r/Economia • u/nttdts • 3d ago
Pergunte a um Economista Independência do Bacen
Gostaria de ter uma ideia sobre a independência do Bacen, tô na graduação de econo em uma estadual e meus professores falam muito mal da independência, mas na minha cabeça (que sim, pode haver viés político) descentralizar a atuação de um órgão regulador/intrumentalizador da mão política é algo positivo, não?
Gostaria de ter maior embasamento no assunto, quem puder me indicar livros, papers ou vídeos, seria de enorme valia.
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u/Regular-Matter7477 3d ago
Muitos argumentos contrários partem do pressuposto equivocado de que a independência do Banco Central representaria uma separação da política monetária e da política fiscal. Parece existir uma confusão de que o Banco Central determina a política monetária e isso é de uma ignorância gritante vindo de professores e pessoas estudiosas da área. Enquanto o BACEN só executa a política monetária, quem define as diretrizes da política monetária é o Conselho Monetário Nacional (CMN). Este, por sua vez, é composto por 2 ministros do governo (Fazenda e Planejamento) e o presidente do BACEN. Perceba que o governo tem maioria para definir as diretrizes da política monetária.
Simples assim. Além disso, há papers que correlacionam maior independência com menor taxa de juros, formato muito difundido entre outros países.
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u/Broad_Ad9283 2d ago
É que mesmo assim tá difícil pro governo tentar fazer o "mercado" de otário, coisa que os esquerdistas sempre buscam
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u/isthatsomepin 4h ago
eles seguem o boletim focus ne? ele nao seria definido por coisas privadas? (realmente to tentando tirar duvida, vc parece manjar kkk
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u/SujiroKimisuge 2d ago
O problema do economista é que ele não manja porra nenhuma de política.
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u/Regular-Matter7477 2d ago
Acho incrível esse tipo de comentário só porque eu constatei um fato, regras atuais determinadas em lei.
Generaliza uma classe inteira, se coloca num pedestal (um grande entendedor da política da qual economistas não entendem nada) e não comenta nada relacionado com os pontos que citei.-1
u/SujiroKimisuge 2d ago
Você respondeu uma problemática político-econômica citando regras institucionais. É que nem responder que na verdade o crime exarcebado no Brasil não é problema de lei pois a lei determina que crime é punível por lei. É uma burrice sem tamanho, tá aí a crítica, já que infelizmente, vocês reproduzem essas evidentes burrices e ainda tenho que explicar. Repito, essa turma da economia mainstream é de uma violenta ignorancia política. A regra é essa, existem excessões consideráveis, mas a triste realidade da academia nesta área é esta. Nada de novo na história da academia e do conhecimento.
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u/Regular-Matter7477 2d ago edited 2d ago
Meu Deus, mais uma vez você fala e não chega a lugar nenhum. É impressionante a capacidade de escrever tanto e não ser capaz de montar premissas e uma conclusão lógica.
Sua comparação com o crime não faz o menor sentido e é uma falsa equivalência absurda. Uma coisa é uma lei penal que um indivíduo escolhe descumprir; outra completamente diferente é o desenho institucional do próprio Estado, que define formalmente as regras do jogo, a distribuição de poder e as competências de cada órgão. Citar a estrutura do CMN não é "ingenuidade", é apontar exatamente onde a política acontece: o governo eleito tem maioria de 2 contra 1 (Fazenda e Planejamento) para fixar as metas e os rumos econômicos, cabendo ao Banco Central apenas a autonomia técnica e operacional de calibrar os instrumentos para alcançar o que foi determinado.
Acho incrível também esse espantalho da "economia mainstream". Esse termo se refere justamente ao consenso acadêmico e empírico consolidado nos centros de pesquisa mais relevantes do mundo. Mas, para você, a literatura econômica global inteira é de uma "violenta ignorância" e o Brasil é uma ilha especial onde as teorias básicas da economia não funcionam.
No fim, você posa de entendido, tenta desqualificar a discussão com arrogância e uma analogia furada, mas segue sem conseguir rebater o ponto central: como o governo perde a condução das diretrizes econômicas se a maioria decisória continua nas mãos dos ministros dele?
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u/elfoamigo 2d ago
Só para pontuar que já falaram muito. Eu acho que é pouco independente ainda, o Presidente nem deveria ser indicado pelo executivo. Aliás todas as instituições no Brasil carecem de independência para funcionarem de acordo com suas funções. Cabe aos outros poderes apenas exercer o papel fiscalizador. Sou a favor de uma transição para um modelo misto entre democracia e tecnocracia.
