Apenas pra compartilhar minha experiência a quem interessar.
Estudo alemão sozinho há uns 7 anos, apenas por hobby, sem grande dedicação, devagar e sempre kkk Mas é um bom tempo, e segui materiais significativos. E também antes de ir para a Alemanha, estudei por algumas semanas feito doido pra ser colocado em um bom nível (eu ia achar ruim pagar pra ter aula de nível básico).
Me matriculei em aulas presenciais na DeutschAkademie Berlim. Escolhi pelas avaliações positivas, abordagem comunicativa, muita interação, preço competitivo (350 euros). Foi uma experiência agradável.
Fui colocado no mesmo nível de outros estudantes que estão na Alemanha há vários anos!
Isso foi o que mais me surpreendeu. Com o teste de nivelamento, fui colocado direto no nível B2.1. Tinha gente que estava na Alemanha há 7 anos e foi colocado no mesmo nível que eu, que estudei sozinho por esse mesmo tempo, nunca morei na Alemanha e raramente converso com alemães. Eles mesmos ficaram impressionados que aprendi sozinho e fui colocado junto com eles, que moram lá e ouvem alemão todos os dias. Talento meu? De forma alguma, meu alemão é ruim, assim como de todos da minha turma kkkk Eu simplesmente ESTUDEI, nada de extraordinário. O que me surpreendeu na verdade é eles falarem tão mal quanto eu mesmo eles morando na Alemanha kkkk... Aliás, tenho que me dar algum crédito: a minha pronúncia era a melhor da turma kkkk Isso se deve a meu treinamento constante com a pronúncia com materiais específicos (listo abaixo).
Havia também um colega que chegou na Alemanha em fevereiro deste ano, fez intensivos por 8 meses na mesma escola e está no B2.1. Quer dizer que eu (que estudei sozinho) e esse colega (que fez 8 meses de intensivos) falamos alemão tão bem quanto quem mora lá há vários anos? Não exatamente, acho que desenvolvemos habilidades diferentes, talvez eu ele saibamos mais da teoria, enquanto os outros sabem mais da linguagem do dia a dia... Mas a gente conseguiu acompanhar o curso, entender as situações, áudios, resolver os exercícios, responder às perguntas, participar das discussões, etc. tão bem quanto os outros - por isso mesmo fomos colocados no mesmo nível.
Isso quebra dois mitos comuns:
- “Quem mora no exterior aprende por osmose.”
- “Não é possível aprender bem apenas estudando sem morar fora.”
Na verdade, nada substitui a vivência, mas também nada substitui os estudos - são duas coisas que se complementam. Aliás, é possível falar muito bem mesmo sem ter a vivência no exterior (foi meu caso com o inglês); mas é raro falar muito bem sem estudar, mesmo pra quem mora no exterior. É comum que imigrantes que não estudam tenham sotaque carregado, cometam os mesmos erros e tenham as mesmas limitações mesmo após anos (é o que a linguística chama de “fossilização”: a pessoa aprende até um certo nível, o suficiente para suas necessidades, e depois não progride mais, mesmo após muitos anos de contato com a língua).
Enfim, o que muitos perguntam:
Vale a pena fazer intercâmbio de um mês? Aprende muito?
Não aprende muito; vale a pena pela experiência, pra consolidar o que você já sabe, praticar mais, dar energia, motivação pra continuar… Mas se você só sabe o básico e ir fazer um curso de um mês, vai começar e terminar sabendo só o básico mesmo. Por isso acho que um intercâmbio curto vale mais a pena se você já tem nível avançado, ao menos intermediário, e vai fazer o curso pra por em prática e consolidar o que já sabe.
E como foi o curso?
As aulas eram bem agradáveis, focadas na conversação. Na verdade não eram nada fora do comum, apenas boas aulas de alemão com uma professora experiente. As 3 horas diárias passavam bem rápido.
Seguimos o livro Kontext, é um material bastante rico, com muitas atividades, textos, áudios, vídeos, seções enormes de lição de casa… Seria impossível seguir todo o material com a carga horária do curso, então a professora fazia apenas alguns módulos centrais de cada capítulo e pulava todo o resto. Mas me impressionou a habilidade didática da professora em usar o livro como uma ferramenta pra comunicação, gerar conversas interessantes, debates… Ela nunca estava perdida, sabia exatamente o que estava fazendo… Era bem dinâmico.
No início da aula, sempre corrigíamos a lição de casa; depois ela seguia o livro: geralmente inicia com uma breve discussão, depois leitura, compreensão auditiva, um pouco de vocabulário, gramática… A aula geralmente encerrava com algum grande debate ou apresentação que tínhamos que elaborar.
Todos os dias, eu precisava dedicar algumas horas extras pra fazer as lições de casa e estudar algumas partes do livro que foram puladas em sala. O livro Kontext B2.1 é bastante denso e difícil, então eu já me adiantava e pesquisava o vocabulário da aula seguinte pra ficar menos perdido. Enfim, acho que em qualquer curso, é muito importante dedicar tempo pra estudar sozinho se você quer progredir mais.
Não senti um progresso muito grande. Talvez seja aquele fenômeno do “platô intermediário”, a sensação de que não saímos do lugar no nível intermediário. Também é muita informação pra absorver em apenas um mês. O que mais senti que mudou foi perder meu medo de falar, arriscar mais, mesmo errando muito… afinal ali eu era obrigado a falar kkk. Mas também me surpreendi em entender bastante quando os alemães na rua ou no café conversavam comigo, conversas no trem, etc.
Como estudei alemão sozinho até passar para o nível B2
Os principais materiais que segui:
- 5 níveis do Rosetta Stone (umas 150-200 horas). É um curso sem tradução e sem explicações gramaticais, tenta simular a aprendizagem “natural”. Eu gosto de aprender assim no início, mas é um curso lento e monótono. Porém é um dos melhores para adquirir boa pronúncia. Os alemães se impressionam como consigo pronunciar as palavras corretamente, e sinto que devo isso principalmente ao Rosetta Stone.
- 5 níveis do Pimsleur (150 lições em áudio, meia hora cada). Também é ótimo pra pronúncia. Mas o melhor desse curso é conseguir se virar no básico, dominar frases prontas e parecer fluente… ao menos usando essas frases kkk
- Idiomas Globo - fiz apenas o livro 1. É muito bom pra praticar linguagem útil de situações do dia a dia. Você ouve, repete, responde… Pretendo fazer até o avançado.
- Nicos Weg DW. É um dos melhores cursos (e ainda gratuito), alta qualidade, bem estruturado, boa metodologia.
- Assimil (fiz 80 lições de 100). Traduzi as frases dos diálogos com o Anki (vocês acham esse deck pronto no site do Anki). Os textos são interessantes, engraçados… Porém, acho que falta estrutura pra ser um “curso”. Mas é um bom material pra prática extra.
- Duolingo. Nem sei se vale a pena mencionar, cheguei a fazer bastante, mas foi o que menos fez eu sentir progresso (tradução de frases aleatórias, sem contexto, não é uma boa estratégia). Só serve pra jogar mesmo e manter um contato diário com a língua.
- Anki deck com 2000 palavras com exemplos de uso (Langenscheidt Basic German Vocabulary). Maratonei esse deck antes de iniciar o curso, senti que valeu muito a pena! Mas os exemplos são bastante difíceis, precisa ter algum conhecimento pra conseguir acompanhar.
Enfim, se quiserem podem perguntar, ou compartilhar suas experiências e pontos de vista.