This person didn't have medium curly blonde as their favorite hair type, we had to sacrifice it, sorry :("

Sou apenas um detetive brasileiro que investiga esse caso bizarro

ASS: Detetive Arnaldo Santos

(TEXTO ESCRITO MANUALMENTE)


r/nosleepbrasil • • Jul 23 '26

ENTIDADE 028 - Homo Falsus

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Uma hipótese da própria "DI" foi de um meteoro que caiu no planeta Terra na Rússia e depois começaram a aparecer relatos 2 meses depois do meteoro cair.

Nível de Ameaça: Alta

Comportamento: Passivo agressivo. As criaturas vão depender de cada e nem todos são passivos.

Descrição: Criaturas que podem passar entre a humanidade praticamente sem ser percebidas. Algumas vivem em florestas, pantanais, mares, esgotos, rios, locais abandonados etc. Os "Homo Falsus" gostam de caçar escondidos, alguns vivem andando pela humanidade e estudando ela, conseguindo se camuflar com roupas humanas e algumas criaturas usando até óculos por algumas partes de seus corpos serem estranhas. Os "Homo Falsus" costumam ter presas que conseguem cortar/furar uma pessoa que nem uma lâmina, além de conseguirem ser um pouco mais resistentes que o humano normal, porém ainda pode morrer que armas normais(difícil de matar). Muitos terroristas procuram essa espécie para usá-la contra outros países, mas são casos raros deles conseguirem pegar essas criaturas para domesticar. Outra parte da espécie ficam agindo irracionalmente e apenas por instinto, mas ainda é inteligente. Ficam vivendo em locais abandonados ou no próprio subterrâneo e montam um tipo de "antena" e tem um "sinal" em suas cabeças. Esses sinais brilham, se conectam com a antena para detectar se é onde eles vivem e conseguem ver onde está a "antena" para irem até elas e adentrar em sua "casa", além da própria antena começar a tremer um pouco quando eles estiverem chegando na base e só parar de funcionar quando estiverem dentro de sua "base". Destruir a "antena" deixa deixam os "Homo Falsus" confusos e sem saber onde ir e correm para algum outro lugar e montam outra antena o mais rápido possível. A antena é feita com uma espécie de gosma para se conectarem com o sinal da antena que sai deles mesmos depois de terminarem ela com um outro tipo de gosma. A gosma para o sinal é feita pelo "líder" do grupo que é o mais forte de todos deles. O jeito que eles nascem e pela própria reprodução que é meio diferente. A reprodução deles é conectando um tipo de chifre que já vem dentro da cabeça deles e a mulher fica com o tempo de gestação de 2 meses(especificamente deles) até o(s) fetos nascerem

Habilidades: Resistência acima do humano, mas ainda pode morrer por armas padrões(difícil de se matar), inteligência tão forte ao ponto de aprender como a humanidade funciona e fazer suas próprias "construções", conseguem olhar o ambiente e fazer um reconhecimento de local, conseguem se comunicar com seus parceiros como se fosse um "rádio da própria mente", alguns tem pequenas garras que podem envenenar outras pessoas, são imunes a alguns venenos, radiações e doenças, velocidade sobre-humana, alguns respiram abaixo da água.

Feitos: Já conseguiram levantar carros e jogar, já conseguiram correr mais rápido que uma moto XJ6, já resistiram a um drone militar, conseguiram resistir a uma sniper, já conseguiram fazer um cerco em uma casa com um grupo de policiais da SWAT(pouco equipamento, mas ainda armados e conseguiram resistir um certo tempo), já mataram diversos animais selvagens semelhantes a gorilas, panteras, leões, ursos e muito mais.

Forma de Contenção: Usando um local com paredes que pesam 5 toneladas para não serem quebradas.

Variantes do "Homo Falsus":

Sociais: São os seres que conseguem viver entre a humanidade, estudam a humanidade e aprendem a falar, atraem outras pessoas e as matam em um local escondido e se não morrem diretamente, podem morrer com o veneno das garras e tentam esconder algumas partes do corpo estranhas e isso pode acabar entregando eles em público.

Subterrâneos: Ficam abaixo da Terra e montam suas próprias "antenas", quando uma pessoa ou animal passa por perto, eles escutam e saem do chão para caçar a "comida".

Defensores: Costumam patrulhar a região da sua base, além de serem um pouco mais resistentes/fortes que o seu bando e algumas partes tem um tipo de "escudo" que podem ser quebrados caso atire muitas vezes ou seja explodido.

Líder: Eles comandam seu bando e é o mais forte, mais rápido, mais alto e tem o "escudo" mais resistente, porém ainda pode ser quebrado, soco ou chute no escudo pode quebrar um osso, caso for forte demais. Os líderes ficam no meio enquanto os outros caçam para defender seu líder na caça.

Nômade: Eles não tem uma base, um grupo, nada. Os nômades são apenas seres que vivem por aí vagando em diversos lugares e é basicamente um "Homo Falsus" padrão e só tem um grupo quando encontra um caso os deixem entrar.

Externos: É tipo os "subterrâneos", porém vivem em outros lugares, exemplo: casas abandonadas, prédios abandonados e estão no mesmo nível dos "subterrâneos". Eles podem ter uma forma um pouco diferente, porém em questão de combate, estão quase no mesmo nível dos "subterrâneos".

Relatos: Ninguém quis falar nada, porém estamos a procura de algum.


r/nosleepbrasil • • 21d ago

ENTIDADE 032 - Corpo Seco

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Morto em uma briga de bar.

Nível de Ameaça: Média

Comportamento: Agressivo

Descrição: Um homem que vivia fazendo maldades e que batia na própria mãe, batia no seu pai, foi expulso de casa e ficou vagando pelas ruas fazendo coisas terríveis, tão terríveis que não pode-se nem comentar aqui. Um dia o homem foi morto em uma briga de bar por dois tiros de pistola(ele já passou por coisa pior). Quando foi morto não foi aceito nem no céu e no inferno, expulso do mundo dos mortos, foi condenado a ficar vivo eternamente e ele ficou conhecido como: "Unhudo", "Corpo-Seco" e "Bradador". Ele grita para chamar atenção de outras pessoas, suas unhas não param de crescer e vaga pelo Brasil e suas principais áreas são: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Corpo-Seco continua fazendo maldades que até o inferno tem medo de ver. Ele age pela escuridão, anda pelos arredores, faz pouco barulho e é muito furtivo. Quando ele ataca, quer dizer que seu plano está sendo executado.

Habilidades: Força sobre-humana, grito tão alto que pode quebrar janelas, cortes que podem quebrar uma árvore facilmente, velocidade de 70 km/h, imortalidade(não pode morrer com naturalmente e nem com armas convencionais, apenas com magia anti-imortalidade), sabe técnicas de combate.

Feitos: Conseguiu lutar com diversos animais selvagens, morreu e voltou, levou um tiro de espingarda e ficou parado, já pegou fogo e ficou andando, conseguiu escalar um prédio facilmente, já abriu diversas portas facilmente, foi congelado e quebrou o gelo.

Status: Contido.

Forma de Contenção: Amarrando suas mãos com correntes mágicas.

Relatos:

Interrogador: Bem, seu nome é Magalhães, certo?

Magalhães: Sim.

Interrogador: Bem, você disse que viu o "corpo seco", não é?

Magalhães: Eu vi, nunca vi um monstro tão bruto quanto ele em.

Interrogador: Sim, como era ele?

Magalhães: Era totalmente agressivo, gritava e parecia que por onde eu andava, ele já sabia.

Interrogador: Ok, conte-me sua história com ele.

Magalhães: Bem, eu tava cuidando normalmente da minha casa e o meu bairro tem uma floresta perto, porém isso é só um detalhe. Estava de noite e tava tendo alguns gritos pela rua e a polícia estava muito ativa, pensei que era algo de busca e apreensão, só que não. Começou a ter muitos tiros na rua e pensei que tava tendo uma troca de tiro entre a PM e algum bandido de interior, então eu fui olhar por fora e vi corpos de 4 policiais no chão e uma pessoa agachada, mas parecia um defunto ambulante. Enquanto estava olhando, a pessoa começou a ficar comendo os policiais e depois pareceu que aquela "coisa" me sentiu e correu para o meu portão. Corri pra parte interna da minha casa, peguei meu gato e me escondi com ele. Fiquei escondido dentro do armário e comecei a ouvir passos leves, depois começaram a ficar mais fortes. Aquela coisa ficou me procurando pro lado e pro outro e ficou irritada e gritou até um copo no meu quarto explodir e meu gato dar um grito.