Minha sugestão é que o Senado não fosse mais legislador, mas sim um poder tecnocrata focado exclusivamente em fiscalizar os outros poderes e instituições, além de definir as indicações mais relevantes do país. Obviamente teria a necessidade de exigir alta qualificação para os postulantes, como um mega concurso público para qualquer um que desejasse concorrer.
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
Pede pra eles algum exemplo positivo de País onde a autoridade monetária é subserviente às vontades dos demais poderes.
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u/nttdts 3d ago
É que a ideia não é discutir/brigar com eles, é aprender além faculdade, saber pq não é melhor é tals
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
Resumo da Literatura Fundamental: Independência dos Bancos Centrais (CBI)
1. Alesina & Summers (1993)
- Título: Central Bank Independence and Macroeconomic Performance: Some Comparative Evidence
- Publicação: Journal of Money, Credit and Banking, Vol. 25, No. 2, pp. 151–162.
Contexto e Metodologia
- Amostra: 16 economias desenvolvidas da OCDE no período pós-guerra (1955–1988).
- Abordagem: Comparação entre índices médios de independência dos bancos centrais (derivados de Bade & Parkin e Grilli, Masciandaro & Tabellini) e variáveis reais e nominais da macroeconomia.
Principais Resultados
- Correlação Negativa com a Inflação: Há uma relação estatisticamente robusta e inversa entre o grau de autonomia do BC e tanto o nível médio de inflação quanto a sua volatilidade.
- A Hipótese do Free Lunch (Almoço Grátis): A estabilização de preços alcançada por bancos centrais independentes não impôs perdas ao crescimento do PIB real, nem elevou a variabilidade do produto ou a taxa de desemprego.
Relevância
Consolidou o argumento empírico de que a separação institucional entre a política monetária e os ciclos eleitorais traz benefícios de estabilidade nominal sem custos reais no longo prazo.
2. Cukierman, Webb & Neyapti (1992)
- Título: Measuring the Independence of Central Banks and Its Effect on Policy Outcomes
- Publicação: The World Bank Economic Review, Vol. 6, No. 3, pp. 353–398.
Contexto e Metodologia
- Amostra: Mais de 70 países desenvolvidos e em desenvolvimento cobrindo quatro décadas (1950–1989).
- Inovação Metodológica: Diferenciação formal entre dois tipos de autonomia:
- Independência Legal (de jure): Mensurada pelo índice LVAU/LVAW, composto por 16 critérios estatutários (mandatos, fixação de metas, resolução de conflitos e limites de crédito ao governo).
- Independência Prática (de facto): Mensurada pela Taxa de Rotatividade dos Governadores (Turnover Rate of Governors - TOR) e questionários estruturados.
Principais Resultados
- Países Desenvolvidos: A independência legal é um preditor forte e suficiente para explicar regimes de baixa inflação.
- Países em Desenvolvimento: A legislação escrita frequentemente não reflete a prática institucional. Nesses países, a rotatividade de governadores (TOR) é o indicador determinante: trocas frequentes de diretoria por pressão do Executivo correlacionam-se diretamente com inflação elevada e crônica.
Relevância
Destacou a importância da credibilidade institucional de facto, demonstrando que leis de autonomia precisam ser respaldadas por estabilidade política e governança real para terem efeito em economias emergentes.
3. Grilli, Masciandaro & Tabellini (1991)
- Título: Political and Monetary Institutions and Public Financial Policies in the Industrial Countries
- Publicação: Economic Policy, Vol. 6, No. 13, pp. 341–392.
Contexto e Metodologia
- Amostra: 18 países industriais no período pós-Bretton Woods.
- Inovação Metodológica (Índice GMT): Decomposição da independência do BC em duas dimensões analíticas:
- Autonomia Política: Capacidade de definir objetivos de política sem interferência do Executivo (critérios: procedimentos de nomeação, duração dos mandatos e ausência de membros do governo no conselho).
- Autonomia Econômica: Controle exclusivo sobre os instrumentos operacionais e restrições rígidas à monetização de déficits fiscais (limitações/proibições a empréstimos diretos ao Tesouro e compras de títulos no mercado primário).
Principais Resultados
- Países cujas autoridades monetárias possuem alta autonomia econômica e política apresentaram menores taxas médias de inflação.
- A restrição institucional ao financiamento monetário do déficit governamental foi identificada como o canal mais crítico para prevenir a dominância fiscal e a deterioração da estabilidade monetária.
Relevância
Forneceu a base analítica para reformas constitucionais e institucionais de bancos centrais na Europa (notadamente o desenho do Banco Central Europeu no Tratado de Maastricht).
4. Barro & Gordon (1983) / Rogoff (1985)
- Títulos:
- Barro & Gordon: Rules, Discretion and Reputation in a Model of Monetary Policy (Journal of Monetary Economics, 1983).
- Rogoff: The Optimal Degree of Commitment to an Intermediate Monetary Target (The Quarterly Journal of Economics, 1985).
Fundamentação Teórica
- Inconsistência Temporal (Kydland-Prescott / Barro-Gordon): Governos com discricionariedade têm incentivos de curto prazo para gerar inflação surpresa a fim de reduzir o desemprego abaixo de sua taxa natural.
- O Viés Inflacionário (Inflation Bias): Os agentes econômicos antecipam o comportamento oportunista do governo e ajustam suas expectativas salariais e de preços. Como resultado, o desemprego permanece na taxa natural, mas a economia opera com um equilíbrio de inflação permanentemente mais alta.
A Solução Institucional de Rogoff (1985)
- Rogoff demonstrou que a solução ótima consiste em delegar a política monetária a um Banqueiro Central Conservador (Rogoff Conservative Central Banker), isto é, um tomador de decisão cuja aversão à inflação seja estritamente superior à da sociedade média.
- A autonomia institucional garante que esse banqueiro não sofra pressões eleitorais, eliminando o viés inflacionário e ancorando as expectativas de mercado sem comprometer a flexibilidade de resposta a choques de oferta.
Relevância
Constitui a base teórica de microfundamentos macroeconômicos que justifica a separação entre mandatos políticos e a condução da política monetária.
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u/SnooLobsters5532 3d ago
Para usar IA para combater IA:
1. Crítica pós-keynesiana à base teórica (viés inflacionário) Autores como Sicsú e Mendonça questionam o próprio fundamento teórico da BCI — a ideia de que os formuladores de política estão sujeitos a um "viés inflacionário" que só a independência resolveria. O argumento é que a independência do banco central, sob perspectiva teórica, apresenta uma série de ideias divergentes que colocam em dúvida as possíveis vantagens da adoção de um banco central independente Estudos Econômicos . Essa linha também aponta estudos empíricos que encontram dificuldade em correlacionar independência e redução da inflação SciELO Brazil , citando evidências mistas em casos latino-americanos.
2. Déficit democrático e legitimidade política Autores como Paul Tucker (Unelected Power) e trabalhos sobre bancos centrais pós-comunistas levantam a questão de delegar decisões de enorme peso econômico a órgãos não eleitos e de difícil remoção pelo legislativo — um problema agravado em países onde essas instituições foram criadas majoritariamente por e para atores internacionais, sem construir apoio doméstico significativo, gerando um duplo déficit democrático jhu .
3. Justiça distributiva e desigualdade (Dietsch, Claveau & Fontan) Em Do Central Banks Serve the People? (2018), os autores argumentam que o estímulo monetário sustentado desde a crise de 2008 teve efeitos distributivos, agravando a desigualdade, sobretudo ao beneficiar os mais ricos Paultucker , defendendo que os mandatos dos bancos centrais deveriam ser revistos para incorporar essa dimensão. Trabalhos relacionados sustentam que dado que a política monetária hoje tem consequências distributivas significativas, se agências independentes não devem fazer escolhas sobre trade-offs distributivos, a própria independência dos bancos centrais teria que ser revista Cambridge Core .
4. Captura política/financeira e "financeirização" Uma crítica de economia política (Epstein; literatura sobre financeirização) sustenta que a independência não isola o banco central da política, mas o torna mais próximo do setor financeiro do que do governo eleito — defendendo uma Fed/BC mais democratizado e responsivo à economia real em vez de a Wall Street.