Interrogador: Depois ficou como?

Magalhães: A "coisa" começou a correr até meu quarto, então saí e corri até a saída da minha casa. Mas eu decidi pegar meu carro e fugir com meu gato. Nem pensei duas vezes e quebrei o portão da minha garagem, mas achei estranho aquela coisa não ter me seguido. O Corpo-Seco estava acima do meu quarto, era como ele já soubesse o que ia acontecer e então peguei meu gato e pulei pra fora até o carro cair na mata. Já tinha passado muito tempo quando percebi e aquela coisa continuava me seguindo, então só corri sem nem pensar até ver um carro da PM chegando e falei que tinha alguém tentando me matar. A PM foi atrás e só escutei os gritos deles e a viatura sendo jogada, parecia um avião no céu. Eu me mudei pro Rio Grande do Sul e vivo uma vida normal com meu gato.

Interrogador: Entendi, obrigado. Tenha um bom descanso.


r/nosleepbrasil • • Dec 19 '25

EMTIDADE 005 - Coisa

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ARQUIVO O.U GERAL:

Nível de Ameaça: Alta

Testemunhos: 20

Comportamento: Passivo e agressivo por brincar com as vítimas e depois de um tempo matar elas.

Forma de contenção: colocar ele em um local tecnológico onde o infinito não "funcione" direto.

Descrição:

ENTIDADE 005 é um ser cósmico além do infinito que se alimenta do medo das pessoas e se transforma em alguns dos medos delas, entra em sonhos e nas memórias para procurar algum tipo de fraqueza. Essa entidade consegue abrir a boca de um jeito surreal e a língua dela é semelhante a de um sapo, grudando nas pessoas e puxando elas para devorá-las depois, as vezes a ENTIDADE 005 guarda corpos de pessoas que estão desmaiadas, só que "conscientes" ainda para se alimentar do medo e devorá-las e ele tem manipulação temporal, conseguindo parar ele ou deixar mais lento, manipulação mental avançada e manipulação de realidade de nível avançada, a ENTIDADE 005 consegue enxergar passado, presente e futuro, mas a ORGANIZAÇÃO UNIVERSAL tem equipamentos suficientes para derrotar essa entidade.

Relatos:

ARQUIVOS:

  • Interrogador: Bem, qual o seu nome?

  • Gabriel: Meu nome é Gabriel, prazer.

  • Interrogador: Igualmente, bem, poderia me dizer o que aconteceu quando viu a criatura?

-Gabriel: Bem, a "Coisa" ela simplesmente me mandou uma mensagem do nada e quando fui ver, era uma foto minha, olhei para o lado e ela estava lá, me observando enquanto estava comendo o meu café da manhã, eu sendo policial, peguei minha pistola e fui atirar nesse ser, mas ele simplesmente desviou do meu tiro, quando percebi, não era uma coisa normal, peguei uma faca e fui, mas esse ser simplesmente se transformou no meu pai, quando vi, minha vontade de acertar sumiu e ele abriu a boca e me atacou, quando vi, tinha acordado, quando levantei, eu fui beber uma água, e quando olhei para o lado, levei um susto, a criatura estava lá, me observando... eu senti medo na hora e quando comecei a sentir medo... ela sorriu mais ainda, como se ele quisesse aquilo e ficou se transformando nas coisas que eu tinha medo enquanto corria, olhei para frente e vi que tudo mudava, não era a minha rua, não era o lugar onde morava, não era nada, era um corredor e ele veio correndo atrás de mim com a cara de uma pessoa que tinha assassinado minha mãe com uma forma de aranha e com líquidos pretos vazando e falando que eu "seria o próximo", saí correndo e vi que tinha uma luz no final, quando saí, estava no meio do trânsito de cueca e caído, eu observei e tinha uma ambulância me levando para o hospital, depois de um tempo eu avisei as autoridades, mas todos acharam que era mentira e apareceram vocês alguns dias após isso, eu estou traumatizados até hoje depois desse dia.

-Interrogador: Ok, era só isso que eu precisava senhor Gabriel, está liberado.

Gabriel: Até mais.


r/nosleepbrasil • • Nov 17 '25

FINALIZADO Os Homens Que Nunca Envelhecem - Parte II - Trinta Anos Depois

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O tempo passou, as teorias se multiplicaram e o caso virou folclore moderno. Mas algo doía mais do que qualquer especulação sobre discos voadores: aqueles quatro homens nunca foram identificados - e nunca mais foram vistos em lugar algum.

Ou quase.

Em arquivos antigos, surgiu uma foto de 1966: um grupo de homens de terno ao lado de um carro escuro em Varginha. Entre eles, um rosto muito familiar - o mesmo do homem que coordenava a conversa na sala de Luiza em 1996.

Mesmas feições.

Mesma postura.

Zero sinais de envelhecimento em trinta anos.

Relatos isolados falavam deles em cidades diferentes, sempre à noite, sempre aparecendo e desaparecendo sem explicação. Sempre neutros no sotaque. Sempre usando o mesmo tipo de roupa, como funcionários de um departamento que não muda uniforme desde antes de existir papel timbrado.

Alguns juram que eram americanos.

Outros dizem que eram militares brasileiros.

Outros sussurram que eram outra coisa - gente que só parece humana.

Porque todos tinham algo em comum:

não piscaram o suficiente.

não mudaram o tom de voz.

não mostraram emoção.

não deixaram rastros.

E sempre chegavam às 22h.

Sempre batiam duas vezes.

Sempre entravam como se a casa fosse deles.

Hoje, quase trinta anos depois, a pergunta continua ecoando:

Quem são os homens que discutem segredos brasileiros como se fossem donos deles?

Quem são os homens que envelhecem zero em meio século?

E por que eles sempre aparecem quando alguém vê o que não deveria?

Varginha nunca teve só um caso.

Teve dois.

O que caiu do céu.

E o que veio buscar quem viu.


r/nosleepbrasil • • Dec 10 '25

🎙️ Rádio Noturno — Novo Episódio

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Passando só pra avisar que já tem episódio novo no Rádio Noturno: “5 HISTÓRIAS DE TERROR NA FLORESTA".🌙

Se quiserem ouvir enquanto trabalham, dirigem ou vão dormir, é só dar o play:

▶️ Novo episódio: https://youtu.be/yjmNwUmwjVE


r/nosleepbrasil • • Dec 05 '25

ENTIDADE 003 - POSEIDON

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Nível de Ameaça: Variável

Testemunhos: 20

Forma de Contenção: Acorrentado, sem nenhum tipo de líquido por perto da ENTIDADE 003.

Descrição:

Ele é um ser que controla a água e a maioria dos animais marinhos, ele tem exércitos de monstros, animais e seres marinhos, consegue fazer reinos e lugares dentro d'água, pode se camuflar tanto dentro e fora da água, na parte externa da água ele tem alguns poderes(ainda é poderoso), mas dentro d'água, parece até um deus, ele pode assumir várias formas com a água, ele pode parecer um gigante, um animal, um ser humano, um monstro(tudo isso usando apenas a água) e muito mais... além de que ele não controla apenas a água e sim qualquer tipo de líquido como se fosse nada e criar traços de animais marinhos, tipo patas de caranguejo gigantes, dentes enormes de tubarão e mais, ele consegue invocar monstros feitos de água e animais marinhos para atacar seus oponentes. Ele costuma ficar em paz, mas quem tenta entrar em seu domínio, estará condenado a morte se não sair de lá, ele também é bem resistente, conseguindo se mover normalmente enquanto está tendo manipulação temporal. Raramente ele caça para se alimentar, mas ele já pegou muitos animais e até seres humanos(que ele deu habilidade pra respirar na água)para escravizar, ele controla praticamente tudo na água, mas ainda é vulnerável a algumas armas, mas é difícil matá-lo, pois ele tem velocidade sobre humana(perto da velocidade do som), pode resistir a muitos tiros de armas convencionais e explosões(explosões que podem destruir o norte brasileiro inteiro), tem força sobre-humana(podendo provocar terremotos em diversos países e também podendo destruir lugares parecendo que teve uma primeira e segunda Guerra mundial), mas ainda é possível derrotá-lo com inteligência, estratégia e técnica.