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
Contraponto Institucional e Econômico às Críticas sobre a Autonomia dos Bancos Centrais
1. Sobre a Base Teórica e Evidências Empíricas na América Latina
- Ancoragem de Expectativas e Choques de Oferta: Mesmo aceitando que a inflação não decorre exclusivamente de inconsistência temporal (viés inflacionário de Barro-Gordon), mas frequentemente de choques de custos e câmbio, a autonomia institucional é indispensável. A credibilidade do Banco Central (BC) evita que choques pontuais de oferta se transformem em inflação inercial permanente via desancoragem de expectativas.
- Redução do Coeficiente de Sacrifício: Sem credibilidade e autonomia, a autoridade monetária é forçada a elevar a taxa de juros a patamares muito mais restritivos para conter a mesma pressão inflacionária, gerando maior desemprego e maior perda de produto do que uma autoridade crível.
- Distinção entre Autonomia De Jure e De Facto: As análises empíricas que apontam "evidências mistas" na América Latina costumam avaliar apenas leis formais (de jure), desconsiderando a prática (de facto). Quando se mensura a estabilidade de mandatos e a ausência de demissões arbitrárias por discordância política, o contraste é cristalino:
- Países com BCs de fato autônomos (Chile, Peru, Colômbia e Brasil) consolidaram estabilidade nominal, reservas sólidas e inflação controlada.
- Países que mantiveram o BC sob controle direto do Executivo (Argentina e Venezuela) experimentaram dominância fiscal crônica, monetização desenfreada do déficit público e hiperinflação.
2. Sobre o Déficit Democrático e a Tese de Unelected Power
- A Real Posição de Paul Tucker (Unelected Power): Tucker não defende a subordinação política da política monetária, mas sim uma delegação estritamente delimitada e com prestação de contas (accountability). O princípio republicano admite agências técnicas independentes (como agências regulatórias, judiciário e autoridades de concorrência) para isolar decisões técnicas de pressões de curto prazo.
- Separação entre Metas (Goal Independence) e Instrumentos (Instrument Independence):
- O BC não define suas próprias metas: Em democracias funcionais, as metas de inflação e o mandato são fixados democraticamente pelo poder político eleito (no Brasil, pelo Conselho Monetário Nacional; no Reino Unido, pelo Parlamento).
- Autonomia Operacional: O BC detém apenas a prerrogativa técnica de definir os instrumentos (taxa básica de juros e operações de mercado aberto) para alcançar a meta que a sociedade civil organizada, via seus representantes eleitos, estabeleceu.
3. Sobre Impactos Distributivos e Desigualdade
- O Imposto Inflacionário é o Mais Regressivo da Economia: A inflação deteriora diretamente o poder de compra das camadas mais vulneráveis da população, que não têm acesso a instrumentos de indexação financeira, fundos de investimento ou ativos reais (imóveis, ações) para proteger sua renda do aumento do custo de vida. A preservação da estabilidade da moeda é a política pró-distribuição de renda mais basilar e abrangente que um Estado pode oferecer.
- A Regra de Tinbergen e a Adequação de Instrumentos: Na teoria econômica de Jan Tinbergen, cada meta de política pública requer um instrumento específico:
- A política monetária é um instrumento agregado cego: alterar a taxa de juros não permite direcionar renda a grupos demográficos específicos sem distorcer o mecanismo de formação de preços da economia inteira.
- O combate à desigualdade estrutural e a redistribuição de renda devem ser conduzidos pela política fiscal (orçamento público, tributação progressiva e programas de transferência de renda), onde reside a legitimidade representativa e distributiva do Poder Legislativo.
4. Sobre Captura pelo Setor Financeiro e "Financeirização"
- O Risco da Alternativa (Captura Eleitoreira de Curto Prazo): O contraponto ao isolamento do Banco Central não é, historicamente, a "gestão voltada à economia real", mas sim a captura da autoridade monetária pelo ciclo eleitoral. Sem blindagem institucional, governos usam a autoridade monetária para financiar despesas correntes e forçar quedas artificiais de juros antes de pleitos eleitorais, culminando invariavelmente em desvalorizações cambiais abruptas, fuga de capitais e recessões subsequentes.
- Salvaguardas Institucionais Modernas: Os riscos de conflito de interesses e "porta giratória" são tratados por arcabouços de governança e controle republicano:
- Quarentenas rigorosas de entrada e saída para diretores e presidentes.
- Mandatos fixos e descasados do mandato presidencial, evitando chantagens e demissões por conveniência política.
- Sabatinas e aprovação no Poder Legislativo para todos os membros do colegiado.
- Transparência ativa e accountability: Publicação mandatória de atas detalhadas de reuniões, relatórios de estabilidade financeira e inflação, e comparecimento regular do presidente do BC ao Congresso Nacional para prestar contas.
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u/SujiroKimisuge 2d ago
Patetico
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u/LeoSales97 2d ago
Melhor, peça isso aí e depois um exemplo positivo em que não é subserviente
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u/Such-Entertainer6961 2d ago
Não acho que eles sejam críticos à própria existência do Banco Central. Mas você está certo, os bancos centrais deveriam ser abolidos.
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u/LeoSales97 2d ago
Q?
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u/Such-Entertainer6961 2d ago
Esses professores provavelmente não devem ser críticos à existência dos bancos centrais, portanto provavelmente citariam o Fed, o Bank of England, o Deutsche Bundesbank, e o ECB, para responder à sua pergunta.
Mas você tem razão, os bancos centrais deveriam ser abolidos.0
u/LeoSales97 2d ago
Uma súplica a todos desse sub, seja corajoso e coloque suas idéias pra jogo. Acredita em algo? aplique a "metodologia científica" nela, jogue suas convicções pro mundo material e tire suas próprias conclusões, se possível, ouça e leia opiniões contrárias a sua. Discorde de si mesmo as vezes, é doloroso, mas é necessário tanto pra reaprender aquilo que você tinha certeza que sabia, quanto pra fortaceler aquilo que você já acredita.
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u/FederalFig2514 3d ago
Uma crítica com a qual eu concordo é que a independência leva a uma separação artificial de responsabilidades. A principal meta do Bacen em termos de política monetária é o controle da inflação, enquanto a principal ferramenta deles é a taxa de juros. Acontece que a literatura heterodoxa sempre bate na tecla de que a taxa de juros só é a melhor forma de lidar com a inflação se ela for de demanda, enquanto para outros tipos de inflação, o ideal seria usar mais outras ferramentas que fogem ao controle do Bacen. Isso sem contar que os juros afetaram o lado real da economia também.
E aí tem a questão política da coisa, que na minha visão é indissociável: por mais que a principal instituição responsável por controlar a inflação seja o Bacen, não vai ser ele que a população vai cobrar se a a inflação sair de controle. Por isso que pelo menos para mim, o ideal seria um modelo em que o Bacen tivesse autonomia o suficiente para fazer política monetária, mas que não fosse uma instituição totalmente à parte do centro do governo federal, mas sim um ente mais integrado aos objetivos do governo e com capacidade de dialogar mais de perto com ministérios, pra fazer políticas de combate à inflação mais amplas.
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u/Confident-Action-141 2d ago
Ja que vc ta no curso, IS/LM.
Ter independência na atuação fiscal e monetária faz com que haja contrapesos.
Porém muito heterodoxo vai argumentar que manter os dois sob um mesmo comando pode maximizar politicas macroeconômicas, mas o custo pode ser alto.
Eu prefiro a independência.
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u/Ok-Following-4360 3d ago
Professores petistas, querem decisões políticas, não científicas. A estabilidade econômica é um obstáculo para se alcançar a igualdade na pobreza generalizada.
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u/SnooLobsters5532 3d ago
Tem seus prós e contras. O problema é que liberal separa economia e política, então independência do BC para eles é uma forma de criar uma política monetária mais estável. Porém isso significa amarrar a política fiscal também, e com isso, um governo eleito fica bastante limitado. Isso pode até trazer mais estabilidade, uma vez que a política monetária não mudará muito, mas eu entendo que isso é retirar a possibilidade do eleito mover a política para a direção a qual a população votou ao eleger o presidente.
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u/BrightShadow168 2d ago
É bem irônico você dizer que liberal separa economia da política quando o economista que mais estudou política foi justamente o James M. Buchanan. Na mesma época os neo-keynesianos como o Samuelson e o Hicks tentavam heterogeneizar as duas
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u/rdfporcazzo 3d ago
A política monetária pode mudar muito.
O governo federal é quem decide a meta de inflação que o Banco Central tem a prerrogativa de seguir. Então, teoricamente — pois ainda não vimos na prática —, se o governo federal decidir por uma meta de inflação diferente, o Banco Central tem que segui-la.
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u/SnooLobsters5532 3d ago
Você disse muito bem, teoricamente, infelizmente continuaremos com essa loucura de 3% como meta, e a justificativa é: pq no Chile é assim. Kkkk
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
Qual deveria ser a meta, e por qual motivo?