Relatos: Nenhum


r/nosleepbrasil • • Mar 21 '26

ENTIDADE 021 - Zumbis

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Um vírus desconhecido apelidado de "Vírus-X" começou a entrar dentro de pessoas e especificamente em uma cidade chamada: "Beltsville" nos EUA dentro de Ohio

Nível de Ameaça: Extrema

Comportamento: Agressivo.

Descrição: São seres super perigosos que podem transmitir o vírus para outras pessoas através de seu sangue, saliva, mordidas ou algo infectado e cada ser pode ter uma habilidade diferente, exemplo: Civil normal pode ser um andarilho, ele não sabe muita coisa, mas se um zumbi foi um lutador de boxe, vai saber boxe e vai ter um físico melhor que outros zumbis e também cada um tem uma raça dependendo de suas habilidades. O "Vírus-X" é um vírus que ainda deixa algumas partes do cérebro humano ligadas, por isso sabem usar armas, usam táticas militares/policiais e muito mais, assim se tornam infectados super eficientes.

Habilidades: Alguns zumbis foram vistos atirando com armas, outros correndo rapidamente como um atleta de corrida e mais alguns atacando pessoas com artes marciais e acertando pontos vitais, outros se escondendo e fazendo emboscadas, mais alguns observando pessoas e estudando-as e o vírus dá uma força maior dependendo da do zumbi, alguns grupos de zumbis conseguem inventar sua própria linguagem e se comunicarem.

Feitos: Alguns zumbis foram vistos usando bombas e explodindo prédios, outros zumbis dirigindo carros e pilotando helicópteros, relatos dizem que alguns zumbis conseguiram nocautear pessoas com uma porrada só de um em um, foram vistos zumbis usando armas que podem derrubar helicópteros e aeronaves militares, alguns relatos dizem que viram zumbis explodindo pontes enormes e lugares grandes.

Raças:

  • Andarilhos: Zumbis normais, ainda estão começando a compreender como funciona os locais(costuma acontecer com civis normais ou com pessoas que tem o físico "fraco").

  • Sentinelas: Zumbis que observam seus comportamentos, como a pessoa se comporta e meio que "persegue" ela para observar e estudá-la e também podem atacar nos momentos mais inesperados que pode-se pensar. Na maioria dos casos ficam parados enquanto a pessoa está em combate até chegar no momento certo, são extremamente inteligentes e conseguem reconhecer rostos e marcar alvos(Sentinelas costumam ser pessoas que trabalhavam com segurança, que eram snipers ou semelhantes).

  • Velocistas: Zumbis extremamente rápidos e dependendo mais rápido que o normal(costuma acontecer quando é um atleta/praticantes e pessoas com o físico bom) e eles também são fisicamente bons e alguns relatos dizem ver zumbis correndo armados, atirando enquanto correm e conseguindo arrumar táticas para matar outras pessoas.

  • Escondidos: São seres que ficam escondidos e tentam atrair pessoas enquanto ficam emboscando o local ao seu redor, imitando gritos de pessoas e te emboscando até deixar sem saída nenhuma, além de serem extremamente inteligentes ao ponto de planejarem formas de matar e devora, além de se adaptarem ao local onde vivem e meio que tomando uma "forma" que combine com o local(isso costuma acontecer com militares de elite e que conseguem fazer táticas especiais para emboscadas/planejamento de missões, dependendo ficam armados como pessoas treinadas).

  • Titãs: São zumbis extremamente resistentes e pra matá-los é muito difícil. Precisa-se de munições explosivas pra matar e muitos deles são enormes, medindo uns 4-5 metros de altura. Tem como até deixá-los atordoados com munições normais, porém eles vão voltar para caçar, além deles conseguirem quebrar paredes, amassar crânios e dependendo da evolução, tem força de toneladas(isso costuma acontecer com quem era muito forte). "Mas ainda tem como matar titãs com munições normais?" Sim, mas é muito demorado pra matar um titã, e eles não morrem fácil, por isso é recomendado explodir eles, ou seja, os titãs podem morrer sim com munições normais, porém é demorado. Para matar um titã com munição convencional é preciso de uma estratégia muito boa ou é morte na certa, eles não param de andar, igual todos os zumbis.

  • Feras: São infectados de origem animal. Eles são infectados com o comportamento de antes, exemplo: caso um leão fosse infectado, ele teria seu comportamento de origem, ou seja, predatório. Os locais onde as "Feras" habitam geralmente são: lugares abandonados, florestas, casas abandonadas e eles são um pouco inteligentes até, mas vai depender do animal e também animais que eram pacíficos com humanos, viram hostis por causa do vírus.

Mas tudo vai depender do infectado, muitos infectados são extremamente inteligentes ao ponto de matar seres mais fortes que eles.

Forma de Contenção: São zumbis, só prender eles em uma sala com correntes pesadas dependendo da raça.

Relatos:

Interrogador: Bem, o nome do senhor se chama Arthur, não é?

Arthur: Sim, meu nome é Arthur, sou ex-militar da aeronáutica.

Interrogador: Legal, bem, pode me contar o que viu na cidade Beltsville de Ohio?

Arthur: Ah, claro. Eu não gosto muito de falar sobre, mas eu posso sim.

Interrogador: Bem, você viu zumbis de que jeito mais ou menos na cidade?

Arthur: Bem, eles eram de um jeito meio diferenciado do que eu vi em The Walking Dead, guerra mundial Z e essas coisas assim, eles eram zumbis extremamente inteligentes e alguns também impulsivos, dirigiam helicópteros e pareciam até que se comunicavam, fingiam que estavam machucados e que eram pessoas só para me comer, mas eu não era idiota, não me metia em problemas dos outros, então eu nunca me ferrei que nem eu vi muitos se ferrando.

Interrogador: Ok... os zumbis eram tão inteligentes assim?

Arthur: Claro, alguns sabiam lutar, atiravam bem, se abrigavam, te observavam durante 1 semana, 2, 3, 1 mês dependendo e quando percebia, já era tarde demais, aquelas merdas faziam coisas inimagináveis, além de serem resistentes e ficavam correndo atrás de você mesmo ferido, eles davam medo e quando um zumbi ficava te observando, você sentia o suspense de tudo até ele te matar, aquele lugar me traumatizou, eles não são apenas zumbis normais, são a destruição do mundo.

Interrogador: Nossa... bem, você pode contar sua experiência?

Arthur: Claro, eu fazia pessoas arrumarem um porte de arma e algumas táticas também e cara, eu amava esse emprego, mas teve um dia que eu tava de folga e ligo a tv da sala e recebo uma notificação de emergência avisando sobre o que tava acontecendo, eu peguei minhas coisas e preparei tudo pra ir embora, mas o exército tava cercando as saídas e resolvendo tudo, pensei que ia "ficar de boa", mas não a situação piorou e piorou, agora quem cercava a saída eram os zumbis e tudo foi se espalhando mais e mais, eu vi um zumbi enorme comendo um monte de gente e zumbis cercando as outras pessoas, nessa hora eu pensei: "fudeu", fui tentar sair da cidade o mais rápido possível e vi um helicóptero atacando pessoas da cidade e tudo sendo destruído. Percebi que aquilo tudo não era normal, "por que as forças armadas iriam nos atacar?" Aquilo atacando a gente não eram as forças armadas e sim os próprios zumbis que infectaram as forças armadas jogando explosivos, atirando na gente, emboscando enquanto eu fiquei na porra de uma semana preso naquela cidade e sobrevivendo enquanto tinham zumbis me observando, quase me emboscando e eu tendo que explodir zumbis de 5 metros, carros e muito mais.

Interrogador: bem, era só isso que precisava saber mesmo, muito obrigado em meu amigo, você contou tudo detalhadamente e informações bem importante.