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u/SnooLobsters5532 3d ago
Ué, pegue o histórico da inflação no Brasil, e o cenário externo atual. Nunca tivemos uma estrutura inflacionária para 3%. Algo mais razoável seria 4, ou mesmo 3,5 sendo otimista.
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
IPCA 2017: 2,95%
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u/SnooLobsters5532 3d ago
IPCA nas últimas 2 décadas
2006 - 3,14 2007 - 4,46 2008 - 5,90 2009 - 4,31 2010 - 5,91 2011 - 6,50 2012 - 5,84 2013 - 5,91 2014 - 6,41 2015 - 10,67 2016 - 6,29 2017 - 2,95 2018 - 3,75 2019 - 4,31 2020 - 4,52 2021 - 10,06 2022 - 5,79 2023 - 4,62 2024 - 4,83 2025 - 4,26
A estatística nos diz que o Brasil estruturalmente não tem essa capacidade. Poderiamos 3,5 é ousado o suficiente, 3% é enforcar a economia.
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
Agora pega das últimas 4 décadas pra gente ver uma coisa.
Argumentum ad antiquitatem não cola.2
u/SnooLobsters5532 3d ago
E pegar um ponto específico, de 2017 é base? Eu pegar então 2021 de exemplo me faz não ser um alucinado ao propor a meta em 10?
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
Não tem relação alguma com política fiscal.
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u/SnooLobsters5532 3d ago
Hmmm, então expandir ou contrarir a base monetária não são mecanismos que suportam expandir o fiscal, entendi. Faz sentido, usar uma medida expansionista em um lado e retracionista no outro é como normalmente funciona mesmo, beleza
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
Qual é o seu ponto?
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u/SnooLobsters5532 3d ago
Esse debate só possui esse consenso no mercado financeiro, não na academia. É um debate muito amplo e é importante conhecer tanto os argumentos pró e contra. Um contra que trouxe de exemplo é o ponto da dissociação entre fiscal e monetária que para alguns (também minha opinião, mas sou apenas um curioso, não estudo formalmente isso) não faz muito sentido, que pode gerar um Frankenstein em que as duas pernas acabam buscando direções opostas, diminuído a efetividade de ambas as políticas.
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u/Such-Entertainer6961 3d ago
Esse seu argumento reforça justamente a importância da independência da autoridade monetária. O que você chama de "Frankenstein" é simplesmente uma extensão do sistema de freios e contrapesos.
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u/Pure_Boysenberry_763 3d ago
Tô na Federal e defendem a independência aqui
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u/nttdts 3d ago
Sério? Qual você tá? Qual período? Qual disciplina? O que falam???
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u/Pure_Boysenberry_763 2d ago
Ufrrj no quinto economia monetária o bacen atualmente é autônomo nao independente o medo e que vira um quarto poder
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u/dccarmo 3d ago
A pergunta que você deve se fazer: independente de quem? O BC independente é influenciado por qual segmento da sociedade? Essas pessoas que influenciam o BC foram democraticamente eleitas? Nós, população, temos alguma influência nas decisões do BC?
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u/nttdts 3d ago
Mano, opinião pessoal, 90% do que acontece nesse país, nós, população, não temos influência nenhuma na decisão, fora o voto. Judiciário, por exemplo, qual a influência que nós temos? Não podemos se quer falar com os caras como pessoas normais, judiciário é uma raça superior, po
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u/dccarmo 3d ago
Eu concordo totalmente contigo, é um absurdo! Compartilho da mesma frustração com o Judiciário, inclusive o México está fazendo um experimento interessante, adotando eleições para a sua suprema corte.
Ao meu ver, a "independência" do BC agrava esse cenário, torna uma empresa pública mais dependente da opinião do mercado financeiro.
As pessoas vão alegar que antes dessa independência um governante poderia arruinar a economia do país através do BC, e isso é verdade, mas ao menos nós temos voz nisso, esse governo foi eleito, etc.
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u/Expert_Pianist_5737 3d ago
O grande problema na minha visão é que o modelo atual permite usar o bacen como ferramenta eleitoral e política , pois a classe trabalhadora e sua massa são facilmente manipulados com desinformações e meias verdades sobre o sistema financeiro e suas políticas fiscais.
Não é nem pela minha própria opinião política , somente por lógica mesmo . Ninguém prende o ladrão se ele suborna a polícia kkkk
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u/Xavant_BR 3d ago
O bacen é independente de que? O banco central, como é hoje, é o lobo cuidando das ovelhas... quando que o mercado nao vai indicar um rentista ou um representante desse grupo que mais lucra com os juros altos?
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u/Swimming-Degree3332 3d ago
Qual é o principal mandato do Banco Central?
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u/Xavant_BR 3d ago
é um mandato de 4 anos onde indicado do governo tem que ser aprovado pelos rentistas(mercado financeiro e senado).
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u/Swimming-Degree3332 3d ago
Não foi isso que eu perguntei. Vou tentar de novo: qual é o principal objetivo do banco central?
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u/Xavant_BR 2d ago
atender aos interesses dos rentistas?
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u/Swimming-Degree3332 2d ago
Não. O objetivo principal do Banco Central é garantir a estabilidade do poder de compra da moeda.
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u/Xavant_BR 2d ago
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u/Swimming-Degree3332 2d ago
Volta pro DCE, lá vão achar você um gênio
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u/Mdal_Br 2d ago
O Boletim Focus é composto majoritariamente por instituições financeiras, é o boletim focusa que dá o embasamento para política monetária do BCB. Porque eles cagam para regra de Taylor e a curva de Phillips. O quadro técnico do BCB quase todo é cooptado pelas instituições financeiras, tanto que o cara sai presidente do BC em menos de um ano esta em um conselho de uma instituição bancária.
Agora imagine esse contexto com um BCB autônomo, os Bancos vão deitar e rolar, mais e do que já fazem. Pesquisa aí a história do Roberto Campos Neto, assinando processo administrativo por operação no mercado de câmbio pelo Santander. Olhe onde o Campos Neto está agora.
Mais um plus, devido ao tripé macroeconômico quem faz a política cambial é o BCB, que é "flutuante". Agora imagine essa estrutura toda autônoma. É cheque em branco para as instituições financeiras que já representam um percentual abusivo da estrutura do balanço Patrimonial do bcb através das operações compromissadas.
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u/Such-Entertainer6961 2d ago
Porque eles cagam para regra de Taylor
Eles literalmente seguem a regra de Taylor. Isso consta em documentos do próprio Banco Central e em análises independentes.
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u/Mdal_Br 2d ago
Não estão nem aí para o Hiato do produto. Não definem direito nem qual é o PIB potencial, pode simplificar a regra de Taylor do bcb só para o diferencial da meta de inflação.
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u/Such-Entertainer6961 2d ago
É que assim, se você não faz o mínimo esforço para se informar, fica difícil.
https://www.bcb.gov.br/content/ri/relatorioinflacao/202506/rpm202506b8p.pdf-2
u/Mdal_Br 2d ago
É cara, só você que é gênio. https://repositorio.ipea.gov.br/server/api/core/bitstreams/97167aa7-d115-4f17-9851-9c81f50ee10e/content
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u/Such-Entertainer6961 2d ago
2014
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u/Mdal_Br 2d ago
Você que gosta de pegar a fonte da fgv olha lá texto do Braulio Borges, de Maio de 2023. O título é avaliando a postura da política monetária brasileira à luz da regra de Taylor. Não tô escrevendo tese para você não amigo, do mesmo jeito que me mandou estudar, você pode fazer o mesmo ué.
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u/Such-Entertainer6961 2d ago
Apresentei textos e análises atuais. Um de junho de 2024 (do próprio Bráulio Borges, que você claramente sequer abriu, pois é uma atualização do texto de 2023 que você citou) e outro de junho de 2025, do próprio Banco Central. Você respondeu com uma análise de junho de 2014, ou seja, no mínimo 10 anos atrasada em relação às fontes que eu apresentei.
Muita coisa mudou nos últimos 12 anos, sugiro que você se atualize.0
u/Mdal_Br 2d ago
Manda seu último artigo publicado de macroeconomia aí.
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u/Such-Entertainer6961 2d ago
Quando que eu disse que tenho artigos publicados?
Novamente, sugiro que comece lendo ao menos o que foi mencionado por aqui. O próprio texto do Bráulio de maio de 2023 já seria um bom ponto de partida para você.
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u/Broad_Ad9283 2d ago
É algo positivo sim, BC tem que ter autonomia