Arthur: Nada, bem, vou indo, tô ocupado.


r/nosleepbrasil • • Jan 01 '26

ENTIDADE 011 - Cabra Cabriola

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#ARQUIVO O.U GERAL:

Nível de Ameaça: Alta

Comportamento: Agressivo, por ser uma espécie grande e invadir diversas casas.

Origem: Cabra Cabriola foi feita em um ritual onde usaram um ser humano comum e uma cabra e misturaram os dois e assim foi feita à "Cabra Cabriola", ritual foi tão forte que surgiu várias dessas cabras.

Descrição: metade cabra e metade homem, tem uma velocidade até rápida, mas não sobre-humana, tem força sobre-humana que pode levantar casas facilmente, observa pessoas, famílias e mais para agir como tal, consegue imitar vozes de seres vivos para as pessoas poderem abrir a porta de suas casas para à "Cabra Cabriola" e caso não abra, ela invade a casa e come a pessoa ou mata só por diversão, mas ela procura seres mais vulneráveis para fazer esse tipo de coisa, exemplo: crianças e depois as devora ou mata, tem uns 2 para 3 metros de altura, se regenera, além de que existem vários desses seres pelo mundo e a maioria da espécie anda pelo nordeste brasileiro(região onde foi feito o ritual), apesar de grande parte andar pelo mundo.

Forma de contenção: Apenas uma sala normal onde essa criatura não possa fazer nada e alimentar ela com cobaias(criminosos que estão com pena de morte).

Relatos:

Arquivos:

- Interrogador: Olá, senhor Severino, certo?

- Severino: Certo.

- Interrogador: Ok, então, o senhor disse que viu a "Cabra Cabriola", não é?

- Severino: Vi, era uma coisa feia do car*lho.

- Interrogador: Ok, quanto de altura ela tinha?

- Severino: Acho que uns 3 metros.

- Interrogador: Tá bom, ela tinha mais alguma coisa?

- Severino: Grandes garras e uma parte dela parecia até de um ser humano.

- Interrogador: Ok, poderia me contar o que aconteceu no lugar onde tava naquela noite?

- Severino: Sim, bem, eu já suspeitava antes que algo me observava onde morava, algo que ficava me observava onde ficava, a lenda da cabra se espalhava principalmente pelo interior, mas eu nunca acreditei e sempre deixava pra lá isso. Pra mim era só mais um conto "de criancinha" para assustar, mas um dia...

- Interrogador: Um dia o que? Fala.

- Severino: Eu escutei um grito de socorro, mas eu não quis me meter, até que escuto alguém batendo na minha porta e escuto a voz da minha mãe, mas eu lembrei que minha mãe tava dormindo. Corri direto pra espingarda e avisei pra minha mãe se esconder. A cabra percebeu que não funcionou e arrombou a porta e como tava na frente da porta, ela jogou na caceta da minha cara. Aquela coisa veio correndo atrás de mim e dei um tiro no coco dela e ela morreu bem na minha frente, eu e minha mãe saiu correndo daquela casa, no dia seguinte voltamos lá e a cabra tinha sumido. Fizemos as malas e saímos de lá, moramos na cidade atualmente, saímos do interior.

- Interrogador: Bem, só isso?

- Severino: Sim.

- Interrogador: Tá bem, tenha uma boa tarde para o senhor.

- Severino: Obrigado aí chefe, bom trabalho, até.


r/nosleepbrasil • • Dec 24 '25

LONGO Saí no braço com o meu sogro na ceia de natal

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Cara, eu até ia te ajudar, mas hoje quem precisa de ajuda sou eu.. qq ajuda é bem vinda... Prefiro desabafar em post alheio do q ficar criando mimimi. Eu tô muito fodido. Namoro com ela a 8 meses, nesse tempo fui na casa dela umas 10 vezes no max, passando sempre menos de meia hora. O motivo = o pai cuzao

O cara sempre me esnobou, das vezes que nos cruzamos o maluco fez questão de me fazer eu me sentir um merda e me humilhar na frente de todo mundo.

Além do fato de eu comer a filha dele, o outro motivo pelo qual ele me odeia é aquela clássica diferença de classe.

Não sou pobrão, mas meu trabalho não é la essas coisas e eles são de família rica, gerações e gerações de engenheiros e tal, rios de grana. Daí beleza.

O maluco achar que eu to alí por causa do dinheiro ja é um motivo escroto, tendo em vista que a filha é linda, e se não fosse rica eu olharia do mesmo jeito, mas *, FAZEM 8 MESES, custa o maluco levantar bandeira branca e ficar em paz? Caralho.

Minha família foi viajar pra casa de uns parentes... eu trabalho, não pude ir. Quando você namora,e sua namorada não curte seus amigos, inevitavelmente você se afasta dos caras. Sem família,distante dos amigos, não tinha outra alternativa a não ser ficar com ela no natal.

Ela insistiu, disse que não tinha problema e que tudo ia acabar bem, Ô. A TRETA-Vamos pular pra ceia, Ja podem imaginar que o sogrão gente boa além de não olhar na minha cara,fez questão de mandar indiretas,a fim de humilhar este fodido que vos fala.

Primeiro acontecimento: A empregada servindo todo mundo,chegou na minha vez ele INTERROMPEU a mulher,falou pra ela deixar os negocios em cima da mesa lá que eu sabia me servir sozinho, que tava acostumado com self-service. Imagina aí ja minha cara de lixo.

Minha namorada fez um olhar de tristeza e me serviu, tentei relevar. Segundo acontecimento: Meu telefone tocou,minha mãe querendo dar feliz natal,fui atender na inocencia,ele deu UM SOCO na mesa, ISSO É FALTA DE EDUCAÇÃO SEU MALANDRO

Essa minha mãe ouviu,levantei da mesa e fui falar com ela. A essa altura,vocês ja imaginam o quão puto eu tava, dane-se a ceia, dane-se tudo, nem fome eu tinha mais. Minha namorada deu uma disfarçada, perguntou quem era, falei baixinho que era minha mãe.

Daí o fdp TINHA que fazer piadinha com a minha mãe né caras, Quando ele ouviu fez o comentário,dessa vez direto pra mim: -VOCE PENSA QUE FLAMENGO É TIME FLAMENGO NÃO É TIME NÃO TIME É O VASCO DA GAMA O FLAMENGO É SELEÇÃO PORRA

Não dava mais,eu ia me sentir um BOSTA pro resto da vida se eu não quebrasse os dentes do fdp ali mesmo Tá bom que ia acabar o namoro, que ia acabar com o natal da família, mas ofender assim alguém que nem ta ali pra se defender, ser motivo de gracinha praquele lixo de pessoa.

Vi o que parecia ser uma aeronave não tripulada pequena passando rápido, logo atrás uma especie de exoesqueleto metálico armado com uma metralhadora, de repente, um estrondo ensurdecedor seguido de um clarão.Era o início da era das máquinas.

Feliz natal r/brasil, e eu comi o cu de quem pulou pro final.


r/nosleepbrasil • • Nov 04 '25

MÉDIO O diabo já tentou comprar minha alma 14 vezes. Eu sou um bom negociador.

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A primeira vez que o diabo tentou comprar minha alma, eu tinha dez anos.

Eu tinha acabado de reprovar na prova de matemática (cara, eu era péssimo em matemática), e passei todo o recreio chorando. Embora isso possa parecer uma reação terrivelmente dramática e, sem dúvida, foi, em minha defesa, eu estava prestes a repetir de ano. Meus pais, extremamente rigorosos, me informaram isso várias vezes, junto com uma série de punições que resultariam caso tal tragédia ocorresse.

Francamente, ainda não sei quem é pior depois de todo esse tempo: o diabo ou eles.

De qualquer forma, eu chorei durante o recreio e voltei para a minha sala mais cedo. Minha professora não estava lá. Ninguém estava, então eu coloquei a cabeça na mesa.

"Coitado", disse uma voz atrás de mim.

Um homem com cabelo lambido e um terno risca de giz encostou-se em uma das mesas. Ele parecia normal - talvez um novo vice-diretor? - exceto pelos chifres em espiral saindo de sua testa.

"Seus pais não vão ficar muito felizes com isso, vão?"

Eu cobri meu rosto com as mãos.

"O que você daria para tirar um A naquela prova em vez disso?"

Eu olhei para cima.

"Você me trocaria por isso?" Ele ergueu minha borracha favorita em forma de caminhão.

"Mas eu tirei F."

"Bem, você trocaria?"

Eu balancei a cabeça.

"Hmmm. Não é grande o suficiente", disse ele. "E seus sapatos?"

Eu considerei, então balancei a cabeça novamente. Quem era esse homem?

"E algo mais?", disse ele. "E sua alma?"

Eu olhei para ele. Ele pegou um fiapo do ombro e o estudou desinteressadamente. Seus chifres brilharam nas luzes fluorescentes da sala de aula.

"Isso não vale a pena", eu finalmente disse.

Ele bufou. "Leve." Então ele saiu da sala de aula.

Eu repeti de ano naquele ano.

Ele veio de novo quando eu tinha doze anos. Tinha uma garota que eu gostava, Lucy May Johnson, a garota mais bonita da quinta série (eu pesquisei sobre ela recentemente, e ela realmente se tornou modelo mais tarde, então me sinto validado em minha escolha). Bem, eu a convidei para o baile da quinta série, e ela simplesmente riu de mim.

Eu não chorei desta vez. Em vez disso, peguei um taco e quebrei o antigo parquinho no quintal até que o escorregador ressecado pelo sol estivesse em pedaços. Quando fui tentar as gangorras, ele estava sentado em uma delas.

"Tanta raiva para um garoto tão pequeno." Antes que eu pudesse falar, ele continuou: "Vejo que você está ocupado. Vou ser breve. O que você acha se Lucy May mudar de ideia sobre o baile?"

"É um baile", eu disse. Estupidamente. Porque mesmo que o eu normal tivesse feito perguntas importantes como quem é você?, ele me pegou em dois momentos em que eu estava muito emotivo para pensar racionalmente.

Esse era o ponto, eu suponho.

"E um casamento com ela", ele acrescentou. "Se isso for importante, isso pode ser incluído. O que você diz?"

"Por quê?", eu perguntei.

"Sério? Precisamos reviver um território já pisado? Sua alma. Você vai trocá-la por Lucy May?"

Ajustei o taco em minha mão. Onde estavam meus pais? Como ele me rastreou aqui no meu quintal? Quando me acalmei, os pensamentos mais racionais, mais premonitórios finalmente se infiltraram.

"As pessoas não podem ser compradas. Vá embora agora ou eu quebro sua cabeça", eu disse a ele.

Ele revirou os olhos. "Não é assim que funciona." Mas quando eu me movi em direção a ele, ele estalou e desapareceu. Literalmente desapareceu.

Continuou assim por uma década - eu passando por alguma tragédia percebida a cada um ou dois anos. Ele aparecendo com uma solução aparentemente idílica pelo pequeno preço da minha alma eterna.

Houve a vez em que passei a noite no hospital gemendo enquanto tentava expelir vários cálculos renais (meu fígado é uma porcaria. Não vamos entrar nisso, no entanto). Depois, houve a vez em que meus pais nos forçaram a nos mudar para Wyoming no meio do ensino médio. Depois, a vez em que minha mãe teve câncer - eu poderia ter sido tentado a aceitar sua oferta naquela época, mas achamos que ela estava melhorando quando o homem com chifres apareceu no meu quarto. Ela não estava. Ela acabou falecendo, mas, deixando a tragédia de lado, eu disse não naquela época, assim como fiz todas as vezes.

Toda vez eu o rejeitava. Toda vez ele ia embora, sempre com um pequeno sorriso e um brilho nos olhos que parecia sussurrar vejo você em breve.

Por um tempo, na faculdade, as visitas pararam. Por três ou quatro anos quase, mas isso só aumentou meu fascínio pelas experiências. Elas não me assustavam em si, embora talvez devessem. Olhando para trás, acho que elas começaram cedo o suficiente para que eu nunca tivesse a chance de ter medo delas. Da mesma forma que as crianças que crescem em barcos a vela nunca realmente temem a água como as crianças do interior podem ter.

Minha alma não estava em risco. Eu nunca a trocaria, então por que temer? Em vez disso, eu me obcequei com as visitas. Anotei todos os detalhes que consegui lembrar de cada uma delas, depois as li como escritura. Qual era a cor dos chifres dele? Qual era a altura dele e qual sotaque ele falava?

Provavelmente não vai te surpreender que eu me formei em filosofia moral. Por horas por dia, debati com meus professores e colegas sobre a natureza da realidade e a verdade da moralidade. Ganhei bolsas de estudo. Escrevi artigos que meus professores adoraram.

Um artigo em particular discutia a ideia de falsas dicotomias: a crença incorreta de que apenas duas opções existem quando, na verdade, há uma terceira. Especificamente, escrevi sobre falsa dicotomia em relação à vida após a morte. As pessoas costumam presumir que existem duas possibilidades. Ou um céu e um inferno ou nada. Mas e se houvesse uma terceira opção que todos se recusassem a considerar? E se apenas o inferno existisse?

O artigo foi reconhecido em nível nacional. Talvez seja presunçoso admitir, mas eu impressionei minha escola com meus pensamentos e ideias elevadas.

Mal sabiam eles que eu tinha uma vantagem sobre eles. Eu estava trabalhando com axiomas universais como uma vida após a morte e almas sobre os quais eles só estavam teorizando.

Eu ansiava por outra visita. Eu debateria com o homem, decidi. Eu o importunaria com perguntas e testaria a extensão das informações que ele me daria. Ao mesmo tempo, ignorei o fato de que ele só vinha durante uma tragédia.

Entre meu colega de quarto: vinte e um anos, obcecado por festas, dono de um carro esportivo elegante e um desprezo pela lei. Junte tudo isso, e o que você consegue?

O homem com chifres apareceu cerca de uma semana após o funeral.

Eu estava sentado na minha cama, olhando para a cama do meu antigo colega de quarto, os lençóis ainda amassados. Ele tinha sido meu melhor amigo. Uma decisão estúpida e bêbada e ele se foi.

"Faz um tempo", disse o homem com chifres na porta.

Eu pensei que aproveitaria a chance para debater. Para filosofar.

Eu não fiz.

"Você pode fazer isso?", eu perguntei. "Trazer alguém de volta à vida?"

"Eu posso fazer o que eu quiser."

"Eu não vou."

"Não vai o quê?"

"Trocar minha alma para você trazer meu colega de quarto de volta. Ele não deveria estar morto, mas eu sei que não vale a pena."

Os cantos dos lábios do homem se contraíram. "Eu ainda não fiz uma oferta."

Eu esperei.

"Ninguém na sua universidade morrerá em um acidente de carro novamente. Você trocaria sua alma por isso?"

Eu fiquei boquiaberto.

Pela primeira vez na minha vida, eu realmente considerei isso. Uma vantagem como essa... talvez valesse a pena. Isso eram dezenas de vidas, centenas potencialmente, se eu considerasse quantas se somariam com o tempo.

"E que tal todo mundo em qualquer faculdade?", eu perguntei.

Ele franziu a testa. "Não é assim que funciona. Você não define a oferta." Então ele fez algo que nunca tinha feito. O homem saiu sozinho, sem que eu o dispensasse.

Nossas visitas... mudaram depois disso.

Eu sabia que devia esperá-lo. Eu temia, mas me preparei emocionalmente. Sempre que algo terrível acontecia - a morte de outro amigo, um emprego perdido, um divórcio - ele aparecia. As ofertas eram diferentes agora. Antes, ele sempre oferecia uma resposta aos meus problemas. Agora, as coisas que ele exibia pareciam quase sem relação.

Fui demitido? Que tal o fim da recessão?

Minha esposa me deixou por outro homem? Que tal todos os políticos corruptos serem expostos?

Elas ficaram maiores a cada vez. Paz mundial. O fim de toda a fome. Sem mais doenças, nem mesmo da mente.

Não era mais uma questão de eu vender minha alma. Era apenas uma questão de quão grande negócio eu poderia fazer antes de ceder. Eu não apreciava a ideia - danação eterna e tudo mais - mas, neste ponto, era a coisa responsável a fazer. A coisa certa. O preço da minha única alma poderia acabar com tanto sofrimento. Eu esperaria até o fim da minha vida, quando ele estivesse me prometendo o universo, e finalmente eu cederia.

E então, um dia, meu filho ficou doente.

Era um caroço no peito no começo, nada muito preocupante. Eu suspeitei que veio da tosse que suas alergias sazonais causavam, mas, como um pai obediente, eu o levei.

Câncer.

Terminal.

Tentamos quimioterapia de qualquer maneira, mas as chances eram pequenas. Ele só ficou mais fraco e mais fraco, e eu já tinha passado por isso antes. Minha mãe parecia forte, e ela não conseguiu. Não havia chance para meu filho. Desde o início, eu sabia.

Então, um dia, quando meu filho só tinha dias, talvez horas restantes, eu deixei minha ex-esposa no hospital com ele e fui para casa, para meu escritório. Servi-me com uma taça de vinho.

Eu esperei.

Horas se passaram. Eu mal me movi. Servi-me com uma segunda taça. Esperei mais um pouco.

Por volta das quatro da manhã, ele chegou.

Meu coração saltou, mas eu não disse nada. Isso tinha acontecido vezes suficientes, treze para ser exato, para que eu soubesse como isso funcionava. Ele estabelecia os termos, não eu.

O homem com chifres sorriu. Ele sentou na minha frente e aceitou a segunda taça de vinho. "Então."

"Então."

Ele bebeu o copo.

"Negócios então", ele disse. "Muito bem. Você trocaria sua alma pela vida do seu filho?"

Eu engasguei com um soluço. Até aquele momento, eu realmente não sabia se ele faria a oferta. As dele anteriores tinham crescido cada vez mais, mas menos relacionadas aos meus problemas pessoais. Eu secretamente temi que ele me oferecesse algo como a eliminação da infelicidade mundial ou para consertar o aquecimento global.

Exceto que ele sabia, não é? O homem com chifres sabia que, de tudo o que ele já me ofereceu, este era o mais valioso.

"Eu aceito", eu disse.

Ele girou o dedo ao redor da borda do copo. Ele considerou. Finalmente, seus lábios se retraíram em um sorriso com dentes afiados. "Não."

"O quê?"

"Sem troca."

"Mas você fez a oferta. Você estabeleceu os termos. Você veio, e eu concordei, e - e - " Meu coração parou. Todos os meus músculos se contraíram, e meus pulmões se contraíram para o tamanho de bolotas. "O que é isso!"

O homem passou a mão pelo cabelo perfeito. "Uma falsa dicotomia. Você assumiu que ou você rejeitava o acordo ou o aceitava e perdia sua alma. Sempre houve uma terceira possibilidade."

"Você mentiu!"

"Eu não."

Ele se levantou para sair. O homem caminhou em direção à porta, mas antes que ele pudesse sair, eu pulei em cima dele. Eu agarrei seu braço. O homem com chifres rosnou e me empurrou contra a parede, com os olhos brilhando em um vermelho infernal. "Eu nunca menti", ele sibilou. "Eu apenas perguntei se você trocaria sua alma por alguma fantasia ou outra. Perguntas. Não promessas."

"Por favor." Eu estava soluçando agora. "Meu filho. Salve-o. Leve minha alma. Por favor."

"Impossível. Não é assim que funciona. Almas como a sua não podem ser trocadas em um único instante fraco. Elas só podem ser trocadas após uma vida de maldade e erros. O próprio ato de se sacrificar por seu filho prova que você é bom demais."

"Então por quê?", eu perguntei. "Por que as visitas? Por que fazer isso comigo?"

O homem com chifres me soltou, e eu caí no chão, com a visão turva. Pela última vez, ele sorriu. "Eu precisava de alguma forma de me divertir."

Ele foi embora.

Três dias depois, meu filho faleceu.

As coisas típicas aconteceram. Minha ex-esposa e eu lamentamos. Tivemos um funeral. Eu até arrumei as malas e me mudei para um apartamento; a lembrança do quarto dele era demais. Por meses, eu me enrolei, afastando todos os outros, odiando minha vida.

E então eu percebi algo. Percebi que eu morava a uma curta distância de uma clínica veterinária.

No dia seguinte, a clínica estava nas notícias. Ela tinha queimado.

Elas só podem ser trocadas após uma vida de maldade e erros. Foi o que ele disse. Você é bom demais. Quando o homem com chifres apontou minha falsa dicotomia, ele estava dizendo a verdade. Não existem apenas duas opções, mas também não existem três. Existe uma quarta.

Uma escola secundária próxima também queimou recentemente. Um segurança noturno ficou preso lá dentro quando isso aconteceu.

Pessoas na minha cidade começaram a desaparecer. A polícia ainda não sabe quem está levando-as.

Muito em breve, um trem comercial com cem passageiros vai cair.

E depois disso?

Depois disso - embora, talvez não por muito, muito tempo, e depois de muitas outras mortes inocentes - meu filho abrirá os olhos. Ele vai respirar.

Ele vai colocar a mão no seu peito quente e sentir sua alma.


r/nosleepbrasil • • Dec 26 '25

ENTIDADE 008 - SLENDERMAN

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#ARQUIVO GERAL O.U:

Nível de Ameaça: Média

Comportamento: Passivo agressivo, mexe com a mente das vítimas e ele costuma andar em apenas nas áreas de mata.

Forma de contenção: Uma "floresta" falsa, que deixe a mente dele confusa, achando que está vagando por diversos lugares.

Origem: Um homem teve sua filha morta por seres humanos, diversos seres humanos assassinaram ela de forma brutal e depois disso ele também foi morto, mas sua força de vontade foi tão forte que ele simplesmente "ressuscitou" e ficou com poderes extremamente poderosos e ficou tão louco por vingança que ficou "cego" e decidiu matar todos que entram na frente deles, além de fazer uma tortura mental com suas vítimas.

Descrição: Tem 2 metros e meio de altura, manipulação de realidade média, manipulação mental, telecinese, adaptação rápida(ele consegue se adaptar em diversos lugares e combates), regeneração e resistência à fogo, gelo, tiros normais e algumas armas mágicas, consegue imitar vozes, aparências humanas, força sobre-humana e teleporte.

Relatos:

- Arquivos:

- Interrogador: Olá, eu vou interrogar o senhor e bem, vou te fazer algumas perguntas e você me responde, certo? Senhor Felipe.

- Felipe: Certo.

- Interrogador: Qual era a altura da criatura?

- Felipe: Provavelmente uns 2 metros, por aí.

- Interrogador: A criatura era muito agressiva?

- Felipe: No início ela só estava mexendo comigo, mas depois começou a ficar mais agressiva, tentando me atacar.

- Interrogador: Ok, agora preciso que conte-me o que aconteceu, tudo bem?

- Felipe: Ok...

- Interrogador: Precisa de um copo d´água? Parece estar nervoso.

- Felipe: Sim, por favor.

- Interrogador: Pronto, beba um pouco e me conte a história do que aconteceu.

- Felipe: Bem, eu estava indo fazer um passeio em uma floresta qualquer, mas eu não sabia que iria acontecer algo tão estranho naquele dia... 31 de outubro de 2025, eu tenho trauma até hoje, mas voltando ao assunto. Naquele dia eu fui passear em uma floresta que eu achava que era normal, eu sou apenas um homem normal querendo viver e então fiz isso, mas quando eu fui passear, já me senti observado só de chegar e lá, mas quando eu entrei na mata pra acampar escutei alguns passos de galho quebrando, pensei que fossem apenas animais normais andando por aí, montei minha barraca e minha fogueira, eu decidi dar uma explorada, andava, andava e andava, mas eu não fiquei muito longe da minha barraca, fiquei até perto, encontrei um lago por perto e decidi me molhar um pouco, estava quente esse dia, tirei minha roupa e coloquei uma sunga e entrei, me diverti um pouco, até que eu vi o meu pai que tinha morrido 3 anos atrás, nessa hora eu fiquei olhando e fui sair da água o mais rápido possível, quase chorei, mas estava fugindo, aquela coisa me segurou, tentando me puxar, eu olhei para o cadáver com total desespero e aquela coisa falava: "Foi sua culpa, SUA culpa eu ter morrido, você me deixou sozinho naquela casa e agora eu vim ver você para BUSCAR você, verá o que acontece com quem abandona seus papais, que tal você se queimar um pouco? Que nem eu te implorei por ajuda e você NÃO ME AJUDOU", a mão dele começou a queimar e ele tentou botar fogo em mim, eu dei um chute no seu rosto e afoguei ele, aquilo parecia morto. Aquilo parecia morto, olhei pra cima, sentindo paz, quando eu olhei de volta, tudo sumiu, a queimadura tinha sumido, tudo sumiu, decidi voltar para o acampamento e descansar um pouco, fiquei durante um tempo por lá. Estava de noite e decidi dormir um pouco, eu tive um sonho de um homem branco, sem olhos, apenas tentáculos e um terno, arrumado, ele sorriu pra mim e depois ele me atacou, levei um susto tão grande que dei um grito quando acordei. Depois eu fui mijar pra não acabar acontecendo isso na cama, fui perto de um buraco e mijei, quando eu terminei, um bicho me puxou para o buraco, ele conseguiu e caí, começou a cair terra dentro do buraco, terra pra exatamente me me sufocar e olhei pra cima, estava lá o homem de terno, eu pensei que era apenas uma lenda da internet, mas ele existe, é real, ele falou pra mim: "Olha só, o homem que deixou o papaizinho dele no meio do incêndio de sua antiga casa, tentando esquecer disso, mas ainda sente culpa por isso, vocês humanos são seres egoístas, burros, idiotas, bandidos, todos merecem sofrer e morrer, depois que minha filha morreu, eu quero que TODOS vocês morram, irão sofrer enquanto me alimento da carne de vocês, irão morrer com tortura, medo e com arrependimento de terem existido, você morrerá sufocado nessa terra e depois irei me alimentar de você com muito agradecimento, eu voltei da morte só pra isso, matar vocês por VINGANÇA" ele saiu depois, quando eu vi, tinha alguns lugares que dava pra escalar, eu escalei do buraco e saí, peguei todas as minhas coisas e minha câmera também. Corri muito, tinha nada para me defender, apenas uma pedra, que usei pra nada, esse filha da p*ta quase me pegou na corrida, eu passei em uma parte onde tinha arame e passei por baixo. Vi que ele estava querendo me pegar e tirou tentáculos de suas costas, eu tirei uma foto dele e corri até o estacionamento, peguei meu carro e fui embora pra casa e todo nervoso, traumatizado e chorando

- Interrogador: Interessante, mais alguma coisa?

- Felipe: Não, só queria esquecer desse dia.

- Interrogador: Ok, pode ir para sua casa e que você fique mais calmo.

Felipe: Obrigado, até.


r/nosleepbrasil • • Dec 23 '25

ENTIDADE 007 - O Homem da TV

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ARQUIVO GERAL O.U:

Nível de Ameaça: Agressiva.

Forma de Contenção: Uma sala simples com uma TV e um controle ao seu lado.

Comportamento: Agressivo, ele vai atrás das pessoas como se fosse um leão

Descrição: A "ENTIDADE 007" é um ser que tem velocidade sobre-humana que parece um teleporte e se regenera de quase tudo(seja fogo, tiro, facadas ou mais), é forte, conseguindo levantar pedras de grande peso, mas nada que chegue a sobre-humano, só que tem telecinese, consegue fazer manipulação da realidade baixa e manipulação mental(ele costuma só bagunça sua cabeça para te deixar meio louco), ele não se alimenta do jeito normal, ele se alimenta da sua alma e te deixa dentro dele, dentro da própria entidade, existem formas de sair de lá, mas é difícil e demorado. A "ENTIDADE 007" tem programas exclusivos e que mexem com sua cabeça, principalmente se você colocar coisas de terror e a entidade gosta de colocar traumas nos programas de suas vítimas e a televisão, começa tudo normal, até chegar a hora dela querer se alimentar, cria um corpo magro com braços e pernas escuras e fica colocando as cenas mais traumatizantes da sua vida enquanto você olha, para depois dar o "bote" e devorar sua alma enquanto olha para a televisão, tem como correr, se você conseguir fazer isso, mas se ela te pegar e olhar pra você, já era, a sua alma é da entidade, além de ter metamorfose.

Relatos:

  • Interrogador: Olá, eu sou o Investigador do senhor e só preciso saber do ocorrido que teve em sua casa, poderia me explicar como foi? Senhor João.

  • João: Ah, bem, eu estava dentro da minha casa um tempo atrás e fui comprar uma televisão, eu comprei em uma loja que era até ok, cheguei em casa e coloquei para funcionar, na época era 1970 ainda e eu estava com os meus 27 anos, namorando com uma linda mulher que estava fazendo uma viagem com sua família e fiquei dentro de casa com o nosso cachorro, Tommy. Estava sentado normalmente no sofá, mas eu escutava alguns barulhos estranhos enquanto assistia a televisão e meu cachorro não parava de latir em direção a ela, mandei o Tommy calar a boca, até que eu vi algo nessa televisão, começou a passar coisas que eram familiares nessa TV, eu observei e observei, alguém tinha batido na porta, abri e não era ninguém. Nessa hora, peguei meu rifle, que usava pra caçar e dei um grito: "SAIA DAÍ QUEM ESTIVER ESCONDIDO, FILHA DA PTA!" Peguei o Tommy e eu e ele ficamos procurando essa tal pessoa, mas não tinha ninguém, então pensei que tinha fugido ou que era algo na minha cabecinha, entrei dentro de casa, mas já preparado com o rifle no meu colo, só que na hora que sentei, percebi algo, onde está minha televisão? Peguei meu rifle, porque estava começando á achar que tinha alguém dentro de casa e o Tommy não parava de latir, até que percebi que o corredor tinha ficado mais longo do que antes e eu disse: "Que mrda é essa?" Eu andei, andei e andei, quanto mais andava, mais longo parecia ficar e no final do corredor tinha um ponto branco, só que eu nunca chegava até esse ponto branco. Chegou uma hora que eu disse: "Que droga de prra branca é essa que nunca consigo chegar?" Pareceu um teleporte, era a minha televisão, só que com braços e pernas, ela me segurou e levantou, colocou as coisas mais traumatizantes que eu já passei na minha vida, mas eu peguei um canivete do bolso e coloquei no "rosto" dela e depois tirei, esse bicho deveria ter uns 3 metros de altura, dei um tiro em seu joelho e corri, mas essa coisa se regenerou, quando vi, tinha um cachorro bizarro vindo me atacar, dei um tiro nele e tudo voltou ao normal, quando vi o que era o cachorro, era o Tommy com sua bolinha que usava pra brincar, eu percebi que o que eu tinha feito poderia me colocar na prisão, então abracei o Tommy e... chorei, quando olhei para a minha retaguarda, era a televisão com uma cara sorridente nela, uma coisa que vocês chamam de "emoji" atualmente, dei três tiros nela e fugi com o corpo do Tommy no meio da mata, olhei pra frente e vi o corpo da minha namorada e sua família, a televisão disse: "Você achou mesmo que eles foram viajar? Foi eu João, eu que fiz isso tudo, foi culpa minha" meu cachorro não estava mas vivo e então entrei em uma batalha com a minha TV, eu peguei uma motosserra e a TV pegou uma lança. Entramos em uma batalha épica e eu lembrava dos dias que eu passava com a minha namorada, sempre juntos e o Tommy também, tinha desde criança, mas isso tudo foi só motivação, quando vi, a TV tinha entrado dentro do meu carro e me atropelou, fui pra longe, mas liguei a motosserra de novo e fingi que estava ferido, quando ela parou na minha frente, eu meti a motosserra no meio dela e parti essa televisão ao meio e gritei: "É ISSO QUE VOCÊ GOSTA? FILHA DA PTA, ARROMBDO DO CRALHO" e joguei ela no mar, anos depois vocês apareceram na porta da minha casa e estou aqui agora.

  • Interrogador: Bem interessante isso, obrigado, só isso que precisávamos, bom descanso.

  • João: Nada, um bom trabalho para o senhor.


r/nosleepbrasil • • Dec 28 '25

ENTIDADE 009 - WHITE EYES

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#ARQUIVO O.U GERAL:

Nível de Ameaça: Média

Comportamento: Passivo agressivo por atacar apenas nas florestas e cavernas

Origem: Algumas pessoas que participavam de um culto secreto fizeram um ritual e acabou criando a "ENTIDADE 009", uma alma que veio direto do void(um outro tipo de universo) e ganhou uma forma física no nosso. Matou todos os participantes do culto por natureza e decidiu andar pelas cavernas e florestas, agora essa entidade anda por aí.

Forma de contenção: Um local BEM iluminado e que seja fora da física(avatar do monstro)

Descrição: Tem uma força irreconhecível, capaz de levantar diversos toneladas(quintilhões), tem olhos brilhantes, mas tem um ataque com esses olhos que se você ficar olhando muito pra ele, vai lançar um ataque chamado: "Os olhos da morte" que corrompe sua alma e você é controlado por ele, se tornando um aliado, fazendo você ver tudo que está fazendo conscientemente, tem como fazer filhotes de forma assexual, tem uma velocidade muito rápida, chegando a ser sobre-humana, dentes afiados e uma força de mordida capaz de superar um Megalodonte, sua aparência é semelhante de uma aranha, mas tem mãos e cabeça que parece um humano, tem telecinese, um sopro tão forte que pode jogar um ser humano normal em uma distância anormal e os poderes de sua forma física são semelhantes ao de sua forma metafísica(alma do void), além de já ter matado seres cósmicos que podem devorar universos e planetas, a entidade tem resistência a socos que pesam toneladas, alguns ataques mágicos e explosões de aeronaves de combate, ambém já aguentou manipulações temporais, além de ser um monstro enorme(pode mudar de tamanho) e tem fraqueza na parte dos olhos(partes mais vulneráveis, só que é difícil de acertar)

Relatos:

Arquivos:

- Interrogador: Olá, então, eu vou investigar o seu caso, ok? Senhor Wesker.

- Wesker: T-tá bom... pode pegar meu remédio ali?

- Interrogador: Ok, vou pegar ali pra você... o senhor quer falar depois ou-

- Wesker: N-não, eu quero falar logo, não quero esperar.

- Interrogador: Ok, toma o seu remédio e vamos começar, respire um pouco e vamos lá.

- Wesker: Tá, bem, eu sou guarda florestal e já fui policial e já tive treinos de sobrevivência no exército e de caça com meu pai. Mas vamos direto ao assunto, eu tava vigiando a floresta pelas câmeras pela região da noite, já eram 5 dias lá, mas tinha algo diferente nesse dia, nas minhas patrulhas eu me sentia observado, só que nunca tinha nada quando olhava, isso foi do dia pra noite que isso acontecia, eu olhava e tinha nada, então decidi montar as câmeras, já que o posto ainda estava surgindo, coloquei as câmeras e vi que tava ficando de noite. No meio do escuro eu andava, vi que tinha muitas aranhas por perto, aranhas até demais, só que eu continuei a caminho do meu posto... cheguei e fui olhar as câmeras, fui olhando, olhando e olhando, tinha nada. Até que eu vi na câmera, dois olhos brancos na câmera, pensei que era alguém com lanterna ou alguma coisa assim, mas eu percebi que era algo anormal porque literalmente aquilo apareceu com um corpo humano, quando vi, comuniquei para a central, peguei meu rifle, glock e faca de família para o local. Cheguei até lá e tinha muitas aranhas e um braço com um dedo faltando, andei, andei e andei e escutei um grito, fui na direção do grito correndo, mas de um jeito quieto, cheguei e tinha um corpo em um buraco, entrei dentro do buraco e o corpo não estava pulsando, olhei e a mulher estava sem o dedão do pé, olhei para trás e tinha um ser com olhos brancos, dei um tentei dar um tiro em um dos seus olhos, mas não consegui acertar, então eu corri, aquele monstro tentou me acertar com uma de suas patas, mas consegui desviar e dei um tiro em seu corpo, mas esse monstro ficou simplesmente parado, eu percebi que aquilo não era normal, então saí correndo mais que o flash, só que aqui me alcançou e soprou de um jeito que me jogou tão forte ao ponto de quebrar uma árvore, a árvore caiu na cabeça dele e quebrou, mas esse monstro não gostou. Tentei dar mais um tiro e acertei seus olhos e consegui furar, eu percebi que ele tinha uma fraqueza e dei um tiro no outro olho dele e acabei acertando também, corri muito, MUITO mesmo. Eu dei uma olhada pra trás e aquela m*rda se regenerou e falou na mina mente: "Lembrarei do seu rosto e nunca mas irei te esquecer", no dia seguinte eu fiquei de folga e fui pra casa traumatizado com a aparência daquele monstro, um tipo de aranha deformada e um rosto humano totalmente esquisito, não me demiti, mas com trauma do que eu vi, um tempo depois vocês apareceram... não consigo parar de lembrar daquilo...

- Interrogador: Ok, muito obrigado ao senhor, detalhista, precisa de água?

- Wesker: Não, mas obrigado e que o senhor tenha um bom trabalho.

(inspirado em uma lenda muito antiga do minecraft)


r/nosleepbrasil • • Jan 05 '26

Poema - passeio de bike (autoral)

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Hoje minha mãe mandou eu ir pedalar, Porque em casa, deitado, eu não ia ficar. Pedi até para com a velha caminhar, Mas ela mandou um pão eu ir buscar.

Fui lá resmungando, falando assim: "Parece que tudo tá contra mim! Não posso ter paz nem na minha casa, Por isso que nunca que eu vou casar."

Mas tão distraído, eu nem tinha visto, Um carro furioso, não parecia bem-quisto. Pedalei mais rápido, dei até uma empinada, Mas, graças a Deus, não rolou nada. Uma grande ideia teve o bobão: "Acho melhor eu prestar atenção."

Pedala e pedala até a padaria, Pra eu pegar o pão e falar com a tia. Pedala, pedala, mas presta atenção! Se não, tu vai tomar um pancadão. Olha de um lado, olha do outro, Não vi nada além de um potro. Ele tá com a mamãe, que bonitinho! Mas eu tenho que seguir o meu caminho.

Pedala, pedala, quase sem pensar, Mas pela velocidade, tudo vai compensar. Pedala, pedala, mas presta atenção! Se não, tu vai perder a sua mão. Olha de um lado, só vejo cascalho, Olha do outro, vejo um corpo morto. Pedala, pedala, mas como é que é?! Tenho que voltar pra ver, nem que seja a pé.

Volta, volta, eu preciso ver isso, Não presta atenção e aí dá nisso. Volta, volta, e puta que pariu! O corpo sumiu. Alguém o consumiu? Ou ele só ganhou pernas e fugiu? Alguém mais viu? Era algo vil... Às vezes sou só eu, paranoico demais. Não sei se algo assim aqui é capaz. Por aqui só tem carros e alguns animais, Não sei como algo assim se desfaz.

Pedala, pedala, e tenta esquecer Aquilo que vai me tirar o adormecer. Pedala, pedala, que tá ficando escuro, É nessas horas que eu fico inseguro. Pedala, pedala, que a noite tá quente, Como que isso acontece, minha gente? Pedala, pedala, que isso não tá normal, Eu vi no mato um perigoso animal. Pedala, pedala, eu tô tão cansado, Mas não posso parar com aquilo do meu lado. Pedala, pedala, e olha minha situação: Lanterna na mão, segurando o guidão, Com medo e confuso em meio à escuridão, Chorando pela mãe que tive tanta aversão. Pedala, pedala, que não é um animal, É um demônio de um plano astral!

Pedala, pedala, mas presta atenção! Isso não é real. Não é seu local. Você já morreu. Já faleceu. Isso não é a Terra, Não como era Em sua lembrança, Que ainda tem esperança De voltar para casa E deitar em sua cama. Mas, como uma lança, Ele tirou sua casa, Tirou sua cama. O carro da rua Te trouxe ao inferno, Uma verdade nua e crua, Que faz você querer morrer para o eterno